AS
CRUZADAS ESQUECIDAS (Parte VII)
ALGUNS
FATOS INTERESSANTES DA HISTÓRIA RELIGIOSA DA PENÍNSULA IBÉRICA NOS SÉCULOS XI E
XII
(Pe. Ignácio)
A) A ROMANIZAÇÃO
DA IGREJA HISPANA
INTRODUÇÃO: Tenho escrito vários artigos sobre as
Cruzadas na Península Ibérica. Nestes últimos dias recebi a notícia da
impressão de um livro intitulado As
guerras de Deus de Christofer Tyerman
em que considera como verdadeiras Cruzadas as empreendidas contra os mouros em
Espanha e Portugal, assim como as duas defesas de Viena e a batalha de Lepanto em 1571 com a qual termina a intervenção da Santa
Sê em guerras religiosas contra infiéis. O mais importante do autor
norte-americano é sua afirmação de que a causa principal das guerras entre a
cruz e a meia lua era religiosa. Vejamos os fatos.
1070.- (aprox.)
Introdução da Reforma Cluniacense na Península.
1068.-
Sancho Ramírez viaja a Roma para consolidar o jovem Reino de Aragão
oferecendo-se em vasalagem ao Papa.
Este vínculo está documentado incluso na quantidade do tributo de 600 marcos de
ouro por ano que devia pagar ao Estado Pontifício o Reino de Aragão. O rei de Navarra, Sancho Garcés, primo de Sancho Ramírez, foi assassinado
por seu próprio irmão Ramón, que numa caçada o precipitou duma elevada rocha. Os
navarros, não querendo ser governados pelo
fratricida, escolheram por seu rei a Sancho Ramírez, que incorporou a corona de
Pamplona à de Aragão. De 1076 até a morte de Alfonso I em 1134.
1071.=
Durante o reinado de Sancho Ramírez celebra-se, em Jaca, um concílio presidido pelo arcebispo de Auch,
[perto de Tolouse no midi dos Pirineus] com nove
bispos assistentes entre eles o de Calahorra [Rioja]. A consequência foi o
estabelecimento do rito romano ou dos monges de Clúnia,
em substituição do rito mozárabe ou visigótico. O
rito cluniacense romano se inaugurou com uma missa em
S João de la Peña.
Introduziu-se, pois, o rito romano em diversos mosteiros sob a jurisdição do
rei de Pamplona-Aragão. A que podemos chamar de beneditinização
ou europeização da península cristã se cumpre neste século XI. Mas antes tinha
havido uma introdução dos santos franceses através de Navarra:
S. Firmino, bispo de Amiens que dizem pregou o
cristianismo em Navarra, mas que, na realidade, era
bispo de Amiens perto da fronteira belga; e foi nessa
cidade francesa decapitado pela fé. S Martins de Turones
e seu culto relegam a segundo termo o autóctone S Millán
de la Cogolla, de modo que
o culto do santo foi relegado ao mosteiro de Yuso [acima]
onde foram trasladadas as relíquias de S Millán por
encargo de Sancho o Maior em cujo séqüito estava o arcebispo de Auch entre outros.
Enquanto no de Suso [embaixo], o culto principal era
o de Nossa Senhora a grande devoção dos cluniacenses.
1075 Quando as
peregrinações atingiram seu auge,o rei Afonso VI iniciou a construção da
catedral românica de Santiago de Compostela, sobre
restos de edifícios anteriores. e sob as ordens do
mestre francês Bernard le Vieux.
1080 — Concílio de Burgos: substituição do rito moçárabe pelo romano.
Alfonso VI declarou oficialmente a abolição da liturgia hispânica e a
substituição da mesma pela romana. Como a oposição do clero e do povo a esta
inovação foi grande, Alfonso celebrou dois atos simbólicos: um torneio em que
dois cavaleiros defendiam o rito hispânico e o romano respectivamente, que
concluiu com a vitória do primeiro e um juízo de ordalia
[juízo de Deus]. Em que foram submetidos ao fogo, dois rituais da missa: um
hispânico e outro romano. As crônicas dizem que o missal hispânico não se
queimava e que o próprio Alfonso, a pontapés, o lançou nas chamas declarando
assim o rito romano como vencedor. Deste fato existe um provérbio que dizia: lá van las leyes, do quieran los reyes [lá se formam leis
como querem os reis] . Este mesmo rei,
segundo diz a crônica, avó do Imperador
[Alfonso VII], por instâncias de sua mulher que era borgonhesa, entrou violentamente
na igreja de Nájera de Santa Maria e expulsou os
cônegos e colocou em seu lugar monges cluniacenses. Afonso
VI de Leão e Castela impõe, pois, o rito romano a todo seu reino. Bernardo de Sédirac chega a Castela como abade de Sahagún.
