2º DOMINGO DA
PÁSCOA C
Tema do 2º Domingo da Páscoa
A liturgia deste domingo põe em relevo o papel da comunidade cristã como
espaço privilegiado de encontro com Jesus ressuscitado.
O Evangelho sublinha a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é
à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que
a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por
outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu
testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.
A segunda leitura insiste no motivo da centralidade de Jesus como
referência fundamental da comunidade cristã: apresenta-O a caminhar lado a lado
com a sua Igreja nos caminhos da história e sugere que é n’Ele que a comunidade
encontra a força para caminhar e para vencer as forças que se opõem à vida nova
de Deus.
A primeira leitura sugere que a comunidade cristã continua no mundo a
missão salvadora e libertadora de Jesus; e quando ela é capaz de o fazer, está a dar testemunho desse Cristo vivo que
continua a apresentar uma proposta de redenção para os homens.
LEITURA I – Actos 5,12-16
Leitura dos Actos dos Apóstolos
Pelas mãos dos Apóstolos
realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo.
Unidos pelos mesmos sentimentos,
reuniam-se todos no Pórtico de Salomão;
nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles,
mas o povo enaltecia-os.
Cada vez mais gente aderia ao Senhor pela fé,
uma multidão de homens e mulheres,
de tal maneira que traziam os doentes para as ruas
e colocavam-nos em enxergas e em catres,
para que, à passagem de Pedro,
ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles.
Das cidades vizinhas de Jerusalém,
a multidão também acorria,
trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros
e todos eram curados.
AMBIENTE
O livro dos Actos dos Apóstolos apresenta o
“caminho” que a Igreja de Jesus percorreu, desde Jerusalém até Roma, o coração
do império. No entanto, foi de Jerusalém, o lugar onde irrompeu a salvação –
isto é, onde Jesus sofreu, morreu, ressuscitou e subiu ao céu –, que tudo
partiu. Foi aí que nasceu a primeira comunidade cristã e que essa comunidade,
pela primeira vez, se assumiu como testemunha de Jesus diante do mundo.
O texto que nos é proposto é um dos três sumários que aparecem na
primeira parte dos “Actos”; esses sumários apresentam
temas comuns e afinidades de estrutura que convidam a considerá-los
conjuntamente. No conjunto, esses sumários pretendem apresentar as várias
facetas do testemunho dado pela Igreja de Jerusalém. O primeiro aparece em
2,42-47 e é dedicado ao tema da unidade e ao impacto que o estilo cristão de
vida provocou no povo da cidade; o segundo aparece em 4,32-37 e é dedicado ao
tema da partilha dos bens; o terceiro (a primeira leitura de hoje) apresenta o
testemunho da Igreja através da actividade miraculosa
dos apóstolos.
MENSAGEM
A primeira frase desta leitura apresenta o tema: “pelas mãos dos
apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo”.
A descrição da acção dos apóstolos e da reacção do povo é, neste contexto, muito parecida com
certos relatos de curas e certos resumos da actividade taumatúrgica de Jesus que encontramos nos evangelhos
sinópticos. Isso diz-nos, desde logo, duas coisas: que não se trata de uma
reportagem fotográfica de acontecimentos, mas de um resumo teológico; e que
Lucas vê uma continuidade entre a missão de Jesus e a missão da comunidade
cristã (a mesma actividade salvadora e libertadora de
Jesus em favor dos pobres e dos oprimidos é continuada agora no mundo pela sua
Igreja).
Um desenvolvimento especialmente interessante é a atribuição à “sombra”
de Pedro de virtudes curativas (cf. Act 5,15b). Isso
nunca foi dito acerca de Cristo… Significa que Pedro tinha mais poder do que
Cristo? Não. Significa, provavelmente, que nada é impossível àquele que se
coloca na órbita de Cristo e recebe d’Ele a força para testemunhar.
Devemos ter presente, para entender a mensagem, o cenário de fundo deste
texto: os apóstolos são as testemunhas de Jesus ressuscitado e do seu projecto libertador para o mundo; os gestos realizados
servem para dar testemunho da ressurreição, isto é, dessa vida nova que em
Cristo começou e que, através dos seguidores de Cristo ressuscitado, deve
chegar a todos os homens.
