7º DOMINGO DO TEMPO COMUM C
18 de Fevereiro de 2007
Tema do 7º Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste domingo exige-nos o amor total, o amor sem
limites, mesmo para com os nossos inimigos. Convida-nos a pôr de lado a lógica
da violência e a substituí-la pela lógica do amor.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo concreto de um
homem de coração magnânimo (David) que, tendo a possibilidade de eliminar o seu
inimigo, escolhe o perdão.
O Evangelho reforça esta proposta. Exige dos seguidores de
Jesus um coração sempre disponível para perdoar, para acolher, para dar a mão,
independentemente de quem esteja do outro lado. Não se trata de amar apenas os
membros do próprio grupo social, da própria raça, do próprio povo, da própria
classe, partido, igreja ou clube de futebol; trata-se de um amor sem
discriminações, que nos leve a ver em cada homem – mesmo no inimigo – um nosso
irmão.
A segunda leitura continua a catequese iniciada há uns
domingos atrás sobre a ressurreição. Podemos ligá-la com o tema central da
Palavra de Deus deste Domingo – o amor aos inimigos – dizendo que é na lógica
do amor que preparamos essa vida plena que Deus nos reserva; e que o amor
vivido com radicalidade e sem limitações é um anúncio
desse mundo novo que nos espera para além desta terra.
LEITURA I – 1 Sam 26,2.7-9.12-13.22-23
Leitura do Primeiro Livro de Samuel
Naqueles dias,
Saul, rei de Israel, pôs-se a caminho
e desceu ao deserto de Zif
com três mil homens escolhidos de
Israel,
para irem em busca de David no
deserto.
David e Abisaí penetraram de noite
no meio das tropas:
Saul estava deitado a dormir no acampamento,
com a lança cravada na terra à sua
cabeceira;
Abner e a sua gente dormia à volta
dele.
Então Abisaí disse a David:
«Deus entregou-te hoje nas mãos o teu inimigo.
Deixa que de um só golpe eu o crave na terra com a sua lança
e não terei de o atingir segunda
vez».
Mas David respondeu a Abisaí:
«Não o mates.
Quem poderia estender a mão contra o ungido do Senhor
e ficar impune?»
David levou da cabeceira de Saul a lança e o cantil
e os dois foram-se embora.
Ninguém viu, ninguém soube, ninguém
acordou.
Todos dormiam, por causa do sono profundo
que o Senhor tinha feito cair sobre
eles.
David passou ao lado oposto
e ficou ao longe, no cimo do monte,
de sorte que uma grande distância
os separava.
Então David exclamou:
«Aqui está a lança do rei.
Um dos servos venha buscá-la.
O Senhor retribuirá a cada um segundo a sua justiça e fidelidade.
Ele entregou-te hoje nas minhas mãos
e eu não quis atentar contra o
ungido do Senhor».
AMBIENTE
A primeira leitura, tirada do primeiro livro de Samuel, faz
parte de um conjunto de tradições que descrevem a história da ascensão de David
ao trono (1 Sam 16 – 2 Sam 6). Neste texto, apresenta-se um episódio emblemático que precede a chegada de
David ao poder. Escolhido por Deus, mas perseguido pelo ciumento rei Saul,
David tem de fugir para salvar a sua vida, enquanto espera que se cumpram os
desígnios de Deus. Um dia, David tem a possibilidade de matar Saul e acabar com
a perseguição; mas recusa-se a erguer a mão contra “o ungido do Senhor”. Este
quadro situa-nos por volta de
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O livro de Samuel não é, primordialmente, um livro de
história, mas um livro de teologia; assim, é impossível dizer o que é
rigorosamente histórico neste conjunto de tradições e o que é catequese.
