VERDADES HISTÓRICAS SOBRE A
INQUISIÇÃO NA ESPANHA
Pe. Ignácio, dos padres
escolápios
A refutar, ou melhor, a divulgar
a verdade sobre a Inquisição, especialmente a mais denegrida, a espanhola, escrevo este artigo comentando erros e
meias-verdades de um artigo na revista AVENTURAS DA HISTÓRIA DA EDITORA ABRIL
com data de abril 2008, que tem como título: MORTE AOS HEREGES. As afirmações
estão em negrito e as refutações em letra comum.
AVENTURAS NA HISTÓRIA: Inquisição: o reinado do medo. Perseguição,
tortura e morte. Os terríveis 700 anos em que a Igreja matava quem ia contra
suas crenças.
1ª PARTE: REFUTAÇÃO.
A) A inquisição católica espalhou o terror pelo mundo, torturando e matando
judeus, muçulmanos, bruxas, gays ou quem se atrevesse a pensar diferente.
REFUTAÇÃO: Tremendo erro: A Igreja só
perseguiu os apóstatas. 1) Os judeus e muçulmanos não foram perseguidos pela
sua fé. Os marranos, ou seja, os judeus convertidos e depois apóstatas, sim
foram perseguidos e unicamente relaxados ao braço secular [para que este
executasse a pena correspondente] após se comprovar que pela segunda vez
reincidiam em práticas heréticas. Prática contrária aos princípios do Islã, em
que uma só falta bastava para a pena de morte de um apóstata. Pelo que respeita
aos muçulmanos, não eram estes os perseguidos, mas os moriscos [maometanos batizados]. A Igreja só
perseguia os seus súditos batizados. A prova está em que não condenou os índios
da América que eram pagãos. 2) As bruxas: Nos territórios da Inquisição Romana,
Estados pontifícios, Espanha e Portugal, a bruxaria foi considerada feitiçaria
ou histeria muito mais do que heresia. Daí que o número de mortes foi inferior
a 100 quando em regiões protestantes seu número se elevou a 20 mil no mínimo.
Gays: era pena de morte em toda Europa. Muitos poucos casos foram condenados à
morte. E unicamente tribunais de Aragão , Catalunha e Valência tinham
jurisdição para julgar esses casos, coisa que não aconteceu em Castela. A
maioria dos casos (70%) dos acusados
tiveram penas de açoites, galeras ou desterro por serem estrangeiros.
B) Domingos de Gusmão botou o plano
em prática [quem se negasse a aceitar a fé católica seria
excomungado e entregue à autoridade secular] com a criação da Milícia de
Jesus Cristo, cujos membros estavam dispostos a pegar em armas para defende a
fé.
REFUTAÇÃO: Pelo que lemos, S. Domingos fundou uma espécie
de Ordem religiosa semelhante à dos Templários. Pois bem, a coisa é muito
diferente. Primeiro, fundou conventos femininos para que as mulheres não
caíssem sob o poder dos hereges albigenses. Era o ano 1206. Em 1215 fundou a
primeira Ordem dos Pregadores ou Dominicanos para pregar contra os albigenses.
Amigo de Monfort na cruzada contra os mesmos, desde 1209, não esteve presente
na toma e matança de Beziers. Finalmente fundou em 1220, durante sua pregação
na Lombardia (Itália) o Instituto da
Milícia de Jesus Cristo como terceira Ordem que consistia de homens e mulheres,
vivendo no mundo, para proteger os direitos e as propriedades da Igreja,
ameaçadas pelos cátaros. Nada de milicianos
os primeiros a usar técnicas de crueldade e violência, copiadas depois pela
inquisição moderna, como escreve a historiadora {?} Anita Novinsky. Para
essa data já estavam fundadas as ordens militares dos templários (1118) e dos
Hospitalários (existiam já em 1120) e várias ordens militares na península
ibérica , como a dos Caballeros de
Santiago (1170) e a de Calatrava
(1157). Qual foi a intenção da escritora com um parágrafo que abertamente liga
um santo com o início das Ordens das Cruzadas ?
C) Espiões locais conhecidos como
familiares.