1085 —
Afonso VI de Leão e Castela reconquista Toledo, após um ano de sítio. Nesta
conquista volta a ser projetada a sobrevivência do rito hispânico já que a
população mozárabe negava-se a abandoná-lo. Como
conseqüência do pacto de conquista, seis paróquias toledanas
obtiveram permissão para conservar a antiga liturgia e, por compensação, o Papa,
com a aquiescência do Imperador das
gentes das duas religiões, nomeou como arcebispo de Toledo o cluniacense D. Bernardo. O rito hispânico se manteve, a
partir desta data, somente nas comunidades cristãs sob domínio muçulmano [os mozárabes], embora com progressiva decadência. Durante o
processo conquistador, tanto castelhano como aragonês, uma das cláusulas sempre
presentes nos pactos de trégua ou rendição era a renúncia do clero e do povo mozárabe ao uso da liturgia visigótica pelo que os usos
antigos vão desaparecendo quando os diversos territórios são incorporados aos
reinos cristãos. Somente houve uma exceção na cidade de Córdoba, reconquistada
por S Fernando III no século XIII. Porém a emigração dos mozárabes
ao norte e a repovoamento subseqüente com castelhanos mesetários,
fez com que o rito visigótico não sobrevivesse mais de 50 anos após a
conquista. Morte do papa Gregório VII. Afonso VI de Leão e Castela funda o
centro de Logroño, transformando uma pequena vila
rústica em cidade, onde se estabeleceu em
1095 a fórmula jurídica da franquitas [daí os francos, diferentes dos franceses, [francigeni]]. A franquita era a união do aspecto positivo da libertas [homens livres para se mover e
viver sem vassalagem] e do negativo da ingenuitas [livres mas sujeitos a um senhor, que seriam
chamados em espanhol de villanos, com o significado
de servo da terra]. O foro de Logroño, um dos
primeiros como tal, permite trocar o estatuto social dos primitivos villanos no mais beneficente de franquitas ou francos. Os villanos
se transformaram em livres, francos,
mas ignobiles
[não nobres].
B) OUTROS FATOS INTERESSANTES NO SÉCULO XI
SOBRE A CRUZADA
1063,- Pré-Cruzada de Barbastro:
O papa Alexandre II (1061-1063) encoraja
a guerra santa na Península Ibérica, após assassinato de Ramiro I de
Aragão. Pré-Cruzada"de Barbastro contra o Islã
espanhol. Primeira Cruzada na Espanha pregada por Alexandre II. Os Muçulmanos
ameaçam os vales dos Pirineus centrais. Guilherme de Poitiers
(comanda os franceses), Guilherme de Mon treuil (gonfaloneiro do papa, dirige
italianos). Robert Crespin dirige um dos bandos de
aventureiros normandos. Gui-Geoffroi, duque de Aquitânia e Gasconha, comanda uma
das duas colunas cristãs, que atravessa os Pirineus pela rota de Somport. Guillaume de Montreuil comanda outra coluna por passo mais a leste. Os
Sarracenos recuam para a planície do rio Cinca. Se fala de Pré-Cruzada porque
as indulgências e privilégios das cruzadas não foram claramente outorgados.
1066 —
Insurreição popular em Granada. Progroom [revolta contra os judeus]: o ministro judeu Jossef ibn Nagrela
é crucificado por uma multidão enraivecida e grande número de judeus são
assassinados. Os sobreviventes deixam Granada por um bom tempo. O papa
Alexandre II felicita o conde Raimundo Berengário I
de Barcelona por sua sabedoria em preservar da morte os judeus em seus
territórios.
1073,-Gregório VII tenta em 1073 trata convocar
uma cruzada na Espanha nas terras
doadas a Santa Sé por Sancho Ramires. O conde de Roucy,
Ebles III, cunhado do rei de Aragão cruza a fronteira
e entra na Espanha. O papa aplaude.