Podemos dizer, a propósito do episódio que a liturgia de hoje nos propõe, que
os autores deuteronomistas (responsáveis pela redacção e edição da obra histórica que vai de Josué a 2
Reis) estão, sobretudo, preocupados com uma finalidade teológica: apresentar
David como o rei ideal, corajoso mas de coração
magnânimo, o protótipo do homem que não se afasta dos caminhos de Deus, que
pela sua bondade e misericórdia atrai para si e para o seu Povo as bênçãos de Jahwéh.
MENSAGEM
O texto põe frente a frente duas formas de lidar com aquilo
que nos agride e nos violenta. De um lado, está a atitude agressiva, que paga
na mesma moeda, que responde à violência com uma violência igual ou ainda maior
e que pode chegar, inclusive, à eliminação física do nosso agressor… Esta é a
atitude de Abisai.
Do outro lado, está a atitude de quem
recusa entrar numa lógica de agressão e se propõe perdoar, evitando que a
espiral de violência atinja níveis incontroláveis… Essa é a atitude de David.
É evidente que é a atitude de David que os teólogos deuteronomistas sugerem aos crentes. David é apresentado
como o protótipo do homem bom, que pode vingar-se do agressor mas não o faz, pois sabe que a vida do outro é sagrada e inviolável. Não
é espantoso que, cerca de mil anos antes de Cristo, numa época de grande
brutalidade, a catequese de Israel ensine que o perdão é a única saída para a
violência? Não é espantosa esta certeza de que a vida do outro – mesmo a do
nosso agressor – pertence a Deus e que só Deus tem direitos sobre ela?
ACTUALIZAÇÃO
Ter em conta as seguintes linhas:
• A lógica da violência tem feito parte da história humana.
Nos últimos cem anos conhecemos duas guerras mundiais e um sem número de
conflitos resultantes dessa lógica. Como resultado, foram mortos muitos milhões
de seres humanos e o mundo conheceu sofrimentos inqualificáveis. Depois disso,
o medo de um holocausto nuclear traz-nos em suspenso e a violência quotidiana atinge, todos os dias, um número significativo de pessoas
inocentes. Onde nos leva esta lógica? Ela não provou já os seus limites? Ainda
acreditamos que a violência seja o princípio de um mundo melhor?
• É necessário também aplicarmos a reflexão sobre a
violência à nossa vida pessoal… Como me situo face à lógica da violência e da
agressão? Quando alguém tem pontos de vista diferentes dos meus, grito mais
alto para o vencer, ou utilizo a violência física?
Agrido-o na sua honra e na sua dignidade, se não puder vencê-lo pela força dos
argumentos? A minha lógica é a do “olho por olho, dente por dente”, ou é a
lógica do perdão e do amor?
• Qual a minha atitude face a esse
valor supremo que é a vida humana? Há algo que justifique a morte do inimigo, a
cadeira eléctrica, a injecção letal, o tiro na nuca, o atentado terrorista, o enforcamento? À luz da Palavra
de Deus que hoje nos é proposta, justifica-se a eliminação legal de pessoas
(pena de morte)?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 102 (103)
Refrão 1: O Senhor é clemente e cheio de compaixão.
Refrão 2: Senhor, sois um Deus
clemente e compassivo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome
santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus
benefícios.
Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades;
salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade;
não nos tratou segundo os nossos
pecados,
nem nos castigou segundo as nossas
culpas.
Como o Oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos
pecados;
como um pai se compadece dos seus
filhos,
assim o Senhor Se compadece dos que
O temem.
LEITURA II – 1 Cor 15,45-49
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
O primeiro homem, Adão, foi criado como um
ser vivo;
o último Adão tornou-se um espírito
que dá vida.
O primeiro não foi o espiritual, mas o natural;
depois é que veio o espiritual.
O primeiro homem, tirado da terra, é terreno;
o segundo homem veio do Céu.
O homem que veio da terra
é o modelo dos homens terrenos;
O homem que veio do Céu
é o modelo dos homens celestes.
E assim como trouxemos em nós a imagem do homem terreno,
procuremos também trazer em nós a
imagem do homem celeste.
