(FLÁVIO)TEODÓSIO I O GRANDE
(346<380-395>)
Pe.
Ignácio, dos padres Escolápios
1A PARTE: CRONOLOGIA DE SUA VIDA
346.-Nasce em Cauca,
atual Coca(Segóvia, Espanha)
com o nome de Flávio Teodósio, filho de Thermantia e de Flávio Honório Teodósio,
o velho, lugar-tenente hispano e um dos generais mais
prestigiosos de Valentiniano I, por isso foi descrito
como dux efficacisimus
[chefe, ou general, altamente eficaz].
368-9,-Teodósio
o jovem, luta junto com seu pai contra os pictos
(povos da Escócia que pintavam seus corpos para a guerra, daí seu nome), na
Inglaterra, detrás da famosa muralha de Adriano que separava a Inglaterra da
Escócia com 117 km de comprimento e que demorou 6 anos na construção.
370-1,-Teodósio
luta contra os alamanni (alemães) nos chamados agri decumani (Floresta Negra)
entre a França e a Alemanha.
372-3,-Idem contra os Sármatas, povo do sul da Rússia que entravam na Bulgária atual, nos Bálcãs.
373,-Primeira
pugna entre Ambrósio, bispo de Milão, com o poder temporal. Morte de S Efrém de Nisíbia ou Nisibis (mapa 12)
374,-Como dux
(comandante militar ) na diocese (nome dado às
províncias por Diocleciano) da Mésia no baixo Danúbio
derrotou de novo os Sármatas quando só contava 27
anos. Além da experiência militar, tanto pai como filho, ambos de origem aristocrática (daí o nome de Flávius) eram expertos com os cavalos hispanos,
famosos por suas atitudes para a guerra e sobretudo para as carreiras que tanto
apaixonavam os contemporâneos. Aurélio Símaco, um dos
senadores romanos mais notáveis na época, importou cavalos de suas propriedades
hispanas para as carreiras com que devia comemorar a
prefeitura de seu filho em Roma. Desses cavalos, misturados com os do norte da
África, resultou a raça chamada árabe, tão estimada como puro sangue nas
corridas modernas. Seu pai era na época magister
equitum (mestre da cavalaria) ) assim nomeado
pelo imperador Valentiniano I. Na mesma data das
vitórias do filho na Mésia o pai foi enviado com
plenos poderes ao norte da África para reprimir a sublevação de Firmo.
375.- Ao morrer Valentiniano I de doença quando tratava desde Sirmium (Sremka Mitrovica da atual Sérvia, ao oeste de Belgrado) (mapa 6)
repelir os Quados (povos de origem suévia no centro da Alemanha, capital Augsburg),sucede-lhe
Graciano, o filho, agora com 16 anos, que reconhece Valentiniano II, seu meio irmão de 4 anos como augusto.
Devido a maquinações da corte de Graciano (367-83) ,
a sorte dos dois Teodosios mudou. O pai foi arrestado
e executado em Cartago. Embora cristão só se batizou na hora da morte. O filho,
nosso Teodósio, se retirou à Espanha durante três
anos. É possível que a finca onde se retirou fosse a de um tio de nome Materno Cinegio.
Aí casa com sua compatriota Aelia Flaccilia
da que teve pronto o primeiro filho, Arcádio, logo Honório e uma filha Pulqueria.
378.-devido à derrota de Andrianópolis, Graciano chama Teodósio que derrota os Sármatas.
379.- Graciano
nomeia Teodósio I, imperador do Oriente. Ao provar Teodósio sua habilidade como militar, derrotando os
visigodos causadores do desastre de Andrianópolis, Graciano o proclamou co-imperador, dando-lhe o domínio do
Oriente junto com as províncias de Dácia e Macedônia.
380,- .-Teodósio,
augusto do Oriente, após a paz com os godos, entra
triunfante em Constantinopla, que será sua capital e lugar de residência
habitual até 388 em que se dirige a Milão. Aparece a crônica de S. Jerônimo.
