DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM (Lc 17,11-19)

OS DEZ LEPROSOS


DE CAMINHO: É a terceira vez que nesta parte do seu evangelho cita como circunstância temporal e geográfica Jerusalém (9, 51; 13, 22 e esta de hoje). É o ambiente de viagem para seu último destino que dirige atos e palavras do grande mestre, segundo a forma de relato escolhido pelo evangelista. Parece como se quisesse pintar a vida humana dependendo do seu último destino que é um sacrifício final não sem antes fazer o bem e se mostrar como mestre único da verdade e da solidariedade.

PELO MEIO DA SAMARIA E DA GALILEIA: Como alguns autores qualificam, a frase é um caso típico da inaptidão geográfica de Lucas. A vulgata per médium Samariam et Galilaeam é a escolhida pela VA evangélica. A não ser que o grego seja usado de forma irregular e pudéssemos traduzir através da Galiléia e da Samaria (nessa ordem) ou atravessando a Samaria e a Galléia, e não pelo meio delas na ordem em que as encontramos no texto grego, como se a Samaria estivesse mais afastada de Jerusalém do que a Galiléia. A geografia não é tema dominado por Lucas. O texto português moderno traduz: passava entre a Samaria e a Galiléia. Das diferentes bíblias somente três: a latino americana, a francesa e a inglesa  traduzem pelos confins{frontieres [Fr] ou border [Ing]} entre, a Samaria e a Galiléia. Supostamente, a menção imprecisa entre as duas regiões só serve para justificar a presença do personagem principal entre os leprosos, ou seja a daquele que era samaritano, cuja presença só poderia ser possível por estar Jesus passando entre os limites de ambos territórios.

A LEPRA: Não podemos logicamente obter da escritura e dos evangelhos uma definição, nem mesmo uma descrição tão acuradas como as atuais da doença de pele, que tanto discriminava os enfermos nas sociedades antigas. A doença era um castigo tanto social como religioso. Ela é descrita nos capítulos 13 e 14 do livro do Levítico. Seu nome hebraico tsaraat serve para designar afecções impuras. Este termo foi traduzido por lepra, ou seu equivalente, nos diferentes idiomas, apesar de não ser possível afirmar com certeza o seu significado preciso no texto original. Naturalmente, em virtude da falta de meios para um diagnóstico preciso, eram provavelmente chamados leprosos não apenas os portadores da hanseníase, mas também portadores de outras doenças crônicas de pele, muitas das quais, com certeza, não seriam menos contagiosas para o que hoje chamamos de leucodermia [pele branca]. Também existia a palavra parah que podemos traduzir por surgir uma erupção. Pois não existia uma clara idéia do que era a lepra. A sua descrição, a impureza a ela subseqüente e o rito de sua cura com os sacrifícios correspondentes, estão descritos no Levítico nos capítulos 13 e 14. Quem distinguia entre lepra e outra dermatose mais ou menos grave, como herpes e até a tinha, era o sacerdote. Era um exame experimental. Se se formar na pele um dartro [tipo de herpes] ou uma mancha e, no lugar enfermo, o pelo se tornar branco e a enfermidade se tornar mais profunda na pele, o sacerdote declarará a doença como lepra(Lv 13, 3).  Caso de dúvida, o doente devia permanecer em quarentena de sete a quatorce dias, que podia ser repetido até ter certeza da natureza da doença.  Mas se o sacerdote declarasse que a doença era lepra, o doente era declarado impuro. Devia portanto morar fora do acampamento ou da aldeia, rasgar suas vestes, soltar seus cabelos, ou seja sem os cobrir, e no entanto cobrir o bigode e gritar impuro cada vez que alguém se aproximava. A impureza era devida principalmente às úlceras que se formavam. O rito de purificação, caso fosse declarado puro o sujeito antes leproso, exigia duas aves, madeira de cedro, púrpura carmesim  e hissopo. (Lv 14, 4). Temos visto no domingo do pobre Lázaro como existiam duas classes de púrpura: a violácea, a mais cara, e a carmesim ou escarlata. O hissopo era uma planta ou arbusto de até 60 cm de altura de folhas aromáticas. Vários pequenos galhos juntos serviam para aspergir sangue ou água nos ritos religiosos. Atualmente usa-se com o mesmo nome um instrumento de metal com buracos na parte oposta do mango que serve para sugar água benta e aspergir com ela objetos e pessoas. O rito da purificação do leproso era espetacular e parece estava em vigor no tempo de Jesus desde a época da construção do tabernáculo no deserto.