ACTUALIZAÇÃO
Para reflexão e actualização, considerar as
seguintes linhas:
• A comunidade cristã tem de ser, fundamentalmente, uma comunidade que
testemunha Cristo ressuscitado. Se formarmos uma família de irmãos “unidos
pelos mesmos sentimentos”, solidários uns com os outros, capazes de partilhar,
estaremos a anunciar esse mundo novo que Jesus propôs e a interpelar os nossos
conterrâneos. É isso que acontece habitualmente com o testemunho das nossas
comunidades? O que nos falta para sermos – como a comunidade primitiva – uma
comunidade que testemunha Jesus ressuscitado?
• Os milagres não são, fundamentalmente, acontecimentos espantosos que
subvertem as leis da natureza; mas são sinais que mostram a presença
libertadora e salvadora de Deus e que anunciam essa vida plena que Deus quer
dar a todos os homens. Não são, portanto, coisas reservadas a certos
feiticeiros ou super-heróis, mas são coisas que eu posso fazer todos os dias:
sempre que os meus gestos falam de amor, de partilha, de reconciliação, eu
estou a realizar um “milagre” que leva aos irmãos a vida nova de Deus, estou a
anunciar e a fazer acontecer a ressurreição. Tenho
consciência disto e procuro, com gestos concretos, anunciar que Jesus
ressuscitou e continua a querer salvar os homens? Os meus gestos são “sinais”
de Deus?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 117 (118)
Refrão 1: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
Porque é eterna a sua misericórdia.
Refrão 2: Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:
O seu amor é para sempre.
Refrão 3: Aleluia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Aarão:
é eterna a sua misericórdia.
Digam os que temem o Senhor:
é eterna a sua misericórdia.
A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria.
Senhor, salvai os vossos servos,
Senhor, dai-nos a vitória.
Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos bendizemos.
O Senhor é Deus
e fez brilhar sobre nós a sua luz.
LEITURA II – Ap 1,9-11a.12-13.17-19
Leitura do Livro do Apocalipse
Eu, João, vosso irmão e companheiro
nas tribulações, na realeza e na perseverança em Jesus,
estava na ilha de Patmos,
por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
No dia do Senhor fui movido pelo Espírito
e ouvi atrás de mim uma voz forte,
semelhante à da trombeta, que dizia:
«Escreve num livro o que vês
e envia-o às sete Igrejas».
Voltei-me para ver quem era a voz que me falava;
ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro
e, no meio dos candelabros,
alguém semelhante a um filho do homem,
vestido com uma longa túnica
e cingido no peito com um cinto de ouro.
Quando o vi, caí a seus pés como morto.
Mas ele poisou a mão direita sobre mim e
disse-me:
«Não temas.
Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive.
Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos
dos séculos
e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos.
Escreve, pois, as coisas que viste,
tanto as presentes como as que hão-de acontecer
depois destas».
AMBIENTE
Estamos nos finais do reinado de Domiciano (à
volta do ano 95); os cristãos eram perseguidos de forma violenta e organizada e
parecia que todos os poderes do mundo se voltavam contra os seguidores de
Cristo. Muitos cristãos, cheios de medo, abandonavam o Evangelho e passavam
para o lado do império. Na comunidade dizia-se: “Jesus é o Senhor”; mas lá
fora, quem mandava mesmo como senhor todo-poderoso era o Imperador de Roma.
É neste contexto de perseguição, de medo e de martírio que vai ser
escrito o Apocalipse. O objectivo do autor é
apresentar aos crentes um convite à conversão (primeira parte – Ap 1-3) e uma leitura profética da história que os ajude a
enfrentar a tempestade com esperança e a acreditar na vitória final de Deus e
dos crentes (segunda parte – Ap 4-22).
O texto da primeira leitura de hoje pertence à primeira parte do livro. Nele,
apresenta-se – recorrendo à linguagem simbólica, pois é através dos símbolos
que melhor se expressa a realidade do mistério – o
“Filho do Homem”: é Ele o Senhor da história e Aquele através de quem Deus
revela aos homens o seu projecto.