Pelo edito de Constantinopla de Teodósio I Imperador
romano do Oriente se confirma o cristianismo como religião de Estado no
Império. Teodósio se batiza como cristão devido a uma
grave doença, contraída em Tessalônica escolhida por
ele como capital temporária, sendo assim o primeiro imperador romano que
exerceu o poder estando batizado, apesar dos seus predecessores desde
Constantino, à exceção de Juliano, se declarassem cristãos e intentassem se
comportar como tais. Foi talvez por isso que foi o primeiro imperador que
recusou o título de Pontifex Maximus , que
podemos traduzir por Supremo Guardião dos velhos cultos romanos. Como
reconhecesse que os bárbaros, especialmente os teutônicos
e germânicos, podiam ajudar o exército, bastante minado pelas lutas internas, Teodósio os admitiu como tropa e oficiais, de modo que em
suas dioceses (província hoje) tanto romanos como teutônicos
se encontravam entre seus generais. Em Constantinopla constrói as muralhas e o forum (Praça) o maior da época ao estilo de Trajano em
Roma. Teodósio, consanguíneo
com a família Aelia da qual procedia
sua esposa, era hispano como Trajano e com o qual
tinha grande semelhança: loiro, de mediana estatura e de agradável aspecto,
quis imitar nisto seu predecessor. Junto com Graciano
editam um decreto que manda que todos os súditos deviam
professar a fé dos bispos de Roma e Alexandria. Os templos dos arianos e
heréticos não podiam ser chamados de igrejas.
381.-As forças bárbaras,
especialmente os visigodos, invadiam as províncias do sul do Danúbio constantemente
desde 375. Teodósio que não podia contar com as
forças de Graciano, buscou a paz através de uma
coexistência pacífica. Por isso recebeu o rei dos visigodos Atanarico
de maneira amigável. Neste mesmo ano buscará a paz
ente os diversos grupos cristãos. Ele se declara imperador pela graça de Deus e
por isso convoca um concílio ecumênico, o segundo da Igreja, em Constantinopla,
agora capital de seu império. Os arianos
e seus partidários são condenados. Falaremos disto com mais detalhe em outra
ocasião
382.-Teodóiso
conclui um tratado(foedus)com
os visigodos. Que recebem um território dentro dos limites do Império ao sul do
Danúbio, a Mésia. Eles se comprometiam como
confederados a ajudar o império com soldados, defendendo sua fronteira oriental
e receberam como missionário cristão o bispo Ulfilas,
que os converteu ao arianismo. Assim permaneceram na Mésia
até 395, quando por ocasião da morte de Teodósio e
sob o comando do rei Alarico, invadiram a Grécia por
4 anos e logo em 401 a Itália. Concílio de Roma sob Damaso Papa (+384) em que
se confirmam as doutrinas trinitárias de
Constantinopla I.
383.-Na primavera, Graciano é derrotado por Magno Máximo. Graciano
escapa da derrota e é traído por seu general Andragácio
que o mata em Lião. Máximo, de origem hispana e parente de Teodósio,
foi proclamado imperador pelas tropas da diocese de Bretânia(Inglaterra), então pertenecente à
prefeitura das Gálias que correspondia às dioceses de
Hispânia, Britânia Vienna(Aquitânia) e Gália (região
central e norte da França). Assim Máximo se tornou dono da prefeitura das Gálias. Morto Graciano, Máximo,
defensor do catolicismo niceno porque a imperatriz Justina, mãe do pequeno Valentiniano
II, meio irmão de Graciano, era de religião ariana, é
reconhecido como imperador por Teodósio e escolhe
como capital Tréveris. Valentiniano
II, filho de Graciano, jurado augusto aos 4 anos,
tinha nesta época 12 anos e se refugia com sua mãe em Milão, como imperador das
prefeituras de Itália(dioceses da Itália Annonaria ou norte e Itália Suburbicária
ou sul, e Panônia ou Ilírico).
