21º DOMINGO DO TEMPO
COMUM C
26 de Agosto de 2007
Tema do 21º Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste domingo propõe-nos o tema da “salvação”.
Diz-nos que o acesso ao “Reino” – à vida plena, à felicidade total (“salvação”)
– é um dom que Deus oferece a todos os homens e mulheres, sem excepção; mas,
para lá chegar, é preciso renunciar a uma vida baseada nesses valores que nos
tornam orgulhosos, egoístas, prepotentes, auto-suficientes, e seguir Jesus no
seu caminho de amor, de entrega, de dom da vida.
Na primeira leitura, um profeta não identificado propõe-nos a
visão da comunidade escatológica: será uma comunidade universal, à qual terão
acesso todos os povos da terra, sem excepção. Os próprios pagãos serão chamados
a testemunhar a Boa Nova de Deus e serão convidados para o serviço de Deus, sem
qualquer discriminação baseada na raça, na etnia ou na origem.
No Evangelho, Jesus – confrontado com uma pergunta acerca do
número dos que se salvam – sugere que o banquete do “Reino” é para todos; no
entanto, não há entradas garantidas, nem bilhetes reservados: é preciso fazer
uma opção pela “porta estreita” e aceitar seguir Jesus no dom da vida e no amor
total aos irmãos.
A segunda leitura parece, à primeira vista, apresentar um
tema um tanto deslocado e marginal, em relação ao que nos é proposto pelas
outras duas leituras; no entanto, as ideias propostas são uma outra forma de
abordar a questão da “porta estreita”: o verdadeiro crente enfrenta com coragem
os sofrimentos e provações, vê neles sinais do amor de Deus que, dessa forma,
educa, corrige, mostra o sem sentido de certas opções e nos prepara para a vida
nova do “Reino”.
LEITURA I – Is 66,18-21
Leitura do Livro de Isaías
Eis o que diz o Senhor:
«Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas,
para que venham contemplar a minha glória.
Eu lhes darei um sinal
e de entre eles enviarei sobreviventes às nações:
a Társis, a Fut, a Luc, a Mosoc, a Rós, a Tubal e a Java,
às ilhas remotas que não ouviram falar de Mim
nem contemplaram ainda a minha glória,
para que anunciem a minha glória entre as nações.
De todas as nações, como oferenda ao Senhor,
eles hão-de reconduzir todos os vossos irmãos,
em cavalos, em carros, em liteiras,
em mulas e em dromedários,
até ao meu santo monte, em Jerusalém – diz o Senhor –
como os filhos de Israel trazem a sua oblação
em vaso puro ao templo do Senhor.
Também escolherei alguns deles para sacerdotes e levitas».
AMBIENTE
Os capítulos 56-66 do livro de Isaías (conhecidos
genericamente como “Trito-Isaías”) são atribuídos pela maior parte dos
estudiosos actuais a diversos autores, vinculados espiritualmente ao Deutero-Isaías.
Sobre estes autores não sabemos rigorosamente nada, a não ser que apresentaram
a sua mensagem nos últimos anos do séc. VI e princípios do séc. V a.C. (as
temáticas abordadas situam-nos, claramente, num contexto pós-exílico).
Dentro das fronteiras do antigo reino de Judá temos, por esta
época, uma comunidade heterodoxa, que agrupa judeus regressados do Exílio,
judeus que ficaram no país após a catástrofe de 586 a.C., estrangeiros que se
estabeleceram em Jerusalém durante o Exílio e outros que, após o regresso dos
exilados, vieram oferecer a sua mão-de-obra. Em relação aos estrangeiros, o
problema põe-se da seguinte forma: em que medida esses estrangeiros, cada vez
mais numerosos, podem ser integrados no Povo de Deus? A questão não é fácil,
pois a comunidade regressada do Exílio, ameaçada por inimigos internos (as
gentes que ficaram no país e que não entendem o zelo religioso dos retornados)
e por inimigos externos (sobretudo os samaritanos), tem tendência a fechar-se.
Esdras e Neemias – os grandes líderes desta fase – favoreceram, aliás, uma
política xenófoba, proibindo até os casamentos mistos (cf. Esd 9-10; Ne
13,23-27).
Os textos do Trito-Isaías abordam o problema dos estrangeiros
e, como colectânea de textos de autores e pregadores diversos, manifestam, a
este respeito, uma vasta gama de atitudes, que vão desde o apelo ao
aniquilamento das nações que se obstinam no mal (cf. Is 63,3-6; 64,1;
66,15-16), até à admissão de estrangeiros no seio do Povo de Deus. No geral,
domina a perspectiva universalista… É, aliás, nessa perspectiva aberta e
tolerante para com os outros povos que o nosso texto nos coloca.
MENSAGEM
O autor deste texto considera que todas as nações são
chamadas a integrar o Povo de Deus. É nessa perspectiva que ele compõe a visão
de carácter escatológico que o nosso texto nos apresenta: no mundo novo que vai
chegar, todos são convocados por Deus para integrar o seu Povo.
