Os cristãos leigos e leigas e o Projeto Queremos ver Jesus – Caminho, Verdade e Vida

Dom Mauro Montagnoli CSS

Bispo de Ilhéus

Presidente da Comissão para o Laicato

 


Com o Projeto Nacional de Evangelização Queremos ver Jesus – Caminho, Verdade e Vida, a Igreja Católica no Brasil quer chamar a atenção para a missão dos cristãos que continua a mesma: ajudar os outros a se aproximar de Jesus e ter com ele um encontro pessoal. A partir desse encontro a pessoa deve aderir ao seu projeto, respondendo à sua missão de ir anunciar a boa nova aos pobres, proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, dar liberdade aos oprimidos. (cf. Lc 4,18-19).

É uma tarefa eminentemente missionária que visa atingir todos os batizados, os de perto e os de longe, de forma especial. Através dos serviços da Palavra, da Liturgia e da Caridade os cristãos podem, aprofundar o seu encontro com Cristo na vivência da sua fé e na adesão clara e conseqüente à sua Igreja.

O projeto tem três metas: a promoção da pessoa e de sua dignidade, a renovação da comunidade eclesial, e a participação na construção da sociedade justa e solidária.

Nesse processo, os cristãos leigos e leigas devem estar profundamente envolvidos, não como simples objetos, mas como verdadeiros sujeitos e protagonistas da evangelização. São eles que estão bem presentes na sociedade pela sua vida concreta como cidadãos e cidadãs.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil insistem que se deve incentivar mais a vocação apostólica dos leigos e leigas, com boa formação e uma organização mais diferenciada da vida eclesial no mundo urbano e nas áreas mais marcadas pela mobilidade humana.

Para conseguir pôr em prática as quatro exigências da evangelização, serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão, o projeto sugere uma série de ações concretas que ajudarão na realização das suas três metas.

Em algumas atividades os cristãos leigos e leigas, podem e devem estar mais envolvidos.

No serviço: incentivar escolas de fé e política que já existem e a criação de outras; participar em conselhos e colaborar na sua criação; a participação na política, visto o descrédito desta dimensão pela perda de poder do Estado ante o mercado e as grandes empresas e pelo descrédito da própria ação política. Os leigos cristãos “não podem absolutamente abdicar da participação na política, ou seja, na múltipla e variada ação [...] destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum” (João Paulo II, CfL n. 42); acompanhar o trabalho do legislativo e do executivo, juntamente com outras organizações não governamentais para evitar a corrupção, a impunidade e assegurar o direito à vida e o respeito à dignidade da pessoa.

No diálogo: continuar a busca da reaproximação com os irmãos de outras Igrejas ou comunidades cristãs; aproximação e diálogo com os seguidores de outras religiões e com todas as pessoas empenhadas na busca da justiça e na construção da fraternidade universal; participar do esforço para assegurar a subsistência das diversas culturas indígenas, reconhecendo também seus grandes valores religiosos.

No anúncio: serem evangelizadores pelo testemunho de vida e pelo conhecimento da doutrina cristã; intensificar a pastoral bíblica, especialmente os círculos bíblicos; ser presença visível nos meios de comunicação social através da linguagem escrita, falada e televisiva.

No testemunho de comunhão: buscar formas associativas e comunitárias de vida eclesial; participar da renovação das estruturas paroquiais; fazer visitas missionárias a vizinhos, parentes e necessitados de todo tipo. “A ação dos leigos é indispensável para que a Igreja possa ser considerada realmente constituída, viva e operante em todos os seus setores, tornando-se plenamente sinal da presença de Cristo entre os homens”. (João Paulo II, aos bispos do Brasil)

Este é um grande trabalho evangelizador que a Igreja no Brasil se propõe para os próximos anos, a fim de continuar sendo fiel ao seu Divino Mestre que deu a sua vida em favor de todos e nos ensinou que devemos servir e buscar a vida para todos.

Cada católico deve ser realmente missionário e cada paróquia, comunidade, precisa viver a sua missionariedade para dentro de si mesma e para fora dos seus limites geográficos, a fim de ser fiel a Jesus que nos mandou: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes, a observar tudo o que vos tenho ordenado” (Mt 28,19-20).