18º DOMINGO DO
TEMPO COMUM C
5 de Agosto de 2007
Tema do 18º Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste domingo questiona-nos acerca da atitude que
assumimos face aos bens deste mundo. Sugere que eles não podem ser os
deuses que dirigem a nossa vida; e convida-nos a descobrir e a amar esses
outros bens que dão verdadeiro sentido à nossa existência e
que nos garantem a vida em plenitude.
No Evangelho, através da “parábola do
rico insensato”, Jesus denuncia a falência de uma vida voltada
apenas para os bens materiais: o homem que assim procede é um
“louco”, que esqueceu aquilo que, verdadeiramente, dá
sentido à existência.
Na primeira leitura, temos uma reflexão do
“qohélet” sobre o sem sentido de uma vida voltada para o
acumular bens… Embora a reflexão do “qohélet”
não vá mais além, ela constitui um patamar para partirmos
à descoberta de Deus e dos seus valores e para encontramos aí o
sentido último da nossa existência.
A segunda leitura convida-nos à
identificação com Cristo: isso significa deixarmos os
“deuses” que nos escravizam e renascermos continuamente, até
que em nós se manifeste o Homem Novo, que é “imagem de
Deus”.
LEITURA I – Co (Ecle) 1,2; 2,21-23
Leitura do Livro de Coelet
Vaidade das vaidades – diz Coelet –
vaidade das vaidades: tudo é vaidade.
Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito,
tem de deixar tudo a outro que nada fez.
Também isto é vaidade e grande desgraça.
Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho
e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?
Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores
e os seus trabalhos cheios de cuidados e
preocupações;
e nem de noite o seu coração descansa.
Também isto é vaidade.
AMBIENTE
O Livro de Qohélet é um livro de
carácter sapiencial, escrito pelos finais do séc. III a.C..
Não sabemos quem é o autor… Em 1,1, apresenta-se o livro como
“palavras de qohélet”; mas “qohélet”
é uma forma participial do verbo “qhl” (“reunir em
assembleia”): significa, pois, “aquele que participa na
assembleia” ou, numa perspectiva mais activa, “aquele que fala na
assembleia”. O nome “Eclesiastes” (com que também
é designado) é a forma latinizada do grego
“ekklesiastes” (nome do livro na tradução grega do
Antigo Testamento): significa o mesmo que “qohélet” –
“aquele que se senta ou que fala na assembleia”
(“ekklesia”).
Este “caderno de anotações” de um
“sábio” é um escrito estranho e enigmático,
sarcástico, inconformista, polémico, que põe em causa os
dogmas mais tradicionais de Israel. A sua preocupação
fundamental, mais do que apontar caminhos, parece ser a de destruir certezas e
seguranças. Levanta questões e não se preocupa,
minimamente, em encontrar respostas para essas questões.
O tom geral do livro é de um impressionante
pessimismo. O autor parece negar qualquer possibilidade de encontrar um sentido
para a vida… Defende que o homem é incapaz de ter acesso à
“sabedoria”, que não há qualquer novidade e que
estamos fatalmente condenados a repetir os mesmos desafios, que o
esforço humano é vão e inútil, que é
impossível conhecer Deus e que, aconteça o que acontecer, nada
vale a pena porque a morte está sempre no horizonte e iguala-nos com os
ignorantes e os animais… Não é um livro onde se vão
procurar respostas; é um livro onde se denuncia o fracasso da sabedoria
tradicional e onde ecoa o grito de angústia de uma humanidade ferida e
perdida, que não compreende a razão de viver.
MENSAGEM
Em concreto, no texto que hoje a liturgia nos propõe,
o “qohélet” proclama a inutilidade de qualquer
esforço humano. A partir da sua própria experiência, ele
foi capaz de concluir friamente que os esforços desenvolvidos pelo homem
ao longo da sua vida não servem para nada. Que adianta trabalhar,
esforçar-se, preocupar-se em construir algo se teremos, no final, de
deixar tudo a outro que nada fez? E o “qohélet” resume a sua
frustração e o seu desencanto nesse refrão que se repete
em todo o livro (25 vezes): “tudo é vaidade”. É uma
conclusão ainda mais estranha quanto a “sabedoria”
tradicional “excomungava” aquele que não fazia nada e
apresentava como ideal do “sábio” aquele que trabalhava e
que procurava cumprir eficazmente as tarefas que lhe estavam destinadas.
A grande lição que o
“qohélet” nos deixa é a demonstração da
incapacidade de o homem, por si só, encontrar uma saída, um
sentido para a sua vida. O pessimismo do “qohélet” leva-nos
a reconhecer a nossa impotência, o sem sentido de uma vida voltada apenas
para o humano e para o material. Constatando que em si próprio e apenas
por si próprio o homem não pode encontrar o sentido da vida, a
reflexão deste livro força-nos a olhar para o mais além.