REFUTAÇÃO:No princípio
o século XVI existiam duas classes de familiares: os empregados ou criados dos
inquisidores, oficiais e ministros e os
armados que existiam nas diversas cidades mais importantes. Em todo o reino de
Aragão existiam de 250 a 500, no século XVII, onde a preseça foi mais alta. Se
Henry Kamen fala de que eram os olhos e ouvidos, na realidade, eram os
administradores da justiça inquisitorial, tanto administrativa como policial.
Estes famiiares eram invejados, especialmente por certos privilégios e
peculiarmente porque um familiar era sempre pessoa de sangue limpo. Porém não
estavam livres de alguns inconvenientes: Não podiam entrar na política, nem na
judicatura. Entre os familiares que assistiam ao julgamento , estavam um
teólogo, um doutor em direto, um escrivão, além do bispo local ou seu
representante, assim como alguaziles e, no caso do tormento, um médico. Pelo que respeita a serem espias, a
informação da Inquisição era devida às denúncias. Não se admitiam denúncias
anônimas, e se o denunciante mentia estava sujeito a penas tanto canônicas como
civis bastante rigorosas, que entravam no olho por olho ou lei do Talião.
Efetivamente os denunciantes não eram conhecidos pelo réu, por causa das
vinganças que podiam sobrevir. O réu tinha o direito de anular todos os
testemunhos de pessoas que ele indicasse como inimigos e este critério era
seguido geralmente. Uma idéia de quantos eram os familiares, podemos obtê-la do
assasinato em Avignonet
pelos albigenses: dois dominicanos com os familiares da inquisição, mais de
setenta homens, foram degolados quando
dormiam (1242).
C) O mais famoso inquisidor medieval
foi o teógogo catalão Nicolau Aymerich, autor do Directorium Inquisitorum
REFUTAÇÃO:
Aymerich (1329-1399) foi inquisidor da Igreja Romana um século anterior à
Inquisição Espanhola. Eymerich, religioso catalão, ingressou na ordem dominicana em 1334 e
foi nomeado inquisidor geral de Aragão
[a única inquisição em território espanhol na idade média] em 1356. Mas
foi destituído por seu excessivo rigor contra os albigenses. Reposto no cargo
em 1366 foi desterrado por Juan I de Aragão. Não introduziu, como se afirma, a tortura, pois esta era prática comum a
todos os tribunais da época, e foi introduzida pela inquisição romana ou
pontifícia em 1252, porém o primeiro tribunal para
julgar delitos contra a fé nasceu na Sicília no ano de 1223. A inquisição
adota, pois, a tortura quase 30 anos após sua fundação. Segundo o
Malleus malefactorum a
tortura aplicável era o Strappado [atando os braços por detrás e enganchados a
uma polia o levantavam] com o que se conseguia a elongação dos braços e o
retorcido dos mesmos: seria a tortura mais frequente. Na Inquisição espanhola
usava-se uma outra tortura: o afogamento. Na realidade, cobria-se com um pano
molhado o rosto e vertia-se água no pano de modo a que o réu não pudesse
respirar. A tortura não podia durar mais de meia hora e para isso existia um
relógio de arena. Devemos advertir, sobre as bruxas, que muitos dos processos
eram civis, [talvez 80 %]. O primeiro tratado teológico sobre a bruxaria é o Fornicarius
(1437) do dominicano John Nider (1380-1438). Nele se afirma que um bruxo pode
provocar uma nevada matando um frango preto. Porém em 1484 [final do século XV]
o Papa Inocêncio VIII emitiu a chamada Bula Bruxa que se tornou lei para
toda a Europa e foi a base legal para que a Inquisição pudesse castigar e
exterminar todas as bruxas. A idéia de que o diabo estava como pacto, pelo
menos implícito, nos fatos de bruxaria está em Tomás de Aquino (que fala de
pactos expressos e tácitos), pois sem a ajuda de poderes extra-naturais não se
podem fazer determinados feitos extraordinários. Sobre a pena do fogo: 1224: Introdução da pena capital contra
os hereges: Federico II da Alemanha
decreta que aquele, manifestamente convicto de heresia pelo bispo de sua
diocese, será imediatamente tomado pelas autoridades do lugar e entregue ao
fogo. Desta vez o imperador se adiantava ao Papa. Por isso em 1226 houve queima
de hereges em Rimini e Masserata, então sob o domínio do imperador. Talvez o
mais conhecido inquisidor seja Bernardo Guy (1260-1331), como
inquisidor de Tolosa contra os albigenses sob o comando do Papa Clemente V
entre 1307 e 1323, com 900 sentenças condenatórias em 15 anos, das quais 42
resultaram em penas de morte (pouco mais de 4%, cifra bem mais alta que o 1,2
ou 1,9 da Inquisição espanhola) O seu
livro , Practica Inquisitionis Heretice Pravitatis [Conduta sobre a
inquisição da pravidade herética ] que trata também sobre os judeus, os
feiticeiros e os que invocam os demônios foi fundamental. O trabalho de
Aymerich foi, ao contrário, dirigido especialmente a combater o Lulismo, os
seguidores de Ramon Llull. Aymerich só foi nomeado Inquisidor General de Aragão.
