SUDÁRIO DE OVIEDO
(pe. Ignácio, dos padres escolápios)
Se o Síndon(lençol) de Turim foi a base da investigação científica dos
últimos anos para mostrar em sua brutalidade e dureza a realidade dos tormentos
sofridos por Jesus na sua paixão, temos mais um instrumento que a tradição
conservou e que a medicina científica tem hoje estudado com verdadeiro cuidado
e empenho. É o sudário do qual fala unicamente o quarto evangelista e que se
pensava fosse uma atadura para evitar a boca aberta do cadáver. Essa tela está
em Oviedo, Espanha. Eu a vi através das grades que a protegem no ano 92. Um
estudo realizado por numerosos médicos forenses e catedráticos de anatomia tem
revelado fatos importantes que vamos relatar a continuação.
HISTÓRIA: O sudário, que vamos desde agora chamar de capuz,
chegou a Oviedo depois de um longo itinerário. Os primeiros cristãos
conservaram sem dúvida alguns dos objetos pertencentes a Jesus, especialmente
os que estavam impregnados no seu precioso sangue. Não podia destruí-los e os
conservaram cuidadosamente no que se chamou de Arca Santa. No ano 614, ante a
iminente invasão dos persas, o presbítero Filipe foi encarregado de levar as
relíquias até Alexandria no Egito. Como os persas também invadiram o Egito, a
arca foi transportada para a Espanha. O bispo de Écija, S. Fulgêncio, acolheu
os fugitivos que chegaram por Cartagena e pôs as relíquias em mãos de S.
Leandro, bispo de Sevilla, seu superior e irmão. Quando S. Ildefonso foi
nomeado bispo de Toledo, levou consigo as relíquias.Estamos falando do século
VII. Na primeira metade do mesmo, uma nova arca de carvalho sai de Toledo em
direção a Astúrias, coincidindo com a invasão muçulmana. Essa arcas se encontra
em Oviedo, capital de Astúrias, entre 812 e 842. Para conservar e guardar o
tesouro Afonso II o Casto(+842), mandou construir a Câmara Santa, que
inicialmente era uma capela de seu palácio, hoje incorporada à catedral
gótica, edificada posteriormente. Desde
este momento as relíquias tem recebido constante veneração sem interrupção
pelos devotos astures. Em 1075 se procedeu à apertura da arca e inventário da
mesma com ocasião da visita do rei Afonso VI (1042-1109). O monarca mando que
se cobrisse de prata, fato realizado após a morte do monarca em 1113. No
inventário se menciona expressamente O SANTO SUDÁRIO DE N. S. J. C. Sua fama
obrigou muitos peregrinos do caminho de Santiago a se desviar para o visitar e
venerar a sagrada relíquia.
INVESTIGAÇÃO: Seu estudo foi feito por doze investigadores,
científicos coordenados pelo centro espanhol de Sindonologia
(www,linteum.com)que usando os métodos mais modernos, sem excluir uma cabeça de
vidro para adapta-la ao pano e assim estudar a disposição das feridas e do
sangue nele coagulado com as facões do rosto que as deixo impressas. Da investigação correspondente destacamos os
seguintes itens:
ESTRUTURA: O Sudário de Oviedo é um pano branco de linho com
textura ou trama de tafetão, ou seja o mais simples possível dos três tipos de
tecido, sem anverso, de forma retangular com 85X53 cm embora com alguma
irregularidade. Está manchado, sujo e enrugado. As manchas são de diversas
tonalidades, fundamentalmente de marrom claro. Especialmente destacam duas
manchas simétricas marrons com diversas tonalidades. Na época de Jesus um
sudário era um lenço que era usado como toalha para enxugar o suor do rosto e
que em muitos casos estava enrolado no braço. Segundo a Enciclopédia Universal
Judaica, quando um cadáver tinha o rosto desfigurado ou mutilado, era
imprescindível que fosse coberto por um véu para ocultá-lo. Mas existe uma
outra hipótese muito mais ampla e histórica. Neste momento falo de memória mas
creio que foi Cícero, que era advogado em causas criminais, quem afirma que os
condenados à morte tinham a cabeça coberta por um capuz: obnubilato capite
creio que é a expressão usada pelo escritor latino. Igual ao costume de colocar
no réu um capuz nos dias de hoje, que não é unicamente costume moderno, como
temos visto nos cinemas quando dos enforcamentos ou mortes na cadeira elétrica.