LEPROSOS CÉLEBRES: O primeiro foi Moisés a quem Javé mandou por a mão no peito e ao retirá-la apareceu como coberta de neve, para depois reintroduzi-la e ficar normal de novo(Ex 4, 6-7). Outro caso memorável foi o de Miriam, irmã de Moisés, como castigo por sua murmuração, a qual teve que se isolar por sete dias até conseguir a cura por intercessão de seu irmão(Nm 12, 10). Leproso era Naamã o sírio que foi curado por Eliseu (2 Rs 5) e Giezi,  tornado leproso por sua avareza (2 Rs 5) e leproso era Simeão, hospedeiro de Jesus (Mt 26, 6). Mateus no cap 8 e Marcos no cap 1 narram a cura de um leproso. Já o relato de hoje, em número e circunstâncias, é próprio de Lucas.

A LEPRA HOJE:  O nome científico é Hanseníase,. A doença era própria da Índia e da África. Os gregos a chamavam de Elefantíase e o termo lepra foi introduzido por Hipócrates como doença com lesões escamosas entre as quais pode estar a psoríase e os eczemas crônicos. Durante a idade Média  a hanseníase prevalecia na Europa e no Oriente Médio. No Concílio de Lyon(583) estabeleceram-se regras para lidar com a profilaxia [medidas de prevenção] da doença: Isolar o doente da população sadia. Na França o isolamento era precedido de um ofício religioso semelhante ao ofício dos mortos, após o qual o leproso era excluído da comunidade. O doente era obrigado a usar vestimentas características que o identificavam como portador  e fazer soar uma sineta ou matraca para avisar os sadios de sua aproximação. Data também da idade Média (Séc XIII) a criação das primeiras associações religiosas dedicadas a prestar cuidados aos doentes de hanseníase. Essas associações foram responsáveis pela criação de centenas de asilos para abrigar os acometidos pela doença. Nesse século cerca de 19 mil leprosários existiam no continente. A partir do século XVII foram desativados muitos desses asilos de modo que por volta de 1870 a hanseníase já havia praticamente desaparecido em quase todos os países com a exceção de Noruega onde ainda podia ser considerada endêmica[permanente]. Mantinha-se porém inalterada na Ásia e na África e tornou-se gradativamente endêmica na América Latina. No Brasil foi em 1600 que se notificaram os primeiros casos no Rio de janeiro, onde anos mais tarde seria criado o primeiro Lazareto. Sem tratamento eficiente e sendo uma enfermidade contagiosa, o doente era considerado como uma cultura ambulante da doença e portanto