AMBIENTE
O texto que nos é proposto como segunda leitura integra uma
passagem mais ampla (cf. 1 Cor 15,35-53), onde Paulo reflecte sobre o “modo” da ressurreição. Como ressuscitarão os mortos? As crenças
judaicas do tempo concebiam o mundo dos ressuscitados como uma continuação do
mundo presente; no momento da ressurreição, dizia a crença judaica, todos
recuperarão o corpo que tinham neste mundo. Evidentemente, tais representações
não podiam ser facilmente aceites pelos espiritualistas de Corinto (recordar
que, para os gregos, o corpo era uma realidade material, sensual, carnal, que
não podia ter acesso ao mundo ideal e espiritual).
Que pensa Paulo de tudo isto? Ainda que saiba estar a
mover-se num terreno misterioso, Paulo não se esquiva à questão e apresenta uma
série de reflexões que podem ser clarificadoras para
os seus interlocutores coríntios.
MENSAGEM
A afirmação básica de Paulo é que os mortos serão objecto de uma profundíssima transformação para chegar ao estado de ressuscitados. Não se pode falar, sem
mais, de uma simples continuidade entre o corpo terrestre e o corpo
ressuscitado. Ambos são corpos, mas as suas características são claramente
distintas, opostas até.
Para explicar isto, Paulo recorre à figura de Adão. De um
lado, está o primeiro Adão, tirado do barro, homem terreno e mortal, que é o
modelo da nossa humanidade enquanto caminhamos neste mundo. Do outro, está o
segundo Adão (Cristo ressuscitado) que, por acção do
Espírito, se torna “corpo espiritual”. O modelo a que devem equiparar-se os
crentes é o do segundo Adão, Jesus ressuscitado: incorporados pelo baptismo em Cristo, os crentes equiparar-se-ão a Cristo
ressuscitado e serão, como Ele, um “corpo espiritual”.
O que é esse “corpo espiritual”? Paulo não o explica; mas, na tradição bíblica,
“espírito” não é sinónimo de imaterialidade, mas sim
de força, de vitalidade, de poder, de criatividade.
Portanto, falar da nossa ressurreição é falar desse estado
em que seremos um “corpo espiritual”, à imagem de Cristo ressuscitado. Nesse
“corpo espiritual” estará presente o homem inteiro, dotado de novas qualidades
– as qualidades do Homem Novo.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar, para reflexão, as seguintes questões:
• A ressurreição aparece, nesta perspectiva, como a passagem
para uma nova vida, onde continuaremos a ser nós próprios, mas sem os limites
que a materialidade do nosso corpo nos impõe. Será a vida em plenitude ou, como
diz Karl Rahner, “a transposição no modo de plenitude
daquilo que aqui vivemos no modo de deficiência”. A morte é o fim da vida; mas
fim entendido como meta alcançada, como plenitude atingida,
como nascimento para um mundo infinito, como termo final do processo de hominização, como realização total da utopia da vida
plena. Sendo assim, haverá alguma razão para temermos a morte ou para vermos
nela o fim de tudo – uma espécie de barreira que põe definitivamente fim à
comunhão com aqueles que amamos?
• Mais uma vez convém recordar que ver a morte e a
ressurreição na perspectiva da fé é libertarmo-nos do
medo: medo de agir, medo de actuar, medo de denunciar
as forças de morte que oprimem os homens e desfeiam o mundo… Que temos a perder, quando nos espera a
vida plena, o mergulho no horizonte infinito de Deus – onde nem o ódio, nem a
injustiça, nem a morte podem pôr fim a essa vida total que Deus reserva aos que percorreram, neste mundo, os caminhos do amor e da paz?
ALELUIA – Jo 13,24
Aleluia. Aleluia.
Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:
amai-vos uns aos outros, como Eu
vos amei.
EVANGELHO – Lc 6,27-38
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
Jesus falou aos seus discípulos, dizendo:
«Digo-vos a vós que Me escutais:
Amai os vossos inimigos,
fazei bem aos que vos odeiam;
abençoai os que vos amaldiçoam,
orai por aqueles que vos injuriam.
