SOLENIDADE DA
ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA – Ano C
19 de Agosto de
2007
Tema da Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria
Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe
a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo,
glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze
estrelas…
Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja. Como Maria,
a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo
sobre o Mal.
Salmo: Bendita és tu, Virgem Maria! A esposa do rei é
Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu
Filho.
Segunda leitura: Maria, nova Eva. Novo Adão, Jesus faz
da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.
Evangelho: Maria, Mãe dos crentes. Cheia do Espírito
Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante
todas as gerações a chamarão bem-aventurada!
LEITURA I – Ap 11,19a;12,1-6a.10ab
Leitura do Apocalipse de São João
O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança
foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher
revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na
cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E
apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e
dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das
estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher
que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. Ela teve
um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do
seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um
lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do
seu Ungido».
BREVE COMENTÁRIO
As visões do Apocalipse exprimem-se numa linguagem
codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as formas de
morte. Por transposição, a visão o sinal grandioso pode ser aplicada a Maria. O
livro do Apocalipse foi composto no ambiente das perseguições que se abatiam
sobre a jovem Igreja, ainda tão frágil. O profeta cristão evoca estes
acontecimentos numa linguagem codificada, em que os animais terrificantes
designam os perseguidores. A Mulher pode representar a Igreja, novo Israel, o
que sugere o número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do baptismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O Dragão
é o perseguidor, que põe tudo em acção para destruir
este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de
Deus está em acção para proteger o seu Filho. Proclamando
esta mensagem na Assunção, reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa
de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 44 (45)
Refrão 1: À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,
ornada do ouro mais fino.
Refrão 2: À vossa direita, Senhor, está a Rainha do
Céu.
Ao vosso encontro vêm filhas de reis,
à vossa direita está a rainha,
ornada com ouro de Ofir.
Ouve, minha filha, vê e presta
atenção,
esquece o teu povo e a casa de teu
pai.
Da tua beleza se enamora o Rei;
Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.
Cheias de entusiasmo e alegria,
entram no palácio do Rei.
LEITURA II – 1 Cor 15,20-27
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos
Coríntios
Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias
dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem
veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos
morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. Cada qual,
porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que
pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim, quando Cristo
entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania,
autoridade e poder. É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os
inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque
Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. Mas quando se diz que tudo Lhe está
submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe
submeteu todas as coisas.
BREVE COMENTÁRIO
A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição.
Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova
humanidade,
em que Cristo
é a cabeça, como novo Adão.
Todo o capítulo 15 desta epístola é uma longa
demonstração da ressurreição. Na passagem escolhida para a festa da Assunção, o
apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de
prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o
princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo
Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a
humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a
vida.
O apóstolo não evoca Maria, mas se proclamamos esta
leitura na Assunção, é porque reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no
grande movimento da ressurreição.
ALELUIA
Aleluia. Aleluia.
Maria foi elevada ao Céu;
alegra-se a multidão dos Anjos.
EVANGELHO – Lc 1,39-56
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São
Lucas
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se
apressadamente para a montanha, em direcção a uma
cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu
a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do
Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e
bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do
meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação,
o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada
aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do
Senhor». Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu
espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da
sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O
Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se
estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do
seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e
exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos
vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua
misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência
para sempre». Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois
regressou a sua casa.
BREVE COMENTÁRIO
O cântico de Maria descreve o programa que Deus tinha
começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre
agora na Igreja, para todos os tempos.
Pela Visitação que teve lugar na Judeia,
Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o
templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa,
com Maria
, proclamamos a obra
grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da
ressurreição.
Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade;
com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os
humildes são aqueles que crêem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a
caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo,
para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre
eles e cumpre neles maravilhas.
Rezar por Maria.
