16º
DOMINGO DO TEMPO COMUM C
22
de Julho de 2007
Tema do 16º Domingo
do Tempo Comum
As leituras deste domingo
convidam-nos a reflectir o tema da hospitalidade e do acolhimento. Sugerem,
sobretudo, que a existência cristã é o acolhimento de Deus
e das suas propostas; e que a acção (ainda que em favor dos
irmãos) tem de partir de um verdadeiro encontro com Jesus e da escuta da
Palavra de Jesus. É isso que permite encontrar o sentido da nossa
acção e da nossa missão.
A primeira leitura
propõe-nos a figura patriarcal de Abraão. Nessa figura
apresenta-se o modelo do homem que está atento a quem passa, que
partilha tudo o que tem com o irmão que se atravessa no seu caminho e
que encontra no hóspede que entra na sua tenda a figura do
próprio Deus. Sugere-se, em consequência, que Deus não pode
deixar de recompensar quem assim procede.
No Evangelho, apresenta-se
um outro quadro de hospitalidade e de acolhimento de Deus. Mas sugere-se que,
para o cristão, acolher Deus na sua casa não é tanto
embarcar num activismo desenfreado, mas sentar-se aos pés de Jesus,
escutar as propostas que, n’Ele, o Pai nos faz e acolher a sua Palavra.
A segunda leitura
apresenta-nos a figura de um apóstolo (Paulo), para quem Cristo, as suas
palavras e as suas propostas são a referência fundamental, o
universo à volta do qual se constrói toda a vida. Para Paulo, o
que é necessário é “acolher Cristo” e
construir toda a vida à volta dos seus valores. É isso que
é preponderante na experiência cristã.
LEITURA I – Gen
18,1-10a
Leitura do Livro do
Génesis
Naqueles dias,
o Senhor apareceu a
Abraão junto do carvalho de Mambré.
Abraão estava
sentado à entrada da sua tenda,
no maior calor do dia.
Ergueu os olhos e viu
três homens de pé diante dele.
Logo que os viu, deixou a
entrada da tenda
e correu ao seu encontro;
prostrou-se por terra e
disse:
«Meu Senhor, se
agradei aos vossos olhos,
não passeis adiante
sem parar em casa do vosso servo.
Mandarei vir água,
para que possais lavar os pés
e descansar debaixo desta
árvore.
Vou buscar um bocado de
pão, para restaurardes as forças
antes de continuardes o
vosso caminho,
pois não foi em
vão que passastes diante da casa do vosso servo».
Eles responderam:
«Faz como disseste».
Abraão apressou-se
a ir à tenda onde estava Sara e disse-lhe:
«Toma depressa
três medidas de flor da farinha,
amassa-a e coze uns
pães no borralho».
Abraão correu ao
rebanho e escolheu um vitelo tenro e bom
e entregou-o a um servo
que se apressou a prepará-lo.
Trouxe manteiga e leite e
o vitelo já pronto
e colocou-o diante deles;
e, enquanto comiam, ficou
de pé junto deles debaixo da árvore.
Depois eles disseram-lhe:
«Onde está
Sara, tua esposa?».
Abraão respondeu:
«Está ali na tenda».
E um deles disse:
«Passarei novamente
pela tua casa daqui a um ano
e então Sara tua
esposa terá um filho».
AMBIENTE
Os capítulos 12-36
do Livro do Génesis são um conjunto de textos sem grande unidade
e sem carácter de documento histórico ou de reportagem
jornalística de acontecimentos. Fundamentalmente, estamos diante de uma
mistura de “mitos de origem” (que narravam a chegada de um
“fundador” a um determinado local e a tomada de posse daquela
terra), de “lendas cultuais” (que relatavam como um deus qualquer
apareceu em determinado local a um desses “fundadores” e como esse
lugar se tornou um local de culto) e de relatos onde se expressa a realidade da
vida nómada durante o segundo milénio antes de Cristo.