Segundo o que descrevem os médicos legistas ou forenses parece que essa era a
função de nosso sudário. Nos evangelhos unicamente João descreve o uso do
sudário, primeiro no relato da ressurreição de lázaro( uma prévia da de Jesus)
11, 4 e no da ressurreição de Jesus 20, 6-7. No relato de Lázaro a cabeça
estava envolta exatamente como pode faze-lo um capuz. Que no caso de Jesus
estava sobre(epi) a cabeça do mesmo e foi encontrado como embrulho aparte. Os
cientistas dizem que o sudário(capuz) foi colocado quando ainda o corpo morto
estava pendurado na cruz e foi segurado com alfinetes(os buracos existentes no
pano). Ao se produzir a rigidez cadavérica do edema pulmonar, causa da morte,
fluiu o líquido que molhou barba e bigode. Rodeava totalmente a cabeça e
possivelmente estava sujeito por detrás com um nó. O justiçado esteve na cruz
uma hora e mais uma outra hora em decúbito prono( de ventre para baixo) lateral
direito. Uma vez no sepulcro, o capuz foi provavelmente retirado do cadáver e
deixado a um lado do mesmo, segundo foi encontrado por Simão Pedro(20,7).
HEMATOLOGIA: isto é, restos de sangue.A primeira surpresa que
levaram os especialistas foi comprovar a existência de hemácias que podem ser
vistas em fotos. Era sangue. E os testes posteriores demonstraram que era
sangue humana do tipo AB, o mais comum ente os Judeus do tempo de Jesus na
Palestina da época. Exatamente o mesmo tipo do lençol de Turim.
CONCLUSÕES: O
Sudário de Oviedo contém manchas originais de sangue humano do grupo AB. Este
pano está sujo, enrugado, parcialmente roto e queimado, com elevado nível de
contaminação mas sem sinais de manipulação fraudulenta. Esteve colocado sobre a
cabeça de um morto com bigode, barba e cabelo longo recolhido na nuca. Na
região occipital apresenta uma série de feridas pungentes, produzidas em vida,
que tinham sangrado uma hora antes de colocar o capuz na cabeça. Sua boca
estava fechada, o nariz amassado e desviado à direita. Estava morto porque o
mecanismo da formação das manchas era incompatível com qualquer movimento respiratório.
O homem do sudário padeceu um grande edema ou encharcamento pulmonar , que em
forma de líquido e sangue aparece como manchas em proporção de 6:1, produzidas
em momentos diferentes e consecutivos. Após a morte o cadáver esteve em posição
vertical como uma hora e tinha pelo menos o braço direito levantado e a cabeça
inclinada 70 graus à frente e 20 graus à direita em relação à vertical.
Posteriormente, sem alterar a posição os braços foi colocado em decúbito
prono(sobre o ventre) lateral direito, mantendo o giro da cabeça 20 grau à
direita e colocando esta 115 graus respeito da vertical com a frente apoiada
sobre uma superfície dura, posição na que foi mantido durante 45 minutos.
Depois foi mobilizado ao tempo que uma mão alheia tratava de conter a saída do
líquido serohemático. Por último foi colocado em decúbito supino.
RELAÇÃO
COM O SINDONE: As coincidências são as seguintes: As duas peças de pano
contiveram um homem de cabelos compridos, barbado e cabelo recolhido na nuca.
Ambos eram adultos entre 30 e 40 anos e de forte constituição. Ambos compartem
o tipo sanguíneo AB típico da etnia judaica na região palestina. Ambos foram
maltratados antes de morrer (casco de espinho, puxada de barba..)Ambos morreram
em posição vertical, crucificados e apoiando-se nos pés..- Ambos faleceram por
colapso ortostático (postura vertical) e conseqüente edema pulmonar em grado
agudo.-Os dois panos eram facilmente tecidos na região de Palestina.-As manchas
de sangue num e noutro pano são coincidentes e portanto ambas complementares.-
Gotas de sangue sob uma mancha de 3 invertido.- Na mesma em ambas
relíquias.-Ambos contêm restos de pólen da época e região Ambos com restos de
mirra e aloé .- As proporções são coincidentes e concorrentes a uma emanação
sanguínea trás a morte por edema pulmonar. Correspondências manifestas com os
fios de sangue provocados pelo caso dos espinhos e proporções craniais. Temos
um estreita relação entre os arcos superciliares, a superfície e forma do
nariz, inchaço da parte direita do nariz, fossas nasais pressionadas, pômulo
direito inchado e sanguinolento, Posição e tamanho da boca, mento e forma
desigual da barba.
CONCLUSÃO FINAL: Se o Santo Síndone é uma impressionante recordação da paixão de Cristo, o Sudário de Oviedo confirma a autenticidade do mesmo e oferece um testemunho de sua morte e dos primeiros passos de sua sepultura. Porque, como Paulo, nós pregamos um Cristo(que não é Messias conquistador mas) que e um Messias crucificado