uma ameaça à sociedade. Assim como não se deixam cadáveres insepultos, não se devem deixar leprosos desamparados. Era, pois, permitido viver em asilos e até recolhidos em cadeias públicas. Pensemos na ilha de Molokai em que só entravam os leprosos e dos quais foi apóstolo o Pe.      Damião, Na década de 40, com a descoberta da Sulfona, mudou o tratamento, e o isolamento passou a ser seletivo. Outros dois remédios, Clofazimina, nos anos 60 ,e Rifampicina,  nos anos 70, trouxeram a cura, muito embora o tratamento demorasse 5 anos. Hoje em dia o tratamento com PQT [poliquimioterapia] demora apenas um dia, seis meses, ou doze meses e o diagnóstico precoce permite que mais de 90% dos pacientes não apresentem nenhuma seqüela. Hoje, na primeira dose de tratamento, 99% dos bacilos são eliminados e não há mais chance de contaminação. O microbacilo de Hansen ataca normalmente a pele, os olhos e os nervos. A doença é também conhecida como moréia, mal-de-Lázaro ou mal-do-sangue.Não é uma doença hereditária. As vias de transmissão são pelas vias aéreas. Porém a infecção dificilmente acontece depois de um simples encontro social. O contato deve ser íntimo e freqüente. A maioria das pessoas é resistente ao bacilo e de 7 doentes apenas um oferece risco de contaminação. De 8 pessoas em contato com o paciente, apenas 2 contraem a doença e desses 2, um torna-se infetante. Ela se apresenta sob duas formas. O tratamento do tipo paucibalar [poucos bacilos]é mais rápido: basta uma dose mensal [um coquetel], além da ingestão de um comprimido diário durante 6 meses. Do tipo multibacilar [muitos bacilos] o tempo para o tratamento é mais longo: são 12 doses uma por mês e de dois remédios diários durante 2 anos. A maioria da população adulta é resistente à hanseníase, mas as crianças são, mais susceptíveis, geralmente adquirindo a doença quando há um paciente contaminante na família. O período de incubação varia de 2 a 7 anos, e entre os fatores predisponentes estão o baixo nível econômico, a desnutrição e a superpopulação doméstica. Por isso ainda tem grande incidência nos países subdesenvolvidos. A hanseníase tem 4 formas de se apresentar: Indeterminada, como forma inicial que evolui espontaneamente para a cura na maioria dos casos e para outras formas da doença em 25% dos mesmos. Geralmente encontra-se apenas uma lesão de cor mais clara que a pele normal, com diminuição da sensibilidade. Mais comum em crianças. Tuberculóide: Forma mais benigna e localizada, ocorre em pessoas com alta resistência ao bacilo. As lesões são poucas [ou única] de limites bem definidos e um pouco elevados e com ausência de sensibilidade [dormência]. Ocorrem alterações nos nervos próximos à lesão, podendo causar dor, fraqueza e atrofia muscular. Dimorfa: forma intermediária que é resultado de uma imunidade também intermediária. O número de lesões é maior, formando manchas que podem atingir grandes áreas da pele, envolvendo parte da pele sadia.O acometimento dos nervos é mais extenso. Lepromatose: Nestes casos a imunidade é nula e o bacilo se multiplica muito, levando a um quadro mais grave, com anestesia dos pés e mãos que favorecem os traumatismos e feridas que podem causar deformidades, atrofia muscular, inchaço das pernas e surgimento de lesões elevadas na pele [nódulos]. Órgãos internos também são acometidos pela doença.

A IMPUREZA: A lepra não era tão temida como doença, mas por ser causa de marginação total na sociedade antiga. Na realidade, a impureza que a acompanhava por causa das chagas purulentas que a acompanhavam era absoluta. Segundo o modo de pensar do AT o sangue derramado era uma das fontes de impureza. O sangue não podia ser derramado porque era considerado como base da vida, que pertencia diretamente a Deus; daí que o contato com o sangue tinha um sentido religioso como se fosse um  relacionamento íntimo com a divindade, dona da vida. A perda do sangue era considerada como perda de vitalidade, a qual deve ser restabelecida através de certos ritos alcançando sua integridade para se unir com o Deus fonte da vida. As leis da impureza estão no Levítico entre os capítulos 11 a 15. Existem animais impuros no capítulo 11; há uma impureza de nascimento no capítulo 12; fala-se da impureza da lepra nos capítulos 13 e 14 e a menstruação merece um capítulo à parte como é o 15. A impureza de um leproso era de por vida e devia ser mandada fora do acampamento pois no meio dele habitava o Senhor(Lv 15, 31). A razão para essa lei era a santidade divina que podia ser maculada por certas ações entre as quais as principais eram a idolatria e o derramamento de sangue especialmente de inocentes como eram as crianças oferecidas aos deuses ou Baals(Sl 106, 38). A impureza legal, especialmente se ligada com o exercício sacerdotal, tomou conta da impureza interior ou pecado, de modo que este último não fosse considerado na sua intencionalidade interna, sendo que toda a lei e seu cumprimento estavam em evitar a impureza externa da qual os fariseus fugiam como essencialmente contagiante. O pecado estava também unido à miséria física e econômica (Jo 9, 2). Não somente o leproso era considerado impuro, de modo que devia ser afastado e morar à parte; mas também os vestidos cobertos de mofo eram considerados como tendo lepra e deviam ser considerados impuros. Também o mofo ou bolor das casas as tornava impuras e sujeitas à inspeção do sacerdote como eram as pessoas.(Lv 14, 33 ss).