A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra;
e a quem te levar a capa, deixa-lhe
também a túnica.
Dá a todo aquele que te pedir
e ao que levar o que é teu, não o
reclames.
Como quereis que os outros vos façam,
fazei-lho vós também.
Se amais aqueles que vos amam,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem
bem,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores fazem o mesmo.
E se emprestais àqueles de quem esperais receber,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores emprestam aos pecadores,
a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos,
fazei o bem e emprestai, sem nada
esperar em troca.
Então será grande a vossa recompensa
e sereis filhos do Altíssimo,
Que é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos,
como o vosso Pai é misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados.
Não condeneis e não sereis condenados.
Perdoai e sereis perdoados.
Dai e dar-se-vos-á:
deitar-vos-ão no regaço uma boa medida,
calcada, sacudida, a transbordar.
A medida que usardes com os outros
será usada também convosco».
AMBIENTE
Continuamos no horizonte do “discurso da planície” que começámos a ler no passado domingo. As “bem-aventuranças”
(cf. Lc 6,20-26) propunham aos seguidores de Jesus
uma dinâmica nova, diferente da dinâmica do mundo; na sequência,
Jesus exige aos seus uma transformação dos próprios sentimentos e atitudes, de
forma que o amor ocupe sempre o primeiro lugar.
MENSAGEM
A exigência de amar e perdoar não é uma novidade radical inventada por Jesus. O Antigo Testamento já conhecia a
exigência de amar o próximo (cf. Lv 19,18); no
entanto, essa exigência aparecia com limitações. Normalmente, o amor e o perdão
ao inimigo apareciam limitados aos adversários israelitas (cf. 1 Sam 24; 26), aos compatriotas, àqueles a quem o crente vétero-testamentário estava ligado por laços étnicos,
sociais, familiares, religiosos. Em contrapartida, o ódio ao inimigo – a esse
que não fazia parte do mesmo povo nem da mesma raça – parecia, para o Antigo
Testamento, algo natural (cf. Sal 35).
Jesus vai muito mais além do que a doutrina do Antigo
Testamento. Para Ele, é preciso amar o próximo; e o próximo é, sem excepção, o outro – mesmo o inimigo, mesmo o que nos odeia, mesmo aquele que nos calunia e amaldiçoa, mesmo
aquele de quem a história ou os ódios ancestrais nos separam (cf. Lc 10,25-37). Os exemplos concretos que Jesus dá a este
propósito (cf. Lc 6,29-30) sugerem que não basta
evitar responder às ofensas; é preciso ir mais além e inventar uma dinâmica de
amor que desarme a violência, a agressividade, o ódio. Ele não nos pede,
possivelmente, que tenhamos uma atitude cobarde, passiva ou colaborante perante a injustiça e a opressão; o que Ele nos pede é que sejamos capazes de
gestos concretos que invertam a espiral de violência e de ódio: trata-se de não
responder “na mesma moeda”; trata-se de estar sempre disposto a acolher o
outro, mesmo o que nos magoou e ofendeu; trata-se de estar sempre de mão
estendida para o irmão, sem nunca cortar as vias do diálogo e da compreensão. O
amor é a única forma de desarmar o ódio e a violência… Só assim os crentes
imitarão a bondade, o amor e a ternura de Deus.
A afirmação de Lc 6,31 costuma ser
chamada a “regra de ouro” da caridade cristã: “o que quiserdes que os homens
vos façam, fazei-lho vós também”. Indica que o amor não se limita a excluir o
mal, mas que implica um compromisso sério e objectivo para fazer o bem ao próximo. Devemos, no entanto, rejeitar qualquer compreensão
“mercantilista” desta regra: o que se procura é o bem do outro e não a estrita
reciprocidade. Os versículos seguintes (cf. Lc 6,32-35) acentuam esta perspectiva e garantem que só quem faz o bem de forma
gratuita, sem cálculos e sem esperar nada em troca, pode ser “filho de Deus”.