Na origem do texto que
hoje nos é proposto como primeira leitura está, provavelmente,
uma antiga “lenda cultual” que narrava como três figuras
divinas tinham aparecido a um cananeu anónimo junto do carvalho sagrado
de Mambré (perto de Hebron), como esse cananeu os tinha acolhido na sua
tenda e como tinha sido recompensado com um filho pelos deuses (Mambré
é um famoso santuário cananeu, já no terceiro
milénio a.C., muito antes de Abraão aí ter chegado). Mais
tarde, quando Abraão se estabeleceu nesse lugar, a antiga lenda
cananaica foi-lhe aplicada e ele passou a ser o herói desse encontro com
as figuras divinas. No séc. X a.C. (reinado de Salomão), os
autores jahwistas recuperaram essa velha lenda para apresentar a sua catequese.
MENSAGEM
Qual é,
então, a proposta catequética que os autores jahwistas querem
fazer passar, servindo-se dessa velha “lenda cultual”?
No estado actual do texto,
a personagem central é Abraão. É esta figura que os
catequistas jahwistas vão apresentar aos israelitas da época de
Salomão, como um modelo de vida e de fé.
O texto apresenta-nos
Abraão “sentado à entrada da sua tenda, na hora de maior
calor do dia” (vers. 1). De repente, aparecem três homens diante de
Abraão (vers. 2). Abraão convida-os a entrar; não se
limita a trazer-lhes água para lavar os pés, mas improvisa um
banquete com pão recentemente cozido, com um vitelo “tenro e
bom” do rebanho, com manteiga e leite; depois, fica de pé junto deles,
na atitude do servo sempre vigilante para que nada falte aos convidados (vers.
3-8): é a lendária hospitalidade nómada no seu melhor.
Abraão é,
assim, apresentado, como o modelo do homem íntegro, humano, bondoso,
misericordioso, atento a quem passa e disposto a repartir com ele, de forma
gratuita, aquilo que tem de melhor.
Terminada a
refeição, é anunciada a Abraão a próxima
realização dos seus anseios mais profundos: a chegada de um
filho, o herdeiro da sua casa, o continuador da sua descendência (vers.
9-10). Aparentemente, o dom do filho é a resposta de Deus à
acção de Abraão: o catequista jahwista pretende dizer que
Deus não deixa passar em claro, mas recompensa uma tal atitude de
bondade, de gratuidade, de amor.
O texto apresenta,
complementarmente, a atitude do verdadeiro crente face a Deus. Ao longo do
relato – sem que fique expresso se Abraão tem ou não
consciência de que está diante de Deus – transparece a
serena submissão, o respeito, a confiança total (num
desenvolvimento que, contudo, não aparece na leitura que nos é
proposta, Sara ri diante da “promessa”; mas Abraão
conserva-se em silêncio digno, sem manifestar qualquer dúvida
– vers. 10b-15): tais são as atitudes que o crente israelita é
convidado a assumir diante desse Deus que vem ao encontro do homem.
Atente-se, também,
na sugestiva imagem de um Deus que irrompe repentinamente na vida do homem, que
aceita entrar na sua tenda e sentar-Se à sua mesa, constituindo-Se em
comunidade com ele. Por detrás desta imagem, está o significado
do comer em conjunto: criar comunhão, estabelecer laços de
família, partilhar vida. O jahwista apresenta, assim, um Deus
dialogante, que quer estabelecer laços familiares com o homem e
estabelecer com ele uma história de amor e de comunhão.
O catequista jahwista aproveitou
a velha “lenda cultual” e a figura inspirativa de Abraão
para apresentar aos homens do seu tempo o modelo do crente: ele é aquele
a quem Deus vem visitar, que o acolhe na sua casa e na sua vida de forma
exemplar, que coloca tudo o que possui nas mãos de Deus e que manifesta,
com o seu comportamento, a sua bondade, a sua humanidade, a sua
confiança e a sua fé; ele é aquele que partilha o que tem
com quem passa e cumpre em grau extremo o sagrado dever da hospitalidade. A
realização dos anseios mais profundos do homem é a
recompensa de Deus para quem age como Abraão.
