II DOMINGO DO ADVENTO C

 (Lc 3, 1-6)

(Pe. Ignácio, dos padres Escolápios)

GAIUS JULIUS CAESAR(-100 a –44): O primeiro nome foi o de Caio Júlio César, que comumente é designado por Júlio César. Ele foi cônsul, nomeado DICTATOR(-47) por 10 anos e não por seis meses, como era comum, com plenos poderes; e tribuno, com a faculdade de nomear magistrados e direito de declarar guerra ou paz. Foi César pelo nome. Pertencia à gens patrícia Júlia. A gens era um clan com seu chefe, seu culto familiar de penates(=divindades protetoras do lar) e seus clientes, ou pessoas livres protegidas, aos que como mínimo, se dava pão e cebola. Os cabeças de família ocupavam os postos de senadores. Um exemplo: a gens Claudia reunia 5 mil pessoas. No tempo do império as estirpes patrícias foram em parte substituídas por famílias plebéias., devido talvez a que no ano –43 os triunviros mandaram matar 300 senadores e 2000 equites dentre os chamados proscritos. De seu nome, César, provém o Kaiser germânico que indica poder absoluto, assim como o Tsar das línguas eslavas, porque com sua ditadura ele acabou com a república romana.

GAIUS OCTAVIUS (63 aC até 14.dC) Era o seu nome de origem para, ao ser adotado no testamento como filho por seu tio, Júlio César, tomar depois do ano –27, o nome de Gaius Julius Caesar Octavianus. A história o conhece com o nome de César Augusto ou Augusto. Seu regime foi o de principatus, porque seu título primeiro era de princeps, ou primeiro cidadão, como chefe de uma república esquisita, na qual ele tinha uma autoridade principal. De família próspera, seu pai (+59 aC) foi o primeiro da mesma a ser nomeado senador e pretor, cargo imediato ao de cônsul por um ano. Sua mãe Atia, era irmã de Júlia, esta irmã de Júlio César. E foi César, o tio, quem jogou o jovem Otávio na arena política romana. Aos 12 anos Otávio pronunciou a oração fúnebre em memória de sua avó, Júlia, mãe de César. Três ou quatro anos mais tarde recebe o ansiado título de membro do colégio dos pontífices. Na república eram 3 ou 4 membros que nos tempos de César chegaram a 16 e cujo papel principal era a administração do Jus Divinum. Neste direito podemos destacar a regulamentação de lugares e ritos sacros; a normalização dos funerais e do culto aos Manes ou espíritos dos mortos dos ancestrais; a lei de matrimônios patrícios; a de adoção, e finalmente a regularização do calendário (Julio e Agosto são os dois meses acrescentados pelos dois primeiros imperadores já que o título de Pontifex Maximus era inseparável do título de Imperador). Júlio César conservou o título de Pontifex Maximus nos últimos vinte anos de sua vida e Augusto desde o ano 12 aC. Hoje é o título do Romano Pontífice. Pelo ano –33 Octávio, agora quase dono do poder, ignorou completamente os outros dois triunviros(Lépido e Antônio) e prefixou seu nome com o título de Imperator, ou comandante por excelência, e nas moedas cunhou a frase César, Filho de um deus, porque para este tempo seu pai adotivo, Júlio César, fora reconhecido no ano –42 como deus do Estado romano (Um manes estatal mais do que gentílico) No ano –28 iniciou um censo(o primeiro dos três) da população do seu império. O império teria 5 milhões de habitantes. No ano –27 O seu nome de César, como adotado, foi complementado pelo de Augusto, que se acreditava etimologicamente estar unido à "autoritas" e à prática dos augúrios. Augusto estava em contraste com Humano, indicando assim sua superioridade sobre o resto da humanidade. Em grego seria Sebastós (digno de veneração). Além do título de Imperator, com o poder de Imperium Maior, que o exaltava sobre os cônsules, recebeu o da Tribunícia Potestas, ou tribuno da plebe para toda sua vida. e não só por um ano No ano –17 inaugurou Os Ludi Saeculares ( jogos seculares) purificando o povo de seus pecados e inaugurando uma nova era. Adotou os dois filhos de Agripa, seu lugar-tenente, casado com sua filha Júlia. Morto Agripa no ano –12 Augusto ordenou sua viúva, Júlia, que era sua filha, a casar-se com Tibério. Seus netos mortos, Augusto adotou seu genro Tibério como filho em 4 aC. Quando da morte de Augusto em 14 dC, Tibério o sucedeu como Imperator e Augustus, e o divinizou como deus protetor do Estado.