Para onde? O “qohélet” não vai tão longe; mas
nós, iluminados pela fé, já podemos concluir: para Deus.
Só em Deus e com Deus seremos capazes de encontrar o sentido da vida e
preencher a nossa existência.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar, na reflexão e actualização,
as seguintes linhas:
• Quase poderíamos dizer que o
“qohélet” é o percursor desses filósofos
existencialistas modernos que reflectem sobre o sentido da vida e constatam a
futilidade da existência, a náusea que acompanha a vida do homem,
a inutilidade da busca da felicidade, o fracasso que é a vida condenada
à morte (Jean Paul Sartre, Albert Camus, André Malraux…).
As conclusões, quer do “qohélet”, quer das filosofias
existencialistas agnósticas, seriam desesperantes se não
existisse a fé. Para nós, os crentes, a vida não é
absurda porque ela não termina nem se encerra neste mundo… A nossa
caminhada nesta terra está, na verdade, cheia de
limitações, de desilusões, de imperfeições;
mas nós sabemos que esta vida caminha para a sua
realização plena, para a vida eterna: só aí encontraremos
o sentido pleno do nosso ser e da nossa existência.
• A reflexão do “qohélet”
convida-nos a não colocar a nossa esperança e a nossa
segurança em coisas falíveis e passageiras. Quem vive, apenas,
para trabalhar e para acumular, pode encontrar aí aquilo que dá
pleno significado à vida? Quem vive obcecado com a conta
bancária, com o carro novo, ou com a casa com piscina num empreendimento
de luxo, encontrará aí aquilo que o realiza plenamente? Para mim,
o que é que dá sentido pleno à vida? Para que é que
eu vivo?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 89 (90)
Refrão: Senhor, tendes sido o nosso refúgio
através das gerações.
Vós reduzis o homem ao pó da terra
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que
passou
e como uma vigília da noite.
Vós os arrebatais como um sonho,
como a erva que de manhã reverdece;
de manhã floresce e viceja,
de tarde ela murcha e seca.
Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
Voltai, Senhor! Até quando…
Tende piedade dos vossos servos.
Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
Desça sobre nós a graça do Senhor nosso
Deus.
Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.
LEITURA II – Col 3,1-5.9-11
Leitura da Epístola do apóstolo São
Paulo aos Colossenses
Irmãos:
Se ressuscitastes com Cristo,
aspirai às coisas do alto,
onde Cristo está sentado à direita de Deus.
Afeiçoai-vos às coisas do alto e não
às da terra.
Porque vós morrestes
e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar,
também vós vos haveis de manifestar com Ele na
glória.
Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno:
imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e
avareza,
que é uma idolatria.
Não mintais uns aos outros,
vós que vos despojastes do homem velho com as suas
acções
e vos revestistes do homem novo,
que, para alcançar a verdadeira ciência,
se vai renovando à imagem do seu Criador.
Aí não há grego ou judeu, circunciso ou
incircunciso,
bárbaro ou cita, escavo ou livre;
o que há é Cristo,
que é tudo e está em todos.
AMBIENTE
A segunda leitura deste domingo é, mais uma vez, um
trecho dessa Carta aos Colossenses, em que Paulo polemiza contra os
“doutores” para quem a fé em Cristo devia ser complementada
com o conhecimento dos anjos e com certas práticas legalistas e
ascéticas. Paulo procura demonstrar que a fé em Cristo (entendida
como adesão a Cristo e identificação com Ele) basta para
chegar à salvação.
Este texto integra a parte moral da carta (cf. Col 3,1-4,1):
aí Paulo tira conclusões práticas daquilo que afirmou na
primeira parte (que Cristo basta para a salvação) e convoca os
Colossenses a viverem, no dia a dia, de acordo com essa vida nova que os
identificou com Cristo.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto está dividido em
duas partes.
Na primeira (vers. 1-4), Paulo apresenta, como ponto de
partida e como base sólida da vida cristã, a união com
Cristo ressuscitado. Os cristãos, pelo baptismo, identificaram-se com
Cristo ressuscitado; dessa forma, morreram para o pecado e renasceram para uma
vida nova. Essa vida deve crescer progressivamente, mas manifestar-se-á
em plenitude, quando Cristo “aparecer” (a Carta aos Colossenses
ainda alimenta nos cristãos a espera da vinda gloriosa de Cristo).
Na segunda parte (vers. 5.9-11), Paulo descreve as
exigências práticas dessa identificação com Cristo
ressuscitado. O cristão deve fazer morrer em si a imoralidade, a
impureza, as paixões, os maus desejos, a cupidez, numa palavra, todos
esses falsos deuses que enchem a vida do homem velho; e, por outro lado, deve
revestir-se do Homem Novo – ou seja, deve renovar-se continuamente
até que nele se manifeste a “imagem de Deus” (“sede
perfeitos como perfeito é o vosso Pai do céu” – cf.