O esquema apresenta várias etapas: primeiro, Deus virá para
dar início ao processo de reunião das nações (vers. 18); depois, dará um sinal
e enviará missionários (escolhidos de entre os povos estrangeiros), a fim de
que anunciem a glória do Senhor – mesmo às nações mais distantes (vers. 19); em
seguida, as nações responderão ao sinal do Senhor e dirigir-se-ão ao monte santo
de Jerusalém (Jerusalém é, na teologia judaica, o “umbigo” do mundo, o lugar
onde Deus reside no meio do seu Povo e onde irá irromper a salvação
definitiva), trazendo como oferenda ao Senhor os israelitas dispersos no meio
das nações (vers. 20); finalmente, o Senhor escolherá de entre os que chegam
(dos judeus regressados da Diáspora e dos pagãos que escutaram o convite do
Senhor para integrar a comunidade da salvação) sacerdotes e levitas para o
servirem (vers. 21).
Estamos num contexto político em que não era fácil ter uma
visão tolerante sobre as outras nações. Dizer que todos os povos são convocados
por Deus e que Deus a todos oferece a salvação já é algo de escandaloso para os
judeus da época; porém, é algo de inaudito dizer que Jahwéh escolherá de entre
eles missionários, a fim de os enviar ao encontro das nações; e é absolutamente
inconcebível dizer que Deus vai escolher, de entre os pagãos, sacerdotes e
levitas que entrem no espaço sagrado e reservado do Templo (onde, recorde-se,
qualquer pagão que entrasse era réu de morte) para o serviço do Senhor.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar as seguintes linhas, para a reflexão:
• Não é novidade nenhuma dizer que “ao novo Povo de Deus,
todos os homens são chamados” (LG 13). No Povo de Deus não é decisivo nem a
raça, nem o sexo, nem a posição social, nem a preparação intelectual, mas sim a
adesão a Jesus e o compromisso com o projecto de salvação que o Pai oferece, em
Jesus. As nossas comunidades são, não só em teoria mas também na prática,
espaços de igualdade e de fraternidade? Há algum tipo de discriminação na minha
comunidade cristã, nomeadamente em relação a pessoas que se entende levarem
vidas desregradas e moralmente fracassadas? Se há, que sentido é que isso faz?
• Que sentido é que fazem, neste contexto, certas afirmações
e atitudes de cristãos empenhados que reflectem, na prática, um entranhado
racismo? A xenofobia é consentânea com a vida de um crente? Dizer que “Portugal
é dos portugueses; os outros que voltem para a sua terra” é colaborar na
construção dessa comunidade universal, que é o projecto de Deus?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 116 (117)
Refrão: Ide por todo o mundo, anunciai a boa nova.
Louvai o Senhor, todas as nações,
aclamai-O, todos os povos.
É firme a sua misericórdia para connosco,
a fidelidade do Senhor permanece para sempre.
LEITURA II – Heb 12,5-7.11-13
Leitura da Epístola aos Hebreus
Irmãos:
Já esquecestes a exortação que vos é dirigida,
como a filhos que sois:
«Meu filho, não desprezes a correcção do Senhor,
nem desanimes quando Ele te repreende;
porque o Senhor corrige aquele que ama
e castiga aquele que reconhece como filho».
É para vossa correcção que sofreis.
Deus trata-vos como filhos.
Qual é o filho a quem o pai não corrige?
Nenhuma correcção, quando se recebe,
é considerada como motivo de alegria, mas de tristeza.
Mais tarde, porém,
dá àqueles que assim foram exercitados
um fruto de paz e de justiça.
Por isso, levantai as vossas mãos fatigadas
e os vossos joelhos vacilantes
e dirigi os vossos passos por caminhos direitos,
para que o coxo não se extravie,
mas antes seja curado.
AMBIENTE
Voltamos à Carta aos Hebreus. O texto que hoje nos é proposto
é a continuação do que lemos no passado domingo. Estamos na segunda secção da quarta
parte da carta (cf. Heb 12,1-13), onde o autor faz um veemente apelo à
constância e a perseverar na fé. Recordemos que esta carta se destina a uma
comunidade (ou grupo de comunidades) que já perdeu o entusiasmo inicial e que
se arrasta numa fé instalada, cómoda e sem grandes exigências; recordemos
também que esta comunidade começa a conhecer as tribulações e as perseguições e
corre o risco da apostasia. É neste contexto que temos de situar o apelo que o
texto nos apresenta.
MENSAGEM
Depois de apelar aos crentes no sentido de se esforçarem,
como atletas, para chegar à vitória, a exemplo de Cristo (cf. Heb 12,1-4), o
autor convida os cristãos a aceitar as correcções e repreensões de Deus, como
actos pedagógicos de um Pai preocupado com a felicidade dos filhos.