MENSAGEM
Esse “Filho do Homem” é Cristo ressuscitado. Para o
descrever em pormenor, o autor (um tal João, exilado na ilha de Patmos por causa do Evangelho) vai recorrer a símbolos
herdados do mundo vétero-testamentário que sublinham,
antes de mais, a divindade de Jesus.
O texto que hoje a liturgia nos propõe não apresenta a descrição
original completa (faltam os versículos 14-16). Nos versículos que nos são
propostos, este “Filho do Homem” é apresentado como o Senhor que preside à sua
Igreja (no vers. 12, os sete candelabros representam
a totalidade da Igreja de Jesus; recordar que o sete é o número que indica
plenitude, totalidade) e que caminha no meio dela e com ela (vers. 13a); Ele está revestido de dignidade sacerdotal (a
longa túnica, distintivo da dignidade sacerdotal revela que Ele é, agora, o
verdadeiro intermediário entre Deus e os homens – vers.
13b) e possui dignidade real (o cinto de ouro, porque n’Ele reside a realeza e a
autoridade sobre a história, o mundo e a Igreja – vers.
13c). Sobretudo, Ele é o Cristo do mistério pascal: esteve morto, voltou à vida
e é agora o Senhor da vida que derrotou a morte (vers.
18). A história começa e acaba n’Ele (vers. 17b). Por isso, os
cristãos nada terão a temer.
A João, Cristo ressuscitado confia a missão profética de testemunhar. O facto de João cair por terra como morto e o facto de o Senhor o reanimar com um gesto (vers. 17), fazem-nos pensar em
vários relatos de vocação profética do Antigo Testamento. O “profeta” João é,
pois, enviado às igrejas; a sua missão é anunciar uma mensagem de esperança que
permita enfrentar o medo e a perseguição. Sobretudo, é chamado a anunciar a
todos os cristãos que Jesus ressuscitado está vivo, que caminha no meio da sua
Igreja e que, com Ele, nenhum mal nos acontecerá pois é Ele que preside à história.
ACTUALIZAÇÃO
Reflectir a partir das seguintes coordenadas:
• Há muitas coisas e interesses que hoje são erigidos em deuses, que
recebem a nossa adoração, que nos desviam do essencial e que acabam por nos
destruir e escravizar. Que coisas são essas? É Jesus, vivo e ressuscitado que
está no centro das nossas vidas e das nossas comunidades?
• O medo aliena, escraviza, impede-nos de construir de forma positiva… Temos
consciência de que nada temos a temer porque Cristo, o Senhor da história,
caminha connosco?
• Os homens de hoje, apesar de todas as descobertas e conquistas, têm,
muitas vezes, uma perspectiva pessimista que lhes envenena o coração e a
existência. Se a esperança está em crise, nós, testemunhas do ressuscitado,
temos uma proposta de novidade e de salvação a apresentar ao mundo. Sentimo-nos
profetas, enviados – como João – a anunciar uma mensagem de esperança, a dar
testemunho de Jesus ressuscitado e a dizer que esse mundo novo já está a
fazer-se?
ALELUIA – Jo 20,19
Aleluia. Aleluia.
Disse o Senhor a Tomé:
«Porque me viste, acreditaste;
felizes os que acreditam sem terem visto».
EVANGELHO – Jo 20,19-31
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio
a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu-lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão na seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou-Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu-Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»
Disse-lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos
para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,
e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.
AMBIENTE
Continuamos na segunda parte do Quarto Evangelho, onde nos é apresentada
a comunidade da Nova Aliança. A indicação de que estamos no “primeiro dia da
semana” faz, outra vez, referência ao tempo novo, a esse tempo que se segue à morte/ressurreição de Jesus, ao tempo da nova
criação.
A comunidade criada a partir da acção de Jesus
está reunida no cenáculo,
em
Jerusalém. Está
desamparada e insegura, cercada por um
ambiente hostil. O medo vem do facto de não terem,
ainda, feito a experiência de Cristo ressuscitado.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto divide-se em duas partes bem distintas.