Mt 5,48). Quando isso acontecer, desaparecerão as velhas
diferenças de povo, de raça, de religião e todos
serão iguais, isto é, “imagem de Deus”. Foi isso que
Cristo veio fazer: criar uma comunidade de homens novos, que sejam no mundo a
“imagem de Deus”.
A identificação com Cristo ressuscitado –
que resulta do baptismo – é, portanto, um renascimento
contínuo que deve levar-nos a parecer-nos cada vez mais com Deus.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão e actualização podem partir
das seguintes questões:
• Ser baptizado é, na perspectiva de Paulo,
identificar-se com Cristo e, portanto, renunciar aos mecanismos que geram
egoísmo, ambição, injustiça, orgulho, morte –
os mesmos que Jesus rejeitou como diabólicos; e é, em
contrapartida, escolher uma vida de doação, de entrega, de
serviço, de amor – os mecanismos que levaram Jesus à cruz,
mas que também o levaram à ressurreição. Eu estou a
ser coerente com as exigências do meu baptismo? Na minha vida há
uma opção clara pelas “coisas do alto”, ou essas
“coisas da terra” (brilhantes, sugestivas, mas efémeras)
têm prioridade e condicionam a minha acção?
• O objectivo da nossa vida (esse objectivo que deve
estar sempre presente diante dos nossos olhos e que deve constituir a meta para
a qual caminhamos) é, de acordo com Paulo, a renovação
contínua da nossa vida, a fim de que nos tornemos “imagem de Deus”.
Aqueles que me rodeiam conseguem detectar em mim algo de Deus? Que
“imagem de Deus” é que eu transmito a quem, diariamente,
contacta comigo?
• A comunidade cristã é essa
família de irmãos onde as diferenças (de raça, de
cultura, de posição social, de perspectiva política, etc.)
são ilusórias, porque o fundamental é que todos caminham
para ser “imagem de Deus”. Isto é realidade? Nas nossas
comunidades (cristãs ou religiosas) todos os membros são tratados
com igual dignidade, como “imagem de Deus”?
• Convém não esquecer que a
construção do “Homem Novo” é uma tarefa que
exige uma renovação constante, uma atenção
constante, um compromisso constante. Enquanto estamos neste mundo, nunca
podemos cruzar os braços e dar a nossa caminhada para a
perfeição por terminada: cada instante apresenta-nos novos
desafios, que podem ser vencidos ou que podem vencer-nos.
ALELUIA – Mt 5,3
Aleluia. Aleluia.
Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.
EVANGELHO – Lc 12,13-21
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São
Lucas
Naquele tempo,
alguém, do meio da multidão, disse a Jesus:
«Mestre, diz a meu irmão que reparta a
herança comigo».
Jesus respondeu-lhe:
«Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas
partilhas?»
Depois disse aos presentes:
«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza:
a vida de uma pessoa não depende da abundância
dos seus bens».
E disse-lhes esta parábola:
«O campo dum homem rico tinha produzido excelente
colheita.
Ele pensou consigo:
‘Que hei-de fazer,
pois não tenho onde guardar a minha colheita?
Vou fazer assim:
Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros
maiores,
onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
Então poderei dizer a mim mesmo:
Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos
anos.
Descansa, come, bebe, regala-te’.
Mas Deus respondeu-lhe:
‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua
alma.
O que preparaste, para quem será?’
Assim acontece a quem acumula para si,
em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».
AMBIENTE
Continuamos a percorrer o “caminho de
Jerusalém” e a escutar as lições que preparam os
discípulos para serem as testemunhas do Reino. A catequese, que Jesus
hoje apresenta, é sobre a atitude face aos bens.
A reflexão é despoletada por uma questão
relacionada com partilhas… Um homem queixa-se a Jesus porque o
irmão não quer repartir com ele a herança. Segundo as
tradições judaicas, o filho primogénito de uma
família de dois irmãos recebia dois terços das
possessões paternas (cf. Dt 21,17. É possível que
só fossem repartidos os bens móveis e que, para guardar intacto o
património da família, a casa e as terras fossem
atribuídas ao primogénito). O homem que interpela Jesus é,
provavelmente, o irmão mais novo, que ainda não tinha recebido
nada. Era frequente, no tempo de Jesus, que os “doutores da lei”
assumissem o papel de juízes em casos similares… Como é que
Jesus se vai situar face a esta questão?