Frequentemente, ouvimos a
expressão: “rezar à Virgem Maria”… Esta maneira de falar não é absolutamente exacta, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao
Filho e ao Espírito: só Deus atende a oração. Os nossos irmãos protestantes
que, contrariamente ao que se pretende, por vezes têm a mesma fé que os
católicos e os ortodoxos na Virgem Maria Mãe de Deus, recordam-nos que Maria é
e se diz ela própria a Serva do Senhor.
Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai
por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!” A sua intervenção maternal
em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor.
Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”
Rezar com Maria.
Ela está ao nosso lado para nos levar na oração, como
uma mãe sustenta a palavra balbuciante do seu filho. Na glória de Deus, na qual
nós a honramos hoje, ela prossegue a missão que Jesus lhe confiou sobre a Cruz:
“Eis o teu Filho!” Rezar
com
Maria
, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao
seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa
caminhada junto de Deus.
Rezar como Maria.
Aprendemos junto de Maria os caminhos da oração. Na
escola daquela que “guardava e meditava no seu coração” os acontecimentos do
nascimento e da infância de Jesus, nós meditamos o Evangelho e, à luz do
Espírito Santo, avançamos nos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se acção de graças no eco ao Magnificat. Pomos os nossos
passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja
feito segundo a tua Palavra, Senhor!”
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA A SOLENIDADE DA
ASSUNÇÃO DE MARIA
(tópicos inspirados em “Signes d’aujourd’hui”)
1. A
liturgia meditada ao longo da semana.
Ao longo dos dias da semana anterior à Solenidade da
Assunção de Maria, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la
pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana
para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de
padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…
2. Confiar o Magnificat a uma voz de mulher.
No Evangelho, excepcionalmente, porque não confiar o
“Magnificat” a uma voz de mulher que poderia lê-lo ou cantá-lo?
3. Pensar na participação das crianças.
Uma festa é bem conseguida quando se consegue
congregar todas as gerações. Seria bom pensar em particular na participação das
crianças: ficarem à volta da estátua de Nossa Senhora durante a procissão do
ofertório; fazerem uma oração a Nossa Senhora no final da celebração…
4. Oração na lectio divina.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
“Pai do céu, juntamos as nossas vozes à que nos vem do
céu para proclamar: Eis agora a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o
poder do seu Cristo. Glória a Ti, Deus de vida.
Nós Te pedimos pelas tuas
Igrejas, ameaçadas pelos «dragões» da nossa época: a indiferença, as
religiosidades desviadas e as perseguições”.
No final da segunda leitura:
“Deus Pai, nós Te damos graças pela ressurreição que
manifestaste pelo teu Filho Jesus, o novo Adão, e pela assunção na vida
gloriosa que revelas em Maria, mãe do teu Filho.
Nós Te confiamos os nossos defuntos e as famílias
em luto. Releva-nos
pela promessa da ressurreição. Transformas as nossas penas em
esperança”.
No final do Evangelho:
“Nós Te bendizemos, Deus do universo, porque pelo teu
Filho ainda pequeno e pela sua mãe, Maria, visitaste o
teu povo, vieste até nós. Felizes aqueles que acreditam no cumprimento da tua
Palavra.
Nós Te pedimos pelas nossas comunidades cristãs,
encarregadas, como Maria, de levar Cristo ao mundo. Como
fizeste por ela, guia-nos pelo teu Espírito Santo”.
5. Oração Eucarística.
Pode-se escolher a Oração Eucarística III, em que a
primeira intercessão exprime bem o mistério deste dia.
6. Palavra para o caminho.
Um tríplice segredo… A meio do verão, eis uma festa para nos fazer parar junto de Maria e receber dela um
tríplice segredo: o segredo da fé sem falha tão bem ajustada a Deus (“Eis a
serva do Senhor”…); o segredo da sua esperança confiante em Deus (“nada é
impossível a Deus”…); o segredo da sua caridade missionária (“Maria pôs-se a
caminho apressadamente”…). E nós podemos pedir-lhe para nos acompanhar no
caminho das nossas vidas…
UNIDOS PELA
PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR,
PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim
Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província
Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 –
Fax: 218540909
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