Na primeira parte (cf. Jo 20,19-23), descreve-se uma “aparição” de Jesus
aos discípulos. Depois de sugerir a situação de insegurança e fragilidade que
dominava a comunidade (o “anoitecer”, “as portas fechadas”, o “medo”), o autor
deste texto apresenta Jesus “no centro” da comunidade (vers.
19b). Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-Se como ponto de referência, factor de unidade, a videira à volta da qual se enxertam os
ramos. A comunidade está reunida à volta d’Ele, pois Ele é o centro onde todos
vão beber a vida.
A esta comunidade fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo
hostil, Jesus transmite duplamente a paz (vers. 19 e
21: é o “shalom” hebraico, no sentido de harmonia,
serenidade, tranquilidade, confiança). Assegura-se,
assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava: a morte, a
opressão, a hostilidade do “mundo”.
Depois (vers. 20a), Jesus revela a sua
“identidade”: nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da
sua entrega. É nesses sinais de amor e doação que a comunidade reconhece Jesus
vivo e presente no seu meio. A permanência desses “sinais” indica a permanência
do amor de Jesus: Ele será sempre o Messias que ama, e do qual brotarão a água
e o sangue que constituem e alimentam a comunidade.
Em seguida (vers. 22), Jesus “soprou sobre
eles”. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gn 2,7 (quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a
vida de Deus). Com o “sopro” de Gn 2,7, o homem
tornou-se um ser vivente; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a
vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito,
a vida de Deus, para poderem – como Jesus – dar-se generosamente aos outros. É
este Espírito que constitui e anima a comunidade.
As palavras de Jesus à comunidade contêm ainda uma referência à missão (vers. 23). Os discípulos são enviados a prolongar o
oferecimento de vida que o Pai apresenta à humanidade
em Jesus. Quem
aceitar
essa proposta de vida, será integrado na comunidade; quem a rejeitar, ficará à
margem da comunidade de Jesus.
Na segunda parte (cf. Jo 20,24-29), apresenta-se uma catequese sobre a
fé. Como é que se chega à fé em Cristo ressuscitado? João responde: podemos
fazer a experiência da fé em Jesus vivo e ressuscitado na comunidade dos
crentes, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Tomé
representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está
fora) e que não faz caso do testemunho da comunidade nem percebe os
sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de se integrar e
participar da mesma experiência, pretende obter uma
demonstração particular de Deus.
Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no
interior da comunidade. Porquê? Porque no “dia do
Senhor”, volta a estar com a sua comunidade. É uma alusão clara ao domingo, ao
dia em que a comunidade é convocada para celebrar a Eucaristia: é no encontro
com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o
pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus ressuscitado.
A experiência de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; mas
todos os cristãos de todos os tempos podem fazer esta mesma experiência.
ACTUALIZAÇÃO
Ter em conta os seguintes desenvolvimentos:
• A comunidade cristã gira em torno de Jesus,
constrói-se à volta de Jesus e é d’Ele que recebe vida, amor e paz. Sem
Jesus, estaremos secos e estéreis, incapazes de encontrar a vida em plenitude;
sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e
de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos,
em conflito e não seremos uma comunidade de irmãos… Na nossa comunidade, Cristo
é verdadeiramente o centro? É para Ele que tudo tende e é d’Ele que tudo parte?
• A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos, verdadeiramente, a
experiência de Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, de partilha, de
serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a
transformar e a renovar o mundo. É isso que a nossa comunidade testemunha? Quem
procura Cristo encontra-O em nós?
• Não é em experiências pessoais, íntimas,
fechadas, egoístas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l’O
no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que
une os irmãos em comunidade de vida. O que é que significa, para mim, a
Eucaristia?
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 2º DOMINGO DA PÁSCOA
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A
PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 2º Domingo da Páscoa, procurar
meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em
cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária
da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos
eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para
viver em pleno a Palavra de Deus.