Valentiniano II
reconhece Máximo como imperador. Este eleva seu filho Flavius Victor ao estatus de
Augusto. Também Teodósio nomeia seu filho Arcádio
como augusto por motivo da quinquenália, cinco anos
como imperador. Neste mesmo ano Flaccila é também
exaltada à categoria de Augusta, título que lhe garantia a coroa ou diadema, o paludamentum ou manto púrpura e o
broche imperial. Podia também cunhar moeda.com sua imagem. As últimas augustas
foram Helena, mãe, e Fausta, esposa de Constantino I. Talvez pelo destino de
Fausta, condenada à morte por pressuposto adultério por Constantino, nenhuma
mulher foi até Flaccila elevada a essa categoria. Flaccila, a consciência de Teodósio,
era fervorosa nicena e antiariana.
384.- Sirício
é o novo Papa título que pela primeira vez recebe o bispo de Roma. .Criador das
DECRETALIA que serão instrumento habitual da soberania dos Papas. Sua carta a Himério bispo de Tarragona
(Espanha) é muito importante.
386.-Morte de Élia
Flavia Flaccíla , comumente Flaccila,
a esposa, também de origem hispana, mãe de seus dois
filhos, Arcádio e Honório e de Pulquéria.
387.-Máximo invade a Itália,
forçando Valentiniano II e família a fugir para Tessalônica.
388.-Novas núpcias com Gala,
filha de Valentiniano I e de Justina.
Justina era a ariana mais famosa de seu tempo. Teodósio abandona Constantinopla para enfrentar Máximo.
Escolhe como general supremo a Estilicón, meio galo meio romano, casado com sua sobrinha predileta, Serena,
e se dirige ao Ilírico. Envia uma flotilha
a Roma com Valentiniano II então com 17 anos. Estratagema de Teófilo: Era este o patriarca
de Alexandria, apelidado por suas riquezas e poder do Faraó cristão. Habitava
então o Alto Egito um monge, Jpão de Licópolis que por seu carisma de predizer o futuro era
consultado com freqüência por Teodósio. Naquele tempo
os augúrios sobre o resultado de uma batalha eram compartilhados por todos os
povos e eram usuais as consultas aos deuses ou ao Deus verdadeiro. Teófilo
serviu-se de um estratagema que não deu certo. Enviou
a Roma um monge de sua confiança, Isidoro, com duas cartas: uma para Máximo,
felicitando-o pela vitória e outra para Teodósio com
o mesmo conteúdo. Evidentemente, quem fosse o vencedor, deveria apresentar uma ou outra, com a qual o
poderoso patriarca teria previsto a vitória e seria dono de um Dom profético
inestimável. Por sorte ou azar, quando Isidoro esperava em Roma, as cartas
caíram nas mãos de um diácono que o acompanhava e a patranha foi descoberta. Na
realidade ambos os exércitos se enfrentaram em Aquiléia,
norte da Itália, às margens do Save. Máximo foi
derrotado e morto e Teodósio tratou seus seguidores
com clemência. Teodósio então se dirigiu a Milão,
permanecendo na Itália 3 anos -Pela primeira vez Ambrósio e Teodósio
se encontram em Milão. Teodósio, como era costume no
Oriente, intentou sentar-se no presbitério durante a missa. Mas Ambrósio o
expulsou sem contemplações. Teodósio então proibiu
que Ambrósio recebesse as informações do conselho imperial. Neste mesmo ano
alguns monges incendiaram a sinagoga de Callinicum na
Mesopotâmia e Teodósio obrigou o bispo da cidade a reconstrui-la. Ambrósio num sermão pronunciado na presença
de Teodósio condenou a atitude deste e do conselheiro
imperial Timásio, opondo a Igreja à Sinagoga. À resposta de Teodósio
dizendo que os monges cometiam muitos crimes, Ambrósio o
ameaçou com a excomunhão e Teodósio cedeu. Sem
dúvida que a razão legal estava com imperador, porque o judaísmo estava
permitido pelas leis do Estado.