TIBERIUS CLAUDIUS NERO(42 aC até 37dC) Seu nome completo, após a adoção por Augusto, foi Tiberius Julius Caesar Augustus. A história o conhece com o nome de Tibério. Foi o segundo imperador com este título (de 14 a 37 dC). As notícias que nos interessam de seu reinado são: Sua tenacidade e sua taciturnidade como caráter. Seu amor a sua esposa e a seu irmão Drusus, que o levou a visitá-lo quando enfermo, percorrendo 650 Km a cavalo para assisti-lo e vê-lo morrer. Morto, o acompanhou a pé de novo até Roma, tomando as rédeas do animal que portava o cadáver. Obrigado a se casar com a filha de César, Júlia, viúva pela segunda vez, por razões de Estado teve que divorciar-se, de sua esposa Vipsania, a quem amava ternamente. Tibério tinha 30 anos e Júlia 27. Júlia foi infiel constituindo um escândalo em Roma. Na volta de uma de suas campanhas Tibério visitou Vipsânia, agora esposa de um senador, e a seguiu à noite entre lágrimas. César ordenou que nunca a visitasse e apesar de ser nomeado Tribuno ele mesmo se retirou à ilha de Rodas (6aC).Tinha 36 anos. Dez anos mais tarde um novo Tibério, ressentido e violento foi chamado à Roma. No ano 14 dC sucedeu a seu tio Augusto. Tinha 54 anos. Inicialmente foi um bom governante. Mas há dois fatos notáveis que iniciam um caráter desconfiado e rancoroso. O primeiro, que por razão de quatro judeus conspirarem para roubar a fortuna de uma dama romana, Fúlvia, Tibério mandou ao exílio todos os judeus de Roma. Quatro mil foram para a ilha da Sardenha. Tibério revogou o edito 12 anos depois. A Segunda, que ele impulsionou a prática da delação, em que qualquer cidadão podia ser o promotor-delator, e se a pessoa acusada era culpada, parte do confisco dos bens era para o acusador. Assim os delatores, como hoje os advogados trabalhistas, obtiveram grandes benefícios junto com o Estado, transformando Roma num governo inquisitório, com o terror reinante em toda parte. Em 23 dC seu filho Druso morre e Tibério muda de caráter. Taciturno e amargado se retira da política ativa e deixa Roma em mãos de Sejano, o comandante da guarda pretorial. Em 27, com 67 anos, Tibério se retira à ilha de Capri (perto de Nápoles). Tibério tem uma doença de pele que o transforma em repugnante através de feridas na pele e o pus que causava fétido odor aos visitantes e grandes dores a ele mesmo. Rodeia-se de todo luxo material e se entrega a uma vida de prazeres cercado de músicos, anfitriões, filósofos, artistas, astrólogos e aduladores. Sua vida foi cruel e obscena. Matou ferozmente e quase à toa. Provavelmente sua mente estava perturbada(sífilis talvez?). Assim transcorreram os últimos seis anos de sua vida. Escolheu como sucessor Calígula, do qual disse: "Estou alimentando uma víbora no colo de Roma." No ano 37 após lançar um pilum ou javalina, teve uma luxação no ombro. Na cama ficou inconsciente. Quando já o seu sucessor estava sendo proclamado porque os médicos falaram que não passaria do dia, Tibério recobrou a consciência e pediu de comer. No dia seguinte Macro ,o chefe da guarda pretoriana, foi visitá-lo e com um cobertor o sufocou.

HERODES ANTIPAS(21aC até 39 dC):Filho de Herodes, o grande, e da samaritana Maltace herdou de seu pai uma quarta parte do reino(daí o nome de tetrarca= governador de uma quarta parte) Era a Galiléia e a Peréia.(esta do lado oriental do Jordão frente da Samaria.). Ele divorciou-se de sua esposa nabatéia ou árabe, filha de Aretas e se uniu a Herodíades, esposa de seu irmão ainda vivo, o que era considerado incesto pela lei judaica e que o Batista denunciou publicamente. Num banquete Herodes mandou cortar a cabeça do Batista, por instigação de sua nova mulher. Herodes assistiu ao julgamento de Jesus, tomando-o por louco. Ele trasladou a capital da Galiléia, de Séforis(perto de Nazaré) para Tiberíades(21 dC), que por ser fundada sobre um cemitério os judeus não quiseram habitar e foi transformada em cidade grega. Calígula, o novo imperador, tirou seus domínios para dá-los a Agripa, seu favorito, e sobrinho de Antipas. Este foi desterrado nas Gálias(França)onde morreu dois anos após.