Dele se escreveu um epitáfio que dizia praedicator veridicus, inquisitor
intrepidus, doctor egregiu [pregador
autêntico, inquisidor intrépido, doutor egrégio].
F) ENTRE MORTOS E FERIDOS (31 912)
REFUTAÇÃO: Deixamos outras afirmações e vamos a um
quadro em que as vítimas são dadas sob os levantamentos de dois historiadores:
Antõnio Llorente (?) e Cecil Roth. Hoje sabe-se que as cifras de Llorente estão
manipuladas e são enormemente exageradas. Um exemplo: nos autos de fé em Toledo, nos
dias 12 de fevereiro, 1 de maio e 1 de dezembro, do ano de 1486, Lorente conta
como, respectivamente, condenados e entregues ao braço secular, 700, 900, 750.
Ora, o fato é que não houve nem uma só vítima; pois eram simplesmente culpados,
mas nenhum deles foi supliciado. Depois de escrever a sua história em 4
volumes, Llorente teve o cuidado de queimar a maior parte dos documentos
relativos à Inquisição, os quais o poderiam, sem dúvida, ter convencido de
caluniador. Respondeu-lhe José de Maistre pelas suas Lettres à un
gentilhomme russe: A obra escrita por
este lastimoso escritor é o como evangelho a que recorrem todos os adversários
da Inquisição. Nele, ao menos, deviam ver como os cárceres do Santo Ofício e o
seu sistema de impor as penas revelam preocupações humanas e indulgentes,
desconhecidas para todos os governos e em todos os tribunais civis daquele
tempo. Vamos dar os dados mais
modernos: No primeiro período de 1480 a
1530 a Inquisição foi extremamente ativa: Henry Kamen estima em perto de 2 mil
executados sendo, a maioria, conversos do judaísmo. È o período mais escuro por
falta de documentos. Sabemos com certeza os números de todas as causas desde
1560 até 1700. Este material proporciona informação de 49.092 julgamentos,
estudados por Henninsen e Jaime Contreras no Congresso de Copenhague de 1978,
em 19 tribunais de distrito. Desse total os judaizante foram 5.007, os
moriscos 11.311, os luteranos 3499, os alumbrados 149, por bruxaria 3750, por
proposições heréticas 14.319, bígamos 2.700, solicitantes 1.241 por ofensas
contra o tribunal da Inquisição 3.954 e outros motivos 2.575. As condenas à morte [relaxados] eram na
proporção de 1,9% dos encausados. Ou seja um total de 932 relaxados. No século
18 só houve um relaxado na América Latina. Modernos cálculos estimam um mínimo
de 125 mil processos e um máximo de 200 mil, que contrastam com a de 45-70 mil
da Inquisiçao romana e 56 mil da Portuguesa. Sendo este último tribunal o mais
duro e o romano o menos duro dentre eles. Pelo que respeita aos protestantes, sabemos que só
220 foram queimados na fogueira. Calcula-se que só uma dúzia de nativos
da Espanha foi queimada por Luteranismo [protestantismo] embora 200 enfrentaram
o tribunal. Sobre as vítmas fatais, os modernos dão como
cifras entre 3 e 5 mil, a maioría deles [2 mil] judeu-conversos nos primeiros
70 anos do tribunal. São os chamados marranos que, na realidade, deveriam ser
chamados mar-anás [amargamente