1076 —
Desaparição do reino de Navarra, com sua repartição
entre Castela e Aragão até o ano da morte de Afonso I de Aragão, o Batalhador
(1134).
1081 — O
papa Gregório VII (1073-1085) pede a Afonso VI de Leão e Castela para não
deixar os judeus dominar, em suas terras, os cristãos e exercer seu poder sobre
eles.
1086 — Batalha de Segrajas: Afonso VI, rei de Leão e Castela, é derrotado
pelos almorávidas, liderados por Iusuf
ibn Tashfin (Ver mapa).
Afonso VI, atribuindo ao "debilitante" uso dos banhos públicos a
derrota de seu exército em Segrajas ou Zalaca, manda destruí-los. A grande mesquita toledana torna-se catedral, consagrada por Bernardo de Sauvetat, cluniacense, arcebispo
de Toledo (1086-1125).
1087 — Uma segunda cruzada na Península, liderada por Raimundo de
Saint-Gilles, conde de Toulouse e Eudes I, duque da
Borgonha.
1088-1099
— Papado de Urbano II, francês.
1094.-El Cid
conquista Valência. Alfonso o Bravo, casa sua filha natural Teresa com Henrique
de Borgonha, recebendo como dote o condado de Portugal.
1095
Pregação da Cruzada em Clermont pelo papa Urbano II
contra os Seljúcidas da Palestina.No ano seguinte manda voltar os espanhóis que
queriam participar dessa cruzada.
C) SÉCULO XII: PREPARA,ÇÃO DA GRANDE
CRUZADA HISPANA
1107.-Primeira
corrida de touros; realiza-se em Ávila para festejar cerimônia nupcial de
Alfonso I de Aragão Urraca
de Castela.
1108.-BATALHA DE UCLÉS: Um grande exército almorávide avança em direção a Toledo. No caminho assaltam
a cidade de Uclés que arrasam com a ajuda dos mudéjares residentes. Afonso VI organiza um exército mas
que ele não pode dirigir porque uma ferida lhe impede montar a cavalo. Deixa a
liderança a Alvar Fañez a
quem acompanha o filho único varão do rei, o príncipe Sancho junto com seu aio,
o conde Garcia Ordoñez e mais sete condes. Um total de 3500 homens. A cavalaria cristã
se interna facilmente na vanguarda muçulmana como uma faca corta a manteiga. Mas
a cavalaria muçulmana rodeia o exército cristão e enfrenta a infantaria pondo em
fuga o batalhão judeu e envolvendo a cavalaria de Alvar
Fañez. A situação é dramática e os sete condes só
pensam na vida do príncipe Sancho. Dada a ordem de retirada, os mouros derrotam
e rematam os cristãos caídos. São cerca de 3 mil cabeças com as quais se forma
um monte e sobre o qual o imã sobe para dar graças a Alá pela vitória. Alvar Fáñez escapa com os restos
de sua dizimada cavalaria. Os condes chegam até a próxima fortaleza de Belinchón, mas a população muçulmana se rebela e termina assassinando
a todos junto ao jovem príncipe. Eis um relato digno de se ler. É o diálogo
entre o príncipe Sancho e seu aio Garcia Ordóñez. Aio, Aio, tem ferido o cavalo que monto.
Responde o conde: Não te movas porque se
não te ferirão a ti. No mesmo instante o cavalo ferido cai e arrasta o
príncipe. O conde ali mesmo desce do cavalo e com seu escudo defende o infante.
Ao perder uma perna de um talho, cai sobre o menino cobrindo com seu corpo o
infante e morre antes deste. Ao ser notificado o rei da morte de seu filho
exclama: Ay meu filio, ay meu
filio! Lume dos meus ollos, solaz
de miña vellez; ay meu heredero maior! Caballeros, hu me lo dejastes? Vemos como o
castelhano da época é bastante similar ao português. Não é necessária a
tradução.
1109-1126 — Na morte de Afonso sem
herdeiro masculino reina sua filha Urraca, de Leão e Castela (filha de Afonso VI). Foi a
primeira reina de Castela e Leão e o seu reinado não foi de boa memória.