FILIPE (20 aC a 34 dC): Meio-irmão de Antipas pois era filho de Cleópatra uma das oito ou dez mulheres de Herodes o Grande, recebeu a tetrarquia da Ituréia e Traconítide. Reedificou Betsaida, pátria de Pedro e João, transformando-a em cidade grega com o nome de Júlia, em honra à filha de Augusto. Casou com Salomé a dançarina filha de Herodíades, mas não teve sucessão.

LYSÂNIAS: Nada sabemos dele a não ser o que nos diz Lucas, que foi tetrarca de Abilene, região da Celesíria, entre o Líbano e Antilíbano formando hoje a planície de Bekaa

PÔNCIO PILATOS(26 a 36 dC): Chamado hegemon (= presidente ou governador). Somente no ano 46 dC os governadores como Pilatos receberam o título de procurator (epitropos em grego) ou procurador de uma vice-província como era a Judeia que pertencia ao imperador e não ao senado. Antes disso seu título era o de praefetus(eparkhos). Dele falamos Domingo passado.

ANÁS: (Deus tem sido gracioso).Também Anano filho de Set, Sumo sacerdote, desde o ano 6 dC que foi deposto no ano de 15-16 dC por Quirino o legado da Siria; teve uma influência muito grande já que seus cinco filhos e o seu sogro Caifás obtiveram o mesmo cargo

CAIFÁS (18-36 Dc): Seu primeiro nome era José(=ele acrescenta) e Caifás significa o mesmo que Pedro, pedra. Presidia o Sinédrio no momento em que Jesus declarou oficialmente sua filiação divina, e rasgando suas vestes declarou solenemente não aceitar sua mensagem. Existe um problema: Lucas escreve que eram sumos sacerdotes (arkhierei, ou principes sacerdotum )Anás e Caifás. Mas segundo a lei e os costumes só havia um sumo sacerdote não dois ao mesmo tempo, como só existe um Papa na Igreja Católica. Como solucionar esta contradição? Era verdade que por meio de dinheiro o ofício era comprado e trocava de mãos cada doze meses. Também era verdade que aqueles que foram sumos pontífices retinham o nome como tais. A solução parece que Anás era Sagan dos sacerdotes. O sagan era para o sumo sacerdote como o segundo no cargo sempre acompanhando-o à direita como lemos em Jr 52,24 de Sofonias sacerdote. O targum o identifica com o Sagan. O Sagan era o chefe dos sacerdotes e politicamente mais influente que o Sumo sacerdote anual pois este dependia dos governadores romanos e aquele era praticamente vitalício e dependendo do colégio sacerdotal.

O DESERTO: A palavra éremos significa tanto um lugar despovoado no qual só habitam animais ou feras, como um deserto propriamente dito. Os lugares sem água, verdadeiros desertos, são chamados anidros( Lc 11, 24). Segundo Mateus era o deserto de Judá(3, 1). Simbolicamente o deserto tinha dois significados: ou um lugar amaldiçoado por Deus, terrível e espantoso(Dt 1, 19)habitado só por feras e demônios(Mc 1,13 ), ou como símbolo, significando uma época privilegiada em que Israel nasce como povo escolhido, época de amores e infidelidade, sinal de salvação(Mt 24, 26). João percorria o vale do Jordão aparentemente desde Jericó ao norte, até as fontes de Enom, perto de Salim.

BATISMO DE ARREPENDIMENTO: O Batismo, imersão dentro da água, era um rito, uma ablução ritual com fins religiosos de purificação. Aqui o batismo vai associado com a methanoia, que literalmente significa mudança de mentalidade ou de atitude; mas em sentido religioso significa praticamente uma conversão uma reforma de vida. Porém Jesus institui um batismo necessário para a entrada no reino (Mc 16,16), que é uma participação com a morte de Cristo e com a sua ressurreição(Rm 6, 3-9), rito eficaz que nos lava de todo pecado e nos integra na vida divina como filhos de Deus. Comporta uma profunda renovação da vida e da conduta.(I Co 6, 9-11).