forçados] os cripto-judeus dos cristãos, a cujos filhos, os judeus da época
chamaram de Bnei Anusssim [filhos
dos forçados]. Comparemos com os 341 021 condenados e 31 912 queimados de
Llorente, que dá um 9.35 % de queimados ou quase dez vezes mais das estimativas
modernas. O mesmo Llorente escreve : Calcular o número de vítimas da
Inquisição é o mesmo que demostrar praticamente uma das causas mais poderosas e
eficaces da despovoação da Espanha. (veremos isto no fim do artigo). Mas
Lea, o autor de History of the Inquisition of Spain considerou estas
cifras, que Llorente não teve documentos para as avaliar, como muito
exageradas. Como juizo final, deixemos falar os histriadores: A Inquisição
espanhola não foi diferente das outras inquisições [incluindo as protestantes ]
da sua época, até a paz de Westfalia (1648), sendo que, no caso das bruxas, foi
enormemente mais indulgente que os trubunais das regiões protestantes. Depois
da paz de Westfália as penas de morte quase foram inexistentes até o século 19
em cujo início foi dissolvida. Na Inglaterra, segundo Henry Kamen, foram mortos
4 vezes mais católicos pelos protestantes do que protesantes pela inquisição
espanhola. Um exemplo: Henrique VIII condenou ao cadafalso 2 cardeais, vinte
bispos, mais de 500 abades e monjas e multidão de doutores, nobres e
funcionários da Coroa. No total se calculam perto de 60 mil os católicoas
mortos, torturados ou encarcerados. Isabel I, a cabeça da Igreja Anglicana,
ordenou ferozes matanças na Irlanda e levou ao suplício e à forca mais de 40
mil dissidentes religiosos. Esta sanguinária
mulher, assegura o protestante Guilherme Cobett, mais gente matou num só ano do
que a Inquisição durante todo o tempo da sua existência. Em 1560 o Parlamento escocês decretou a pena
de morte contra todos os católicos. De Genebra, Calvino enviava à Inglaterra mensagens com
as quais incitava ao extermínio: Quem não
quer matar papistas é um traidor: salva o lobo e deixa inermes as ovelhas. As
comuniddes calvinistas de Paris, Orleans , Ruen e Lyon, a finais do século XVI,
decretaram a pena de morte aos hereges. So´na guerra contra os católicos, os
huguenotes em 1562 mataram 4 mil religiosos e devastaram 20 mil igrejas. Em
1566, nos Países Baixos, foram arrasados, em cinco dias, mais de 400 conventos
e igrejas. Calvino entre 1542 e 1546 interveio pessoalmente na execução de 58
condenados. Felipe II
reconhecía que os Países Baixos já tinham uma inquisição própria mais
despiedada do que a de aquí: os tribunais de Amberes executaram entre 1557 e 1562 a
103 hereges, mais dos que morreram em toda Espanha nese período. Em Nuremberg, uma das cidades
mais cultas da Alemanha, morreram no espaço de 40 anos (1577-1617) 356 pessoas
no cadafalso, dentre as 55.000 almas de que se compunha o distrito judicial: a
Inquisição espanhola, proporcionalmente falando, teria supliciado 55.960
desventurados nesse mesmo espaço de tempo. Em Nordlingen, que contava 6.000
habitantes, morreram em 4 anos (1590-1594) trinta e cinco feiticeiros.