A questão fundamental gira à volta do sentido do sofrimento e
das provas que os crentes têm que suportar (nomeadamente, as perseguições e
incompreensões que os cristãos sofrem). Uma certa mentalidade religiosa popular
considerava o sofrimento como um castigo de Deus para o pecado do homem (cf. Jo
9,1-3); mas, para o autor da Carta aos Hebreus, o sofrimento não é um castigo,
mas sim uma medicina, uma pedagogia, que Deus utiliza para nos amadurecer e
ensinar a viver. Deus serve-se desses meios para nos mostrar o sem sentido de
certos comportamentos; dessa forma, Ele demonstra a sua solicitude paternal.
Como sinais do amor que Deus nos tem, os sofrimentos são uma prova da nossa
condição de “filhos de Deus”.
Além de nos mostrarem o amor de Deus, as provas
aperfeiçoam-nos, transformam-nos, levam-nos a mudar a nossa vida. Por essa
transformação, vamo-nos fazendo interiormente capazes da santidade de Deus,
aptos para recebê-la. Por isso, quando chegam, devem ser consideradas como
parte do projecto salvador de Deus para nós, portadoras de paz e de salvação… E
devem levar-nos ao agradecimento.
A conclusão apresenta-se em forma de exortação. Citando Is
35,3, o autor da Carta aos Hebreus convida os crentes a confiar e a vencer o
temor que desalenta e paralisa.
ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão, ter em conta os seguintes elementos:
• Com frequência, encontramos pessoas que põem em causa Deus,
a partir da questão do sofrimento e do seu sentido: se Deus existe, porque é
que deixa que o sofrimento marque a vida do homem, inclusive a vida dos justos
e inocentes? Porque é que Deus prova o justo? O Povo de Deus formulou de várias
formas estas questões e não encontrou respostas plenamente satisfatórias; mas
uma das respostas passa pela constatação de que “Deus escreve direito por
linhas tortas” e que se serve dos acontecimentos mais dramáticos para nos
ajudar a redescobrir o sentido da vida e das nossas opções. O sofrimento não é
bom em si; mas ajuda-nos a perceber o sem sentido de certos caminhos que
seguimos e a corrigir o rumo da nossa vida.
• No fundo, os sofrimentos e as provas que temos de enfrentar
não põem em causa esta certeza fundamental: Deus ama-nos e quer salvar-nos; o
sofrimento e as provas permitem-nos, muitas vezes, descobrir essa realidade.
• Apesar das crises, o cristão nunca deve esquecer o amor de
Deus e agradecer por isso. Diante dos sofrimentos, resta-nos agradecer a
preocupação desse Deus que, servindo-se dos dramas da vida, nos manifesta o seu
amor e nos salva.
ALELUIA – Jo 14,6
Aleluia. Aleluia.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor:
ninguém vai ao Pai senão por Mim.
EVANGELHO – Lc 13,22-30
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
Jesus dirigia-Se para Jerusalém
e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.
Alguém Lhe perguntou:
«Senhor, são poucos os que se salvam?»
Ele respondeu:
«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita,
porque Eu vos digo
que muitos tentarão entrar sem o conseguir.
Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta,
vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo:
‘Abre-nos, senhor’;
mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’.
Então começareis a dizer:
‘Comemos e bebemos contigo
e tu ensinaste nas nossas praças’.
Mas ele responderá:
‘Repito que não sei donde sois.
Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’.
Aí haverá choro e ranger de dentes,
quando virdes no reino de Deus
Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas,
e vós a serdes postos fora.
Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,
e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus.
Há últimos que serão dos primeiros
e primeiros que serão dos últimos».
AMBIENTE
O episódio que o Evangelho de hoje nos apresenta recorda-nos
que continuamos, com Jesus e com os discípulos, a percorrer o “caminho de
Jerusalém”. O interesse central desta “viagem” continua a ser descrever os
traços do autêntico crente e apontar o caminho do “Reino” à comunidade cristã,
herdeira do projecto de Jesus.
O texto de Lc 13,22-30 é constituído por materiais de
distintas procedências, aqui agrupados por razões de interesse temático.
Inicialmente, eram “ditos” de Jesus (pronunciados em contextos distintos) sobre
a entrada no “Reino” (Mateus apresenta os mesmos “ditos” sob formas e em
contextos diferentes – cf. Lc 13,23-24 e Mt 7,13-14; Lc 13,25 e Mt 25,10-12; Lc
13,26-27 e Mt 7,22-23; Lc 13,28-29 e Mt 8,12; Lc 13,30 e Mt 19,30). Lucas
aproveita-os para mostrar as diferenças entre a teologia dos judeus e a de
Jesus, a propósito da salvação.
MENSAGEM
Na perspectiva da catequese que, hoje, Lucas nos apresenta,
as palavras de Jesus são uma reflexão sobre a questão da salvação. A catequese
é despoletada por uma questão posta na boca de alguém não identificado:
“Senhor, são poucos os que se salvam?”
A questão da salvação era, na realidade, uma questão muito
debatida nos ambientes rabínicos. Para os fariseus da época de Jesus, a
“salvação” era uma realidade reservada ao Povo eleito e