Revoltas durante seu reinado e um matrimônio desastroso com Afonso I, o
Batalhador, rei de Navarra e Aragão, dominam seu
reinado até tal ponto que, desnuda, é lançada num lodaçal e que Afonso a
esbofeteia nas discussões familiares. Urraca encontra em Afonso um marido que não se
desprende da cota de malha para dormir e que gosta mais dos homens de armas que
das mulheres. O Papa anula o matrimônio em 1114.
1118 .- O
Concílio de Toulouse (França) oferece
os benefícios da Cruzada aos que
ajudem à conquista de Saragoça. Numerosos senhores
franceses concentrados em Ayerbe (Huesca,
Espanha) e ajudam a Alfonso I o Batalhador, rei de Navarra
e Aragão, a tomar Saragoça,
que se torna capital do reino aragonês.
1125-1126
— Afonso I, o Batalhador, rei de Navarra e Aragão,
realiza uma expedição a Andaluzia,
trazendo em seu regresso a Aragão um importante contingente de moçárabes, dez mil. A linguagem dos mesmos era o
ladino [do latino, latim, depois
designou a língua dos judeus expulsos em 1492] ou romaji
[este segundo os mouros]
1126
—Ali ben Yusuf deporta
milhares de moçárabes para a África, sob o pretexto
de haverem colaborado com Afonso I de Aragão.
1126-1157 — Reinado de Afonso VII, o Imperador, de Leão e
Castela.
1129.-Ano em que os
templários chegam a Espanha.
1132.-Expansão da
ordem Cisterciense: fundação do mosteiro de Moreruela
(perto de Zamora), primeiro da ordem na Espanha. Primeiro combate dos Templários: nâo foi na Palestina, mas na Espanha. Roberto,o Senegalês, e
Hugo Rigaud vencem em
Granyena (Lérida). O
primeiro combate dos templários na Palestina foi no ano 1138 em Tekoa (norte de Jerusalém).
1134 —
Morte de Afonso I, o Batalhador, de Navarra e Aragão:
restauração do reino de Navarra. Em seu testamento,
Afonso I, o Batalhador, que não deixou herdeiros, doou seu reino às ordens do
Templo e do Hospital. Concílio de Tarragona, em
Aragão: nenhum sarraceno pode abraçar o judaísmo e nenhum judeu pode tornar-se
sarraceno.
1134-1137 — Reinado de Ramiro II, o Monge, de Aragão (irmão de
Afonso I, o Batalhador, de Navarra e Aragão). É
famoso pela campana de Huesca.
1135.-Coroação de Afonso VII, rei de Castela, em Burgos, como imperador. Assistiram todos os reis da península e até reis árabes
amigos, prometendo vassalagem.
1140-1217
— Oito frotas de cruzados do Mar do Norte ou do Canal da Mancha são retidas
pelos portugueses e convencidas a guerrear os mouros na Península. Uma
considerável armada de cruzados
devasta os arredores de Lisboa.
1143.-Afonso VII, o Imperador, de Castela, reconhece o novo reino de Portugal. É oficialmente o nascimento do
reino. Afonso I de Portugal coloca o reino sob a proteção (vassalagem) da Santa
Sé.
1147 —
Afonso I de Portugal reconquista (com a
ajuda dos cruzados) Lisboa; primeira entrada dos templários nos exércitos
do rei português.
Alfonso VII se apodera de Calatrava, o centro mais
importante da zona do Guadiana oriental. Uma expedição, comandada pelo
arcebispo de Toledo, chegou até a região de Sevilla e
provocou a ira de de Yusuf
II que organizou seu exército e o dirigiu até as proximidades de Alarcos.
1149 .-
Raimundo Berenguer IV de Aragão toma Lérida e Fraga. A partir desta data,
os combates decisivos eram travados, do lado cristão, pelas ordens militares, e
do lado muçulmano, pelos cavaleiros voluntários dos ribat,
que faziam da guerra santa um ato de piedade.
1155 —
Bispos portugueses tomam parte no concílio
de Valhadolid, no qual o cardeal legado Jacinto promulga uma expedição contra os mouros
e concede indulgências.
1157 —
Criação da Ordem religioso-militar de Calatrava que será a encarregada de repovoar e defender essas
terras. Morte de Afonso VII, o Imperador, de Castela
em Fresneda: separação dos reinos de Castela e Leão.