Guardando-se a proporção, isto daria um total de mais de 11.000 vítimas das
quais exageradamente, segundo Llorente, mandou supliciar, para toda a sorte de
crimes, durante todo o tempo da sua existência, a Inquisição espanhola. A
perseguição sanguinolenta foi o meio empregado pelos príncipes luteranos para
arrancar os povos da Igreja. A intolerância de Lutero contra os camponeses
alemães produziu milhares de vítimas. E contudo, é só contra a Igreja Católica
que se ouvem palavras de censura e de incriminação. E chamam de excepcionais
sobre todos os outros rigores os empregados pela inquisição da Espanha! Para não falar dos países nórdicos. Basta o
dado de que na Suécia a liberdade religiosa só seria garantida em 1951. AS ÚLTIMAS ESTIMATIVAS :Segundo os
estudos realizados por Henningsen e Contreras, sobre as 44.674 causas entre os
anos 1540 e 1700 foram queimados na fogueira 1346 pessoas [menos de 9 por ano ]
no império dos áustrias. O britânico Henry Kamen, conhecido estudioso não
católico da Inquisição espanhola, calculou um total de 3.000 vítimas ao longo
de seus 3 séculos de existência. Kamen diz que resulta interessante comparar as
estatísticas sobre as condenas de morte dos tribunais civis e inquisitoriais
entre os séculos XV e XVIII na Europa: para cada cem penas de morte dos
tribunais ordinários, a Inquisição emitiu uma. No terceiro período, na
primeira metade do século XVIII, 111 foram condenados a serem queimados em
pessoa e 117 em efígie, pela maior parte judaizantes. E durante os reinados de
Carlos III e IV só 4 foram condenados à morte.
H) OS TORMENTOS.
REFUTAÇÃO: Das três figuras que vemos, duas são mulheres e
completamente nuas. Pois bem, nem uma nem outra são verdades que se ajustem à
realidade. Como sabemos, as mulheres
estavam em minoria e além disso sempre estavam vestidas com roupas interiores.
Felizmente o autor não reproduz os trríveis instrumentos que os adventistas
descobrem em seus vídeos. Os tormentos
só foram aplicados em 10 % dos acusados. A lei recortava a só ½ hora o tempo no
tormento. Henry
Charles Lea, um historiador protestante, norte-americano que em 1870 começou a
recolher material para suas obras, parte do fato histórico, fora da fantasia.
Lea é dos primeiros escritores protestantes em reconhecer que a crença de
que as torturas usadas pela Inquisição da Espanha foram excepcionalmente
cruéis, é devido aos escritores sensacionalistas [sic] que tem abusado da
credulidade de seus leitores [...] O sistema era mau, mas a Inquisição
espanhola não foi responsável de sua introdução e, em gera, foi menos cruel que
os tribunais seculares ao aplicá-lo, limitando-se estritamente a alguns métodos
conhecidos. A comparação entre as inquisições espanhola e romana resulta
favorável à primeira. Quais eram
estes métodos? Nem o derramamento de sangue nem o fogo podiam ser empregados.
Assim reduziam-se a três métodos essenciais: Basicamente eram dois os métodos:
a garrucha [polia] e a toca [afogamento]. Mais tarde , se assimilou o
método francês do potro [cavalete]. A garrucha era a polia com a qual o réu era alçado pelos braços,
atados à espalda, e assim o mantiam pela reza de um Miserere. E então o
deixavam cair de golpe sem tocar o chão. O afogamento
por água [toca] era o mais usado. Cobriam com um pano o rosto, ao
qual lançavam água com uma jarra que impregnando a tela impedia a respiração.
Inicialmente abriam a boca com um elemento de ferro chamado bostezo, com
o qual o réu absorvia a água até quatro jarras comumente. E o potro [cavalete] introduzido no século
XVII consistia em aplicar torniquetes em munhecas, tornozelos e braços. O
máximo de giros que se permitia era de seis ou sete. A roda não foi usada na
Espanha, como aparentemente indica a revista na primeira gravura. O Santo Ofício utilizou, de fato, com menor frequência o
tormento que outros tribunais coetâneos (era ordinário usá-la em todos). Historiadores
como Lea e Kamen confirmam com estatísiticas que em épocas duras [até 1530] em
tribunais muito ativos o tormento foi utilizado unicamente em 1 ou 2 % dos
casos. E a confissão sob totura só era válida se ratificada mais tarde pelo
réu. Não vamos seguir com outras questões. Bastam estas para não difamar um
tribunal que foi, na sua época, o mais humano e que tinha como objeto a
misericórdia antes do que a justiça. Quem confessasse e se arrependesse jamais
seria condenado à última pena mas absolvido de
leve ou de vehemete. Coisa que
nunca admitiriam os tribunais civis em época alguma.
CONCLUSÕES
QUE TIVESSE SUCEDIDO CASO NÃO
TIVESE EXISTIDO A INQUISIÇÃO?