MENSAGEM
Jesus escusa-se, delicadamente, a envolver-se em
questões de direito familiar e a tomar posição por um
irmão contra outro (“amigo, quem me fez juiz ou árbitro das
vossas partilhas?” – vers. 14). O que estava em causa na
questão era a cobiça, a luta pelos bens, o apego excessivo ao
dinheiro (talvez por parte dos dois irmãos em causa). A conclusão
que Jesus tira (vers. 15) explica porque é que Ele não aceita
meter-se na questão: o dinheiro não é a fonte da
verdadeira vida. A cobiça dos bens (o desejo insaciável de ter)
é idolatria: não conduz à vida plena, não responde
às aspirações mais profundas do homem, não conduz a
um autêntico amadurecimento da pessoa. A lógica do
“Reino” não é a lógica de quem vive para os
bens materiais; quem quiser viver na dinâmica do Reino deverá ter
isto presente.
A parábola que Jesus vai apresentar na sequência
(vers. 16-21) ilustra a atitude do homem voltado para os bens
perecíveis, mas que se esquece do essencial – aquilo que dá
a vida em plenitude. Apresenta-nos um homem previdente, responsável,
trabalhador (que até podíamos admirar e louvar); mas que, de
forma egoísta e obsessiva, vive apenas para os bens que lhe asseguram
tranquilidade e bem-estar material (e nisso, já não o podemos
louvar e admirar). Esse homem representa, aqui, todos aqueles cuja vida
é apenas um acumular sempre mais, esquecendo tudo o resto –
inclusive Deus, a família e os outros; representa todos aqueles que
vivem uma relação de “circuito fechado” com os bens
materiais, que fizeram deles o seu deus pessoal e que esqueceram que não
é aí que está o sentido mais fundamental da
existência.
A referência à acção de Deus, que
põe repentinamente um ponto final nesta existência egoísta
e sem significado, não deve ser muito sublinhada: ela serve, apenas,
para mostrar que uma vida vivida desse jeito não tem sentido e que quem
vive para acumular mais e mais bens é, aos olhos de Deus, um
“insensato”.
O que é que Jesus pretende, ao contar esta
história? Convidar os seus discípulos a despojar-se de todos os
bens? Ensinar aos seus seguidores que não devem preocupar-se com o
futuro? Propor aos que aderem ao Reino uma existência de miséria,
sem o necessário para uma vida minimamente digna e humana? Não. O
que Jesus pretende é dizer-nos que não podemos viver na
escravatura do dinheiro e dos bens materiais, como se eles fossem a coisa mais
importante da nossa vida. A preocupação excessiva com os bens, a
busca obsessiva dos bens, constitui uma experiência de egoísmo, de
fechamento, de desumanização, que centra o homem em si
próprio e o impede de estar disponível e de ter espaço na
sua vida para os valores verdadeiramente importantes – os valores do
Reino. Quando o coração está cheio de cobiça, de
avareza, de egoísmo, quando a vida se torna um combate obsessivo pelo
“ter”, quando o verdadeiro motor da vida é a ânsia de
acumular, o homem torna-se insensível aos outros e a Deus; é capaz
de explorar, de escravizar o irmão, de cometer injustiças, a fim
de ampliar a sua conta bancária. Torna-se orgulhoso e auto-suficiente,
incapaz de amar, de partilhar, de se preocupar com os outros… Fica,
então, à margem do Reino.
Atenção: esta parábola não se
destina apenas àqueles que têm muitos bens; mas destina-se a todos
aqueles que (tendo muito ou pouco) vivem obcecados com os bens, orientam a sua
vida no sentido do “ter” e fazem dos bens materiais os deuses que
condicionam a sua vida e o seu agir.
ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão, ter em conta os seguintes elementos:
• A Palavra de Deus que aqui nos é servida
questiona fortemente alguns dos fundamentos sobre os quais a nossa sociedade se
constrói. O capitalismo selvagem que, por amor do lucro, escraviza e
obriga a trabalhar até à exaustão (e por salários
miseráveis) homens, mulheres e crianças, continua vivo em tantos
cantos do nosso planeta… Podemos, tranquilamente, comprar e consumir
produtos que são fruto da escravidão de tantos irmãos
nossos? Devemos consentir, com a nossa indiferença e passividade, em
aumentar os lucros imoderados desses empresários/sanguessugas que vivem
do sangue dos outros?
• Entre nós, o capitalismo assume um
“rosto” mais humano nas teses do liberalismo económico; mas
continua a impor a filosofia do lucro, a escravatura do trabalhador, a
prioridade dos critérios de planificação, de
eficiência, de produção em relação às
pessoas. Podemos consentir que o mundo se construa desta forma? Podemos
consentir que as leis laborais favoreçam a escravidão do
trabalhador? Que podemos fazer? Nós cristãos – nós
Igreja – não temos uma palavra a dizer e uma posição
a tomar face a isto?