PARA REMISSÃO DE PECADOS: O grego não tem artigo e a tradução é direta. É possível que o batismo pregado por João fosse uma das derivações de um movimento batista florescente entre os palestinos durante os anos 150 aC a 250 dC. Nesses anos, tanto judeus como cristãos (ebionitas e gnósticos principalmente) praticavam certas formas de ablução ritual. Dentre esses batismos está o dos essênios, o batismo de João e de seus discípulos e o dos discípulos de Jesus (Jo 4,2) antes da instituição do batismo definitivo, ordenado por este último(Jo 3, 22). Eram batismos de penitência. Em Lv 4-5 se descrevem diversos sacrifícios como expiação pelo pecado. João substitui essa oferenda por um rito de ablução dentro da concepção essênia que não aceitava o sacerdócio corrupto de Jerusalém e que pensava ser inútil o rito da ablução se não existisse intenção de abandonar a vida do pecado."Não deverão entrar na água de modo que possam participar no banquete sagrado dos santos, porque não ficarão purificados se não se convertessem de sua vida licenciosa; quem é infiel a sua promessa fica impuro"( 1Qs 5,13-14).A opinião de que era uma derivação da prática do batismo dos prosélitos, não parece razoável porque tal batismo não existia nos tempos de João e de Jesus.

COMO ESTÁ ESCRITO: Implica num cumprimento do oráculo de Isaias 40, 3-5. A voz anuncia uma mudança de levar a vida porque a salvação (ou o salvador, pois soterion é neutro) está próxima. Por isso devemos preparar o caminho para estarmos dispostos a contemplar a glória do Senhor que toda carne poderá ver como salvação. João é, pois, como um boi que muge com voz possante no meio do páramo.

PISTAS: .-1)Se o primeiro Domingo a reflexão foi sobre os novos tempos escatológicos, buscando em nossas vidas o triunfo parcial e temporal do Senhor Jesus, agora este Domingo a ponderação pende das palavras urgentes do Batista: para receber o que vem em nome do Senhor é necessário uma methanoia porque tendemos sempre à atitude mais fácil e mais egoísta. –2).Por meio dessa voz que clama muitas vezes no deserto das almas e no silêncio do mundo, o Batista exige como voz autêntica de parte da Deus uma reforma de vida. Sem ela jamais poderemos não só aceitar mas nem ouvir palavras nas que estão contidas as exigências da verdadeira vocação cristã.-3) A conversão implica mais do que uma renúncia ao pecado: significa uma aceitação do bem como objetivo primário da vida. Não tanto o mal que faço mas o bem que procuro. Essa deve ser a meta de meus esforços.-4)Lucas nomeia cinco reinos contemporâneos. Nenhum deles trouxe para a história de nosso tempo motivo de amor e agradecimento. Somente Jesus vive com força atuante nos nossos dias: para o amor dos que o aceitam ou para a aversão dos que não querem que reine. A perseguição é um dos motivos pelos quais conheceremos a verdadeira religião: pois foi assim que receberam os profetas (Mt 5,12).

EXEMPLO: Havia um grupo de mulheres num estudo bíblico do livro de Malaquias. Quando elas estavam estudando o capítulo três, elas se depararam com o versículo três que diz: "Ele assentar-se-á como fundidor e purificador da prata".Este verso intrigou as mulheres e elas se perguntaram o que esta afirmação significava quanto ao caráter e natureza de Deus. Uma das mulheres se ofereceu para tentar descobrir como se realizava o processo de refinamento da prata e voltar para contar ao grupo na próxima reunião do estudo bíblico. Naquela semana esta mulher ligou para um ourives e marcou um horário com ele para assisti-lo em seu trabalho. Ela não mencionou a razão de seu interesse na prata. Nada além do que sua curiosidade sobre o processo de refinamento da mesma. Enquanto ela o observava, ele mantinha um pedaço de prata no fogo e deixava-o aquecer. Ele explicou que no refinamento da prata devia-se manter a prata no meio do fogo onde as chamas eram mais quentes de forma a queimar todas as impurezas. A mulher pensou em Deus mantendo-nos em um lugar tão quente; depois, ela pensou sobre o verso novamente... "Ele se assenta como um fundidor e purificador da prata". Ela perguntou ao ourives se era verdade que ele tinha que se sentar em frente ao fogo o tempo todo que a prata estivesse sendo refinada. O homem disse que sim, ele não apenas tinha que se sentar lá segurando a prata, mas também tinha que manter seus olhos na prata o tempo inteiro. Se a prata fosse deixada, apenas por um momento em demasia nas chamas, ela seria destruída. A mulher silenciou por um instante. Depois, ela perguntou: "Como você sabe quando a prata está completamente refinada?". E o homem respondeu: "Oh, é fácil! - o processo está pronto quando vejo minha imagem refletida nela".