ACTUALIZAÇÃO
Na reflexão e aplicação à vida, considerar as seguintes
coordenadas:
• No mundo em que vivemos, é um sinal de fraqueza e de
cobardia não responder a uma agressão ou não pagar na mesma moeda a quem nos
faz mal; e é um sinal de coragem e de força pagar o mal com o mal – se
possível, com um mal ainda maior. Achamos, assim, que defendemos a nossa honra
e o nosso orgulho e conquistamos a admiração dos que nos rodeiam. Estes
princípios geram, inevitavelmente, guerras entre os povos,
separações e divisões entre os membros da mesma família, inimizades e conflitos
entre os colegas de trabalho, relacionamentos difíceis e pouco fraternos entre membros da mesma comunidade cristã ou religiosa. Porque não descobrimos, ainda,
que este caminho é desumano? É possível acreditar que esta dinâmica de
confronto nos torna mais livres e mais felizes?
• A nossa força e a nossa coragem manifestam-se,
precisamente, na capacidade de inverter esta lógica de violência e de orgulho e
de estender a mão a quem nos magoou e ofendeu. O cristão não pode recorrer às
armas, à violência, à mentira, à vingança para resolver qualquer situação de
injustiça que o atingiu. Esta é a lógica dos seguidores de Jesus, desse que
morreu pedindo ao Pai perdão para os seus assassinos.
• A lógica de Jesus – a lógica dos seguidores de Jesus – é
precisamente a única que é capaz de pôr um travão à violência e ao ódio. A
violência gera sempre mais violência; só o amor desarma a agressividade e
transforma os corações dos maus e dos violentos.
• Isto não significa ter uma atitude passiva e conivente
diante das injustiças e das arbitrariedades; significa estar sempre disposto a
dar o primeiro passo para o reencontro, para acolher o que falhou; significa
ter gestos de bondade e de compreensão, mesmo para quem nos fez mal. Também não
significa, obrigatoriamente, esquecer (felizmente, ou infelizmente, temos
memória e não a podemos desligar quando nos apetece); mas significa não deixar
que as falhas dos outros nos afastem irremediavelmente; significa ter o coração
aberto ao nosso próximo – mesmo quando Ele é ou foi um “inimigo”.
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 7º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A
PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 7º Domingo do Tempo
Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la
pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana
para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de
padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…
Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. MOMENTO PENITENCIAL: O DEUS DA MISERICÓRDIA…
Neste domingo em que o Evangelho nos apresenta como modelo o
Pai de misericórdia, o sacerdote poderá chamar a atenção para a fórmula que ele
pronuncia no final do momento penitencial: “Que Deus todo-poderoso tenha
compaixão…” Sem ser uma absolvição sacramental no sentido estrito, estas
palavras oferecem o perdão de Deus a cada membro da assembleia.
Isso permitirá ao sacerdote recordar que, se o recurso ao sacramento da
reconciliação se impõe para as faltas graves, a Igreja dispõe de outros meios
para levar o perdão de Deus aos cristãos que se reconhecem pecadores. O momento
penitencial na Eucaristia é um desses momentos.
3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
“Deus de bondade, nós Te damos graças pela paciência e pelo
respeito de que fez prova David para com Saul que o perseguia.
Nós Te pedimos pela nossa terra, invadida pelo ódio, pela
mentalidade de vingança, pela inveja e pelo ciúme. Converte-nos
e purifica os nossos corações e os nossos espíritos, para que sejamos
construtores de paz e de reconciliação”.
No final da segunda leitura:
“Pai, nós Te damos graças pelo teu Filho Jesus, novo Adão,
ser espiritual vindo de junto de Ti para nos dar a vida, a nós, os herdeiros do
primeiro Adão, votados à terra e à morte.