O califa Abd al-Mumin
colocou seu filho Abu Yaqub Yusuf
como governador de Sevilha, e este suprimiu por completo a autonomia dos reinos
de taifas. O único a resistir foi o de Múrcia (até 1172).
1158-1214 — Reinado de Afonso VIII, o Nobre, de Castela, filho
de Sancho III de Castela.
1160 — (?) Fundação
da Ordem de Santiago(de Cáceres, de Uclés ou espatários por ser seu
símbolo uma espada em forma de cruz). Antes de ser
instituída formalmente por Afonso VIII,
já o seu tio Fernando II de Leão
lhes havia concedido a guarda da cidade de Cáceres, na Extremadura.
Daí o nome. Os membros faziam votos de pobreza e de obediência, seguindo a
regra de Santo Agostinho
ao invés da de Cister, e não eram obrigados ao voto de
castidade, pois podiam contrair matrimônio (alguns dos seus fundadores eram
casados). No entanto, a bula papal de Alexandre III recomendava (não obrigava)
o celibato.
1170.-Os almóadas transferiram a sua capital para Sevilha, onde fundaram a grande mesquita,
posteriormente convertida em catedral cristã. Foi durante este período que
ressurgiram os estudos filosóficos com Averróis e Ibn Tufail. Sevilla, pois, se converteu
na capital hispana do reino Almohade.
Seus califas adotaram o nome de Amir-ul-Muslimim (o Miramamolin das crônicas cristãs). Unificado al-Andalus, os almohades atacaram
os reinos cristãos.
1175 —
(?) Afonso I de Portugal funda a Ordem
de Évora, milícia portuguesa.
1179 —
Reconhecimento da independência de Portugal pelo papa Alexandre III (bula Manifestis probatum) Tratado de Cazorla entre Afonso VIII, o Nobre, de Castela e Afonso II
de Aragão (repartição de terras a conquistar em território muçulmano, excluindo
qualquer vassalagem entre eles). Afonso o Nobre, começou a invadir Ibida (hoje condado de Treviño) e
Álava e combateu durante um largo assédio Vitória. No
entanto, Sancho, rei de Navarra, abandona o reino e
vai às terras de árabes com seus magnatas. O Bispo de Pamplona, junto com um
dos sitiados de Vitória, pede ao rei Sancho licença para entregar Vitória e seu
castelo, assim como o rei castelhano, Afonso o nobre, consegue Álava e Guipúzcoa.
1194-1234 — Reinado de Sancho VI, o Forte, de Navarra
.
1195 —
Derrota de Afonso VIII, o Imperador, de Castela frente aos almôadas
na batalha de Alarcos, onde este perde a Marca de Extremadura Oriental (La Mancha). Esta derrota atrasa a
Reconquista por 17 anos (ver mapa)
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Para ver melhor clicar duas
vezes dentro do mapa.
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1196-1213 — Reinado de Pedro II de Aragão (filho de Afonso II
de Aragão).
1210.- em dezembro por
intermédio do Arcebispo de Toledo,
Afonso o Nobre consegue de Inocêncio III a categoría de cruzada contra os almohades (4ª
cruzadas em terras peninsulares), concedendo indulgências plenárias a quem
tomassem parte na operação. Numerosos cruzados chegam de toda a Europa,
principalmente desde a França
(continua).
Nota: Como temos visto a guerra, mais ou menos contínua,
contra o Islã na península Ibérica, tem um caráter oficial, como Cruzada, desde
o ano 1063, com a toma de Barbastro, organizada e
promulgada pelo Papa Alexandro II, cinqüenta anos antes da promulgada para
libertar Jerusalém, pelo Papa Urbano II em Clermont
em 1095. Um outro ponto muito importante: o botim de guerra obtido nas
campanhas contra os mouros, era dado como doação a mosteiros e não servia para
enriquecer os combatentes. Como temos escrito, a cruzada contra os almoadas seria a quinta, entre as promulgadas na península
Ibérica por mandatários eclesiásticos. A primeira bula oficial escrita de que
temos notícia foi no ano 1330 Dilectis filiis de João XXIII ao rei Afonso IV de Aragão em sua
luta contra o reino de Granada. (continua)