389.-Teodósio,
junto com seu filho de 4 anos Honório, futuro imperador, visita pela primeira vez Roma. Nela estava o
Senado, que aportava ao Império os quadros mais importante da
administração. Embora o processo da conversão ao cristianismo tinha
avançado muito entre os aristocratas, a maioria dos senadores
de Roma eram ainda no final do século IV hostil à política religiosa e
cristã de Teodósio. Algumas famílias o tinham
demonstrado acolhendo com entusiasmo a invasão de Máximo na Itália. Símaco, o orador
mais prestigioso e porta-voz do senado,
tinha dirigido ao usurpador
Máximo um discurso de boas vindas. Nesta ocasião foi Pacato quem saudava
Teodósio como o homem que ao vencer o tirano devolveu
a liberdade perdida a Roma, restaurando a ordem no Império. Teodósio
tinha então a plena maturidade dos 40 anos, era casto, austero e frugal, respeitoso com as leis e os direitos
humanos, odiava o derramamento de sangue e com um profundo sentimento de
amizade, repartia ofícios entre seus amigos e era acessível aos seus súditos o que constituía uma atitude muito rara entre
os monarcas do Baixo Império. O elogio agradou Teodósio
de modo que pouco mais tarde nomeou Pacato para comes rei publicae
ou prefeito da diocese da África. Em Roma Teodósio
conhece Dâmaso, o Papa, também de origem hispana e se tornam amigos.
390.- Condenada a homossexualidade pelo imperador, deu lugar ao mais grave
incidente entre as duas autoridades civil e eclesiástica em Milão. Tal foi o
episódio de Tessalônica do qual falaremos sob o
título de Teodósio e o Cristianismo
391.-Por lei proibiu às mulheres
serem diaconisas antes dos 60 anos e às diaconisas nomear como herdeiro à
Igreja, aos pobres e ao clero. Proibiu aos monges morar nas cidades. Todas
estas leis tinham a intenção de manter a independência ante o poder
eclesiástico, assim como foi a nomeação de dois cônsules pagãos, Símaco(inimigo de Ambrósio) e Tatieno. Porém no mesmo ano proibiu os sacrifícios e a
visita aos templos pagãos. Uma briga entre sua segunda esposa e seu filho mais
velho Arcádio o levou de novo a Constantinopla.
392.-Arbogasto,
o general protetor de Valentiniano II parece que
matou seu dono. Como Arbogasto era de origem bárbara,
não podendo ocupar o trono, escolheu para este cometimento um homem de palha, o
retórico Eugênio, cristão só de nome, que ao não contar com o apoio de Ambrósio
nem de Teodósio, buscou a nobreza
senatorial pagã, dirigida por Nicômaco Flaviano, que viu nele a última possibilidade de
sobrevivência da Roma antiga ante o
cristianismo emergente e triunfador.
393.-Em janeiro levou seu segundo
filho Honório de 8 anos à dignidade de Augusto, pois Valentiniano
II estava morto e o Ocidente precisava de um imperador legítimo.
394.-Teodósio
enfrenta as forças de Eugênio no norte da Itália. A vanguarda de Teodósio formada por visigodos comandados por Alarico vândalos por Estilicón e até hunos, foi derrotada nas margens do rio
Frigido em Aquiléia. Mas no dia seguinte quando Teodósio se encontrava em situação difícil aconteceu um
fato considerado miraculoso:suscitou-se uma furiosa tempestade com um vento
inesperado soprando com violência contra as tropas inimigas, que quase as cegou
anulando assim o efeito e suas setas e contribuiu para a desordem e fuga dos
inimigos. Mortos Eugênio, Arbogasto e Nicômaco Flaviano, Teodósio se mostrou benigno com os contrários. A vitória
foi comemorada como o segundo triunfo do cristianismo contra os pagãos, uma
repetição da realizada na ponte Mílvio por
Constantino. Teodóso se apresenta em Milão e Ambrósio
lhe proíbe receber os sacramentos até aceder suas petições de clemência para
com os vencidos.
395.- Em janeiro deste ano Teodósio morre de doença, .pronunciando suas últimas palavras que foram as do salmo 116(5) :Diligo Dominum quia audivit vocem obsecrationis meae.( Amo o Senhor porque ouviu a voz de minha súplica). Deixou ao cuidado de Ambrósio seus dois filhos, Arcádio, enfermiço de 17 anos e Honório de 10. Estilicón, o general de origem vândala casado com sua sobrinha Serena, foi o encarregado de cuidar de Honório, augusto do Ocidente enquanto Rufino cuidava de Arcádio, augusto do Oriente. Mas o Império estava agonizando e praticamente morria com seu último grande imperador.