A)
Sua existência foi Positiva:
Dois exemplos: 1) Os
progroms [massacres] na Espanha: Entre
3 e 5 mil judeus foram massacrados em 1391 em Sevilla. Mais que todos os
marranos em 300 anos em toda a Espanha. E anteriormente em 1301, 4 mil judeus
foram assassinados na mesma cidade. Estes progrons foram repeidos em Córdobas,
Toledo, Burgos, Barcelona, Valência. Em Barcelona e Valência as aljamas
[guetos judios] foram totalmente aniquiladas. Em 1467 em Toledo foram queimadas
1600 casas de judeus. Por exemplo, e como contraste: no primeiro auto de fé em
Valladolid Junho de 1488, 18 pessoas que tinham confessado seu judaísmo, foram
queimadas. Em Portugal: Em Lisboa, descobriu-se em abril de 1506 que alguns
conversos tinham ovelhas e galhinas para preparar a Páscoa. A matança foi
terrível: mais de 500 conversos foram mortos de imediato e nos dias seguintes
até 2mil ou segundo outros 4 mil. A causa principal eram os altos juros, até
33% que os cristãos tinham que pagar e por isso se eliminaram os documentos e
letras ou promissórias. Pelo contrário:
Já no primeiro auto de fé de 1543, na mesma cidade, houve 84 penitenciados dos
quais só 6 foram queimados em pessoa [21
em efígie] e 15 sentenciados a cadeia perpétua. 13 receberam penas de um ano e
10 anos. Como vemos, pelo menos a Inquisição pôs uma certa ordem em seus
julgamentos e penalidades e provavelmente impediu maiores massacres.
2) A bruxaria: A
inquisição, com umas poucas mortes, 300 (8, 1 milhões) 0,037 por mil, impediu a caça de bruxas que se deu em toda a Europa e cujas vítimas
se calculam em mais de 60 mil.
Comparemos os dados com os que nos dizem os historiadores sobre o resto
da Europa contemporânea: 1484: Nesse ano, -afirma Kurtz- mataram-se na Europa
300 (?) mil bruxas. Sendo que a população da Europa tinha 80 milhões de
habitantes e a maior cidade, Paris, 80 mil habitantes. Na Grenoble católica, o poder
civil preferentemente ente os anos 1428-47 [antes do Malleus] condenou à
morte 167 pessoas. Na Saxônia protestante, num só dia, de 1580 se queimaram 133
bruxas. No pequeno cantão protestante suíço de Vaud em 10 anos mataram 311
bruxos. Na Baviera 2000, entre os anos 1500 a 1756. Um só perseguidor de bruxas
na Alemanha teve sob sua consciência a morte de 900 pessoas. Um juiz francês
[poder civil] se gabava de ter queimado 800 mulheres em 16 anos de magistratura.
Queimaram-se 600 durante a administração de um bispo protestante em Bamberg
(Alemanha). Na Genebra protestante de Calvino foram queimadas 500 pessoas num
só ano de 1515. Como vemos, a Inquisição foi um verdadeiro presente para tais
mulheres.
3) As gueras de religião que
culminarm com a guerra dos trinta anos que assolou o centro europeu,
especialmente a Alemania, cuja população só no século XIX chegou a ser igualada
após sofrer uma queda de 20% e nalgumas regiões até 50 %. Não houve uma só
batalha dentro dos territórios ibéricos.
B) Influência negativa da Institução:
A
inquisição contribuiu ao atraso cultural e científico da Espanha: Kamen não
nega que a Espanha permanecesse alheia às correntes intelectuais europeas no
início da Época Moderna. Mas a causa da falta de liberdade interior no país,
não foi a Inquisição. Atribui- se à expulsão dos judeus, 100 mil, numa
população de 10 milhões [0,1%] o que é ridículoo, ou dos moriscos, 300 mil [0.3
%]. Se bem que estes, situados no território de Aragão podiam supor em alguns
lugares 30 ou 50 % da população local. As causas foram principalmente as
guerras de sucessão borbônicas e de independência contra Napoleão e as civis do
século XIX. Não esqueçamos que o século de ouro das letras e das artes hispanas
foi precisamente o compreendido pelos primeiros austrias desde 1559 ate 1650.