ACTUALIZAÇÃO
Na reflexão, ter em
conta os seguintes elementos:
• Cada vez mais, o
sagrado sacramento da hospitalidade está em crise, pelo menos na nossa
civilização ocidental. O egoísmo, o fechamento, o
“salve-se quem puder”, o “cada um que se meta na sua
vida”… parecem marcar cada vez mais a nossa realidade. No entanto,
são cada vez mais as pessoas perdidas, não acolhidas, que
têm por tecto os buracos das nossas cidades… De África, do Leste
da Europa, da Ásia, da América Latina, chegam todos os dias
à fronteira da “fortaleza Europa” bandos de deserdados, que
procuram conquistar, com sangue, suor e lágrimas, o direito a uma vida
minimamente humana. Que fazer por eles? Como os acolhemos: com
indiferença e agressividade, ou com a atitude humana e misericordiosa de
Abraão? Temos consciência de que, em cada irmão deserdado,
é Deus que vem ao nosso encontro?
• É com
atenção, com bondade, com respeito, que as pessoas são
acolhidas na nossa família, na nossa comunidade cristã, nas
nossas repartições públicas, nas urgências dos
nossos hospitais, nas recepções das nossas igrejas, nas portarias
das nossas comunidades religiosas?
• A atitude de
Abraão face a Deus é, também, questionante, numa
época em que muita gente vê em Deus um concorrente ou um rival do
homem… Abraão é o crente que acolhe Deus na sua vida, que
aceita viver em comunhão com ele, que aceita pôr tudo o que tem
nas mãos de Deus e que se coloca diante de Deus numa atitude de
respeito, de submissão, de total confiança. Qual é a
atitude que marca, dia a dia, a nossa relação com Deus?
SALMO RESPONSORIAL –
Salmo 14 (15)
Refrão 1: Quem
habitará, Senhor, no vosso santuário?
Refrão 2:
Ensinai-nos, Senhor: quem habitará em vossa casa?
O que vive sem mancha e
pratica a justiça
e diz a verdade que tem no
seu coração
e guarda a sua
língua da calúnia.
O que não faz mal
ao seu próximo,
nem ultraja o seu semelhante,
o que tem por
desprezível o ímpio,
mas estima os que temem o
Senhor.
O que não falta ao
juramento mesmo em seu prejuízo
e não empresta
dinheiro com usura,
nem aceita presentes para
condenar o inocente.
Quem assim proceder jamais
será abalado.
LEITURA II – Col
1,24-28
Leitura da Epístola
do apóstolo São Paulo aos Colossenses
Irmãos:
Agora alegro-me com os
sofrimentos que suporto por vós
e completo na minha carne
o que falta à paixão de Cristo,
em benefício do seu
corpo que é a Igreja.
Dela me tornei ministro,
em virtude do cargo que
Deus me confiou a vosso respeito,
isto é, anunciar em
plenitude a palavra de Deus,
o mistério que
ficou oculto ao longo dos séculos
e que foi agora
manifestado aos seus santos.
Deus quis dar-lhes a
conhecer
as riquezas e a
glória deste mistério entre os gentios:
Cristo no meio de
vós, esperança da glória.
E nós O anunciamos,
advertindo todos os homens
e instruindo-os em toda a
sabedoria,
a fim de os apresentarmos
todos perfeitos em Cristo.
AMBIENTE
Continuamos com a leitura
dessa Carta aos Colossenses que já vimos no passado domingo. Recordemos
que é uma carta escrita por Paulo da prisão (em Roma), convidando
os habitantes da cidade de Colossos (Ásia Menor) a não darem ouvidos
a esses doutores para quem a fé em Cristo devia ser complementada com o
culto dos anjos, com rituais legalistas, com práticas ascéticas
rigoristas e com a observância de certas festas… Para Paulo, o
único necessário é Cristo: a sua vida, o seu testemunho, a
sua cruz (o dom da vida por amor) e a sua ressurreição. Estamos
por volta dos anos 61/63.
O texto que nos é
proposto inicia a parte polémica da carta. Nele, Paulo apresenta o seu
próprio exemplo, para que ele sirva de estímulo aos Colossenses.
MENSAGEM
Qual é,
então, o exemplo que o apóstolo quer propor aos cristãos
de Colossos? É um exemplo de alguém que, a partir da sua
conversão, se alheou de tudo o resto, fez de Cristo a referência
fundamental e se preocupou apenas em pôr a sua vida ao serviço de
Cristo.