A CURA: Não foi imediata como quando disse ao leproso: quero, fica limpo (Mt 8,3) mas respeitando as regras da lei mandou que fossem aos sacerdotes para que estes os declarassem curados. A reação dos leprosos foi diferente da de Naamã, que resistiu a obedecer; os nossos doentes seguiram a ordem de Jesus e no caminho é que eles se sentiram curados.

O SACERDOTE: Como temos visto, a impureza que tem como razão o derramamento do sangue, liga a lepra ao sentido religioso e por isso era o sacerdote quem devia declarar sua existência, da qual dependia a vida social do indivíduo. Por isso a reintegração do leproso devia ser feita com um sacrifício semelhante ao sacrifício pelo pecado(Lv 14, 1-31. 49-53), pois era um atentado à virtude vivificante do Deus de Israel. O rito de purificação abrangia uns detalhes que hoje parecem ridículos, mas que, sem dúvida, tinham seu significado nos costumes da época. Um detalhe importante é que assim como na purificação do dia do Yom Kippur um dos dois bodes do sacrifício era deixado no deserto para o demônio Azazel que com esse bode recebia as impurezas do povo, também havia dois pássaros na purificação do leproso e um deles era solto após receber a infusão do sangue do pássaro sacrificado. Assim ele levaria a impureza longe do povo e do doente.

O SAMARITANO: Um samaritano [único ou havia mais da mesma etnia?] foi  o único que voltou dando graças a Deus. O nome de Deus era El muitas vezes usado no plural Elohim e que receberá segundo situações determinadas diversos atributos como El-Elyon= Deus Altíssimo (Gn 14, 22). El-Roi=Deus da visão(Gn 16, 13). El Shadai= Deus da montanha (Gn 17, 1). El-Olam= Deus eterno(Gn 31, 33). El- Betel=Deus de Betel( Gn 35, 7) mas sem dúvida o nome [Hashem ou Hashem Yitbarah, nome oculto] era o de Javé (Ex 3, 13) que na língua hebraica é traduzido por o Eterno e que alguns modernos traduzem por o que existe, o vivente e daí o verdadeiro, o único. Os setenta traduziram por Ego eimi ho on= eu sou o é [o que existe]. O apocalipse dirá: Aquele que é, aquele que era Aquele que vem, o Todo-poderoso (Ap 1,8). Este Deus era a quem o samaritano dava glória com grandes vozes. Ao chegar a Jesus prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus. É a proskynesis, forma de submissão ao rei oriental, o Grande Rei dos persas, que Alexandre, o Grande quis exigir depois de seu regresso da Índia em 324 aC para ser reconhecido como deus. Jesus é pois homenageado como Rei no mínimo(Mt 2,2) e talvez como representante de Deus (Jo 4, 20) e intermediário da ação divina. Deu-lhe graças. É a única passagem dos evangelhos em que a ação de graças eucharisteuo é dada a Jesus e não a Deus.

A PERGUNTA DE JESUS: Não eram dez os curados? Onde estão pois, os outros nove? Sua obediência à palavra de Jesus consegue a cura mas aparentemente sua falta de agradecimento os desvia de quem foi seu salvador. Em Jesus, o samaritano, infiel e herege segundo os judeus encontrou o Deus verdadeiro e o seu representante na terra. Daí a proskynesis como fez o cego a quem Jesus pediu fé em sua pessoa: Crês no Filho do Homem? (Jo 9, 38). Por isso dirá Jesus ao samaritano: Tua fé te salvou (19). Há pois um contrste entre cura e salvação que o mundo atual não percebe, porque os bens imediatos embora não sejam tudo são os únicos que interesam e preocupam à maioria.    