C)
MODERNAMENTE:
A Espanha foi o único país que,
diplomaticamente, salvou alguns milhares de judeus durante a perseguição
nazista, tanto ao protegê-los como sefardies, ou seja como de nacionalidade
espanhola, quanto ao abrir suas fronteiras aos fugitivos. A Santa Sé, protegeu
os judeus diplomaticamente por meio do seu delegado apostólico na Turquia e
Grécia, Ângelo Roncalli, logo papa João XXIII, e ofereceu conventos e casas para
abrigar os judeus italianos.
UMA PALAVRA FINAL: Para se ter uma idéia de como pensavam , por exemplo, os europeus sobre
o tormento, na Bélgica, em finais do século XVIII, os conselheiros votaram
unanimamente pelo uso do tormento nos tribunais civis. Uso que os tribunais
ecleiásticos foram os primeiros em suprimir. Contrarimente ao que se diz, na
época de Torquemada, o tormerto interrogatório quase não foi utilizado. Foi a
partir do segundo terço do século XVI quando se aplicou com maior frequência em
um 6 a um 9% dos acusados. E foi precisamente no tempode Torquemada quando o
tormento foi foi menos usado. No século XVII diminuiu seu emprego e no século
XVIII quase desapareceu. A última vítima da Inquisição foi o professor Cayetano
Ripoll morto no garrote vil em Valência em Julho de 1826.
NOTAS:
Foram consultados os libros: Historia de la Inquisición em España y América
(três volumens da BAC). Inquisición , Historia
Crítica de Ricardo García Cárcel . Artigo La inquisición de Historia y
Vida e outros escritos em revistas e artigos especializados.
Estella For
a long time, French and Jewish settlers lived in constant rivalry with the
native townspeople. The appalling massacre of 1328 was the first
of many cruel blows inflicted on the town.
Lesser Known Highlights of Jewish International Relations In The Common Era (an
Abbreviated sampling)
|
DATE |
PLACE |
EVENT |
|
|
||
|
|
||
|
250 C.E. |
Canhage |
Expulsion |
|
|
||
|
224 C.E. |
Italy |
Forced
Conversion |
|
|
||
|
325 C.E. |
Jerusalem |
Expulsion
|
|
|
||
|
351 C.E |
Persia |
Book
Burning |
|
|
||
|
357 C.E. |
Italy |
Property
Confiscation |
|
|
||
|
379 C.E. |
Milan |
Synagogue
Burning |
|
|
||
|
415 C.E. |
Alexandria |
Expulsion
|
|
|
||
|
418 C.E. |
Minorca |
Forced
Conversion |
|
|
||
|
469 C.E. |
Ipahan |
Holocaust
|
|
|
||
|
489 C.E. |
Antioch |
Synagogue
Burning |
|
|
||
|
506 C.E. |
Daphne |
Synagogue
Burning |
|
|
||
|
519 C.E. |
Ravenna |
Synagogue
Burning |
|
|
||
|
554 C.E. |
Diocese of Clement (France) |
Expulsion
|
|
|
||
|
561 C.E. |
Diocese of Uzes (France) |
Expulsion
|
|
|
||
|
582 C.E |
Merovingia |
Forced
Conversion |
|
|
||
|
612 C.E. |
Visigoth Spain |
Expulsion
|
|
|
||
|
628 C.E. |
Byzantium |
Forced
Conversion |
|
|
||
|
629 C.E. |
Merovingia |
Forced
Conversion |
|
|
||
|
633 C.E. |
Toledo |
Forced
Conversion |
|
|
||
|
638 C.E. |
Toledo |
Stake
Burnings |
|
|
||
|
642 C.E. |
Visigothic Empire |
Expulsion
|
|
|
||
|
653 C.E. |
Toledo |
Expulsion
|
|
|
||
|
681 C.E. |
Spain |
Forced
Conversion |
|
|
||
|
693 C.E. |
Toledo |
Jews
Enslaved |
|
|
||
|
722 C.E. |
Byzantium |
Judaism
Outlawed |
|
|
||
|
855 C.E. |
Italy |
Expulsion
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