Ao longo do seu caminho de
missionário, Paulo sofreu muito para levar a proposta de
salvação a todos os homens, sem excepção (cf. 2 Cor
11,23-29). Inclusive, no momento em que escreve, Paulo está prisioneiro
por causa do anúncio do Evangelho. No entanto, o apóstolo
sente-se feliz pois sabe que esses sofrimentos não foram em vão,
mas deram frutos e levaram muita gente a descobrir Jesus Cristo e a sua
proposta de libertação.
Mais ainda: os sofrimentos
de Paulo completam “o que falta à paixão de Cristo, em
favor do seu corpo que é a Igreja”. Que significa isto? Para uns,
Paulo refere-se à união da Igreja/corpo com o
Cristo/cabeça: uma vez que a cabeça (Cristo) sofreu, os membros
devem sofrer também para partilhar a sorte que a cabeça suportou.
Esta explicação põe em relevo a união dos cristãos
com Cristo e dos cristãos entre si.
Para outros, Paulo
refere-se à acção redentora de Jesus: para Jesus, a
redenção significou a cruz e o dom da vida; se os
apóstolos aceitam ser testemunhas da redenção, isso
implica, também para eles, o dom da vida (que passa pela
perseguição e pelo sofrimento). Esta explicação
põe em relevo a unidade do ministério de Cristo e dos
apóstolos e a necessidade do testemunho apostólico. Esta
explicação – que aparece já nos Padres Gregos
– é a que está mais de acordo com o contexto.
De resto, Paulo tem
consciência de que foi chamado por Cristo a anunciar o
“mistério” (“mystêrion” – vers. 26).
Esta palavra (que a “Lumen Gentium” retomará para definir a
Igreja e a sua missão no mundo – cf. LG 1) designa, em Paulo, o
plano salvador de Deus, escondido aos homens durante séculos, revelado
plenamente na vida, na acção e nas palavras de Jesus Cristo e
continuado pelos discípulos de Jesus (Igreja) na história. O
esforço de Paulo (e dos cristãos em geral) deve ir no sentido de
continuar a apresentação desse projecto de
salvação/libertação que traz a vida em plenitude
aos homens de toda a terra.
Paulo convida, pois, os
Colossenses a construir a sua vida à volta de Jesus e do seu projecto
(mesmo que isso implique sofrimento e perseguição); com o seu
exemplo, Paulo estimula-os a uma comunhão cada vez mais perfeita com Cristo,
pois é em Cristo (e não nos anjos, ou nas prática
legalistas, ou nas práticas ascéticas) que os crentes
encontrarão a salvação e a vida em plenitude.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão deste
texto pode abordar as seguintes questões:
• Paulo é,
para os crentes, uma das figuras mais questionantes da história do
cristianismo. É o cristão de “vistas largas”, que
não se deixa amarrar pelas coisas secundárias, mas sabe discernir
o essencial e lutar por aquilo que é importante… Mas, sobretudo,
é o exemplo do apóstolo por excelência, do apóstolo
para quem Cristo é tudo e que põe cada batida do seu
coração ao serviço do Evangelho e da
libertação dos homens. É com o mesmo empenho de Paulo que
eu “agarro” a missão que Cristo me confiou? Como é
que a nossa comunidade trata e considera esses irmãos que, tantas vezes
escondidos atrás da sua simplicidade e humildade, dão a vida
à causa do Evangelho e da libertação dos outros?
• A centralidade que
Cristo assume na experiência religiosa de Paulo leva-o à
conclusão de que Cristo basta e que tudo o resto assume um valor
relativo (quando não serve, até, para “desviar” os
crentes do essencial). Que valor ocupa Cristo na minha experiência de
fé? Ele é a prioridade fundamental, ou há outras imagens
ou ritos que chegam a ocupar o lugar central que só pode pertencer a
Cristo?
ALELUIA – cf. Lc
8,15
Aleluia. Aleluia.
Felizes os que recebem a
palavra de Deus
de coração
sincero e generoso
e produzem fruto pela
perseverança.