2. O RESSUSCITADO ESTÁ CONNOSCO! ALELUIA!
Ele estava lá… O Ressuscitado está presente na sua Palavra, no seu Corpo
e Sangue, na pessoa do presidente da assembleia… e na
própria assembleia. «Jesus veio e colocou-se no meio
deles…», diz o Evangelho deste domingo. Na assembleia do domingo, o Ressuscitado manifesta a sua presença. O
presidente poderá recordar tudo isso antes da saudação inicial. Aleluia! Temos
muitas músicas de Aleluias solenes. Uma sugestão para criar uma unidade durante
os cinquenta dias do Tempo Pascal: cantar o mesmo
Aleluia até à solenidade do Pentecostes.
3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Deus nosso Pai, nós Te damos graças pela obra começada pelo teu Filho
Jesus, continuada pelos Apóstolos e seus sucessores até ao nosso tempo, no
dinamismo do teu Espírito.
Nós Te confiamos todos os nossos irmãos e irmãs doentes ou atormentados
pelas provas da existência, na nossa comunidade e fora dela.
No final da segunda leitura:
Cristo Jesus, nós Te bendizemos e Te aclamamos: Tu és o Primeiro e o
Último, Tu és o vivo, estavas morto mas eis-Te vivo pelos séculos sem fim. Tu deténs a chave da
morada dos mortos, para nos abrir as portas da vida.
Nós Te pedimos pelos nossos irmãos e irmãs atingidos pela inquietude. Ajuda-os
a sair dos medos e inseguranças da vida.
No final do Evangelho:
Deus fiel, nós Te damos graças pelo Espírito de ressurreição, que Jesus
insuflou nos teus Apóstolos e que também nos é dado pelo baptismo e pela confirmação, para que tenhamos a vida.
Nós Te pedimos por todo o Povo dos cristãos: fortifica a nossa fé
em Jesus. Que
pelas nossas
palavras e actos saibamos testemunhar que Ele está
vivo no meio de nós.
4. BILHETE DE EVANGELHO.
Jesus deixa-Se ver aos seus discípulos, o que os enche de alegria. Envia
sobre eles o seu Espírito para que respirem do mesmo sopro e espalhem, por sua
vez, o sopro da misericórdia de Deus. Tomé não está lá nessa tarde de Páscoa, o
testemunho dos apóstolos não consegue convencê-los; ele quer ver, quer tocar,
recusa reconhecer o Ressuscitado num fantasma. Jesus respeita a sua caminhada,
e é Ele próprio que lhe propõe para ver e tocar. Tomé, então, proclama o
primeiro acto de fé da Igreja: “Meu Senhor e meu Deus!”
Ele reconhece não somente Jesus ressuscitado, marcado pelas chagas da Paixão,
mas adora-O como seu Deus. Então, Jesus anuncia que não Se apresentará mais à
vista dos homens, mas será necessário reconhecê-l’O
unicamente com os olhos da fé. E faz desta fé uma bem-aventurança: “felizes os
que acreditam sem terem visto!” Também nós, hoje, somos convidados a viver esta
bem-aventurança. Oxalá possam as nossas dúvidas e as
nossas questões ser, como para Tomé, caminho de fé!
5. À ESCUTA DA PALAVRA.
Jesus vem e está no meio dos discípulos. Diz-lhes: “A paz esteja
convosco!” Podemos compreender a saudação de Jesus como um desejo. Mas podemos
também traduzir: “A paz para vós!” Isto é, segundo as próprias palavras de
Jesus na tarde de Quinta-Feira Santa: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz!” Estas
palavras são, doravante, realizadas, eficazes. Jesus não deseja somente que os
seus discípulos estejam
em
paz. Dá-lhes
verdadeiramente a sua paz. Não é a paz que o
mundo dá. A paz do mundo é a ausência de guerra e de violência, muitas vezes a
paz dos cemitérios! A paz que Jesus dá é a plena realização da vontade criadora
do Pai. Deus cria os seres humanos, para que eles sejam “à sua imagem”, isto é,
em dependência de amor com Ele. É, sem seguida, construindo entre eles relações
de amor que os seres humanos permitirão a Deus imprimir nessas mesmas relações
a imagem do que é em si mesmo, no mistério do P