PISTAS: 1) Os marginados se aproximam de Jesus. Apesar de sua total culpabilidade perante Deus e homens, eles têm esperança. Sua cura dependia daquele Mestre[epistates= chefe, ou líder], de quem tinham ouvido falar como grande médico e curandeiro. O seu grito pode ser também o nosso quando a esperança só tem como base a bondade divina: eleeson ymas, compadece-te de nós. Como pensamos que Deus vê nossas vidas? Limpos e puros ou tão terrivelmente marcados pelo mal que parecemos monstruosos leprosos cheios de imundície? Somos diante de Deus malditos e assim se tornou seu Filho não unicamente maldito, mas maldição para nos salvar (Gal 3, 13).

2) O ponto de partida para a ação divina é a súplica. Jesus não os busca. São eles os que buscam quem sabem tem poder para curar. O resto é um mandato: conformem-se com a lei se é que querem viver em sociedade de novo. Naamã foi mandado se lavar no Jordão. Os dez leprosos foram enviados para o sacerdote. Nada há de anormal ou extraordinário em ambas ocasiões. É a obediência que atrai a ação de Deus e transforma o homem em seu filho amado no qual encontra satisfação (Mt , 17).

3) O agradecimento é essencial nas relações com Deus. Todos nós somos semelhantes aos nove leprosos curados. Incapazes de uma súplica que não seja uma petição de ajuda. Uma vez obtida a mesma, esquecemos, o louvor, o elogio, a ação de graças.nossa religiosidade tem muito de magia, de oportunismo, de interesse, de ingratidão. Conformamo-nos com o nosso bem-estar e esquecemos o muito que temos recebido como dom e como presente. O pouco mal que nos atinge não nos permite enxergar o muito de bem que nos rodeia. Por isso a queixa é mais abundante do que o louvor.

4) Por esse egoísmo próprio de quem só olha seu próprio bem esquecemos que os bens são fruto de uma dádiva divina. Nos servimos de Deus, não servimos a Ele. E a melhor maneira de servi-lo é agradece-lo e obedece-lo. Esquecemos que os bens agora possuídos são uma simples amostra do que nos espera se a gratidão toma conta de nossas vidas. O canto às misericórdias de Deus nesta vida é só o começo do canto sem fim que será o modus vivendi na eternidade. Desde já devemos aprender a recitá-lo caso queiramos vivê-lo como experiência existencial.

 5) Não temos lepra que nos separe socialmente mas o aids, a etnia, a pobreza, margina muita gente neste mundo que se gloria de sua globalização. Quem não tem ouvido falar dos ciganos, dos negros, dos indígenas ? E eles não são contagiosos, o contágio pelo contrário é a idéia de que existem classes e diferenças.

EXEMPLO: Um sacerdote explicava o débito de ação de graças contraído com Jesus da seguinte maneira: Num hospital estava às portas da morte por causa de uma cirrose hepática fulminante. Precisava-se de um doador. Como o caso era urgente e não havia familiares compatíveis, um dos enfermeiros dispôs-se a entregar parte de seu fígado. Efetivamente o doador se submeteu a uma operação e um quarto de seu fígado foi doado. Este fato salvou a vida do doente. Uma vez recuperado de sua doença todo o seu empenho era saber quem o tinha salvo porque era a ele que devia a sua vida: era seu pai e sua mãe. Não parou até encontra-lo. Desde esse instante o doador era para ele tudo: o que pedisse o que desejasse era sua prioridade em dá-lo e proporcioná-lo de modo que sua palavra era uma ordem, seus desejos um mandato. Pois bem - dizia o sacerdote - nós todos devemos nossa vida ao sacrifício de Jesus. Ele não deu uma parte de seu fígado, mas toda sua vida. E está repetindo isso na Santa Missa como sacrifício pacífico em espécies de pão e vinho. Qual é nosso agradecimento? Como recebemos suas palavras? Como obedecemos seus mandatos de amor, de serviço, de humildade? Qual é o papel que Jesus exerce em nossa vida, e como agradecemos essa vida plena que ele nos entregou na cruz?