EVANGELHO – Lc
10,38-42
Evangelho de Nosso senhor
Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
Jesus entrou em certa
povoação
e uma mulher chamada Marta
recebeu-O em sua casa.
Ela tinha uma irmã
chamada Maria,
que, sentada aos
pés de Jesus,
ouvia a sua palavra.
Entretanto, Marta
atarefava-se com muito serviço.
Interveio então e
disse:
«Senhor, não
Te importas
que minha irmã me
deixe sozinha a servir?
Diz-lhe que venha
ajudar-me».
O Senhor respondeu-lhe:
«Marta, Marta,
andas inquieta e
preocupada com muitas coisas,
quando uma só
é necessária.
Maria escolheu a melhor
parte,
que não lhe será
tirada».
AMBIENTE
Este episódio
situa-nos numa aldeia não identificada, em casa de duas irmãs
(Marta e Maria). Estas duas irmãs são, provavelmente, as mesmas
Marta e Maria, irmãs de Lázaro, referidas em Jo 11,1-40 e Jo 12,1-3.
Se assim for, a acção passa-se em Betânia, uma pequena
aldeia situada na encosta oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de 3
quilómetros de Jerusalém. Continuamos, de qualquer forma, a
percorrer esse “caminho de Jerusalém”, durante o qual Jesus
vai revelando aos seus discípulos os projectos do Pai e os vai
preparando para o testemunho do Reino.
MENSAGEM
Estamos no contexto de um
banquete. Não se diz se havia muitos ou poucos convidados; o que se diz
é que uma das irmãs (Marta) andava atarefada “com muito
serviço” (vers. 40), enquanto a outra (Maria) “sentada aos
pés de Jesus, ouvia a sua Palavra” (vers. 39). Marta,
naturalmente, não se conformou com a situação e queixou-se
a Jesus pela indiferença da irmã. A resposta de Jesus (vers.
41-42) constitui o centro do relato e dá-nos o sentido da catequese que,
com este episódio, Lucas nos quer apresentar: a Palavra de Jesus deve
estar acima de qualquer outro interesse.
Há, neste texto, um
pormenor que é preciso pôr em relevo. Diz respeito à
“posição” de Maria: “sentada aos pés de
Jesus”. É a posição típica de um
discípulo diante do seu mestre (cf. Lc 8,35; Act 22,3). É uma
situação surpreendente, num contexto sociológico em que as
mulheres tinham um estatuto de subalternidade e viam limitados alguns dos seus
direitos religiosos e sociais; por isso, nenhum “rabbi” da
época se dignava aceitar uma mulher no grupo dos discípulos que
se sentavam aos seus pés para escutar as suas lições.
Lucas (que, na sua obra, procura dizer que Jesus veio libertar e salvar os que
eram oprimidos e escravizados, nomeadamente as mulheres) mostra, neste
episódio, que Jesus não faz qualquer discriminação:
o facto decisivo para ser seu discípulo é estar disposto a
escutar a sua Palavra.
Muitas vezes, este
episódio foi lido à luz da oposição entre
acção e contemplação; no entanto, não
é bem isso que aqui está em causa… Lucas não
está, nesta catequese, a explicar que a vida contemplativa é
superior à vida activa; está é a dizer que a escuta da
Palavra de Jesus é o mais importante para a vida do crente, pois
é o ponto de partida da caminhada da fé. Isto não
significa que o “fazer coisas”, que o “servir os
irmãos” não seja importante; mas significa que tudo deve
partir da escuta da Palavra, pois é a escuta da Palavra que nos projecta
para os outros e nos faz perceber o que Deus espera de nós.
ACTUALIZAÇÃO
Na reflexão e
actualização, ter em conta as seguintes linhas:
• O nosso tempo
vive-se a uma velocidade estonteante… Para ganhar uns minutos, arriscamos
a vida porque “tempo é dinheiro” e perder um segundo
é ficar para trás ou deixar acumular trabalho que depois
não conseguimos “digerir”. Mudamos de fila no trânsito
da manhã vezes incontáveis para ganhar uns metros, passamos
semáforos vermelhos, comemos de pé ao lado de pessoas para quem
nem olhamos, chegamos a casa derreados, enervados, vencidos