Nós Te pedimos pelos nossos defuntos. Pelo baptismo, Tu os recriaste à imagem
do novo Adão, o Cristo. Associa-os à sua ressurreição”.
No final do Evangelho:
“Pai misericordioso, bom para os ingratos
e os maus, bendito sejas pela revelação da tua bondade sem limites que
Jesus nos faz pelo seu ensinamento e pelo seu comportamento.
Nós Te pedimos: que o teu Espírito nos
ajude a nos comportarmos como filhos e filhas dignos de Ti, Deus Altíssimo”.
4. BILHETE DE EVANGELHO.
Jesus não dá lições de filantropia, mas convida os seus
interlocutores a erguer os olhos para Deus seu Pai, a fim de se tornarem
semelhantes a Ele. É porque Deus é bom para com os ingratos e os maus que o
homem deve procurar ser bom para com todos. É porque Deus é misericordioso que
o homem é convidado a perdoar. Não é uma lição de moral, mas fundamentalmente
um acto de fé do qual decorre um conjunto de
comportamentos. Jesus, o Filho de Deus Altíssimo, veio tirar o homem de tudo
aquilo que o pode afastar da semelhança com Deus, o pecado. Jesus é a perfeita
imagem de Deus. Dirá mesmo: “Quem Me viu, viu o Pai”. As suas palavras são
palavra de Deus, os seus gestos são gestos de Deus. O desafio está em
procurarmos ser semelhantes a Jesus, ser perfeitos
como o Pai celeste é perfeito.
5. À ESCUTA DA PALAVRA.
É uma verdadeira ladainha de desesperança e de culpabilização. Ninguém pode obedecer a todos estes
mandamentos de Jesus. Mas não podemos apagar estas palavras tão
desconcertantes. O Senhor dá-nos uma luz: Jesus constata que mesmo os pecadores
são capazes de agir bem uns para com os outros. Nem tudo está corrompido no ser
humano. Já é bom amar os que nos amam, fazer bem aos que nos fazem bem. Mas aos
olhos de Jesus, isso não basta. É preciso ir mais longe. Porquê?
Porque somos filhos e filhas do Deus Altíssimo. Somos da família de Deus, que é
bom para os ingratos e os maus. Então, somos convidados a imitar a maneira de
agir do nosso Pai. Ele não ama apenas aqueles que O amam. Ama
a todos, bons e maus. E mesmo quando os homens O colocam à margem da sua
vida, Ele não deixa de os amar. Jesus, que é o Filho
bem-amado, a perfeita imagem de Deus, conformou-Se à moral de seu Pai. Na cruz,
rezou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Amou os seus inimigos.
Nunca rejeitou ninguém. O que Jesus nos diz hoje não são normas culpabilizantes e impraticáveis. São convites, urgentes e
exigentes, é verdade, para que manifestemos, pela nossa maneira de agir, que
somos da família do nosso Pai dos céus. Cristãos, somos convidados a colocar a
nossa vida na luz de Jesus e da sua palavra, a não nos contentarmos do que
fazem os pecadores. É somente num estreito acompanhamento com Jesus que
recebemos do Espírito a força de ir sempre mais além no caminho, rude mas exaltante, do amor, como o de Jesus
e do Pai.
6. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
A Oração Eucarística IV celebra muito bem a infinita misericórdia
do Deus da Aliança ao longo da história do mundo.
7. PALAVRA PARA O CAMINHO…
No Evangelho deste domingo, Jesus convida-nos a amar como
nos ama o Pai dos céus que é bom para os ingratos e os maus. Nesta semana, qual
será a minha atitude para com determinado vizinho, colega, próximo… que me
magoou ou feriu profundamente? Nesta semana, saberei permanecer no amor ao
outro, quando tudo me pede para lhe responder na mesma moeda? Ao longo da
semana, poder-se-á retomar, de forma meditativa, o Evangelho deste domingo,
pedindo a Deus mais sinceridade nas nossas atitudes e acções.
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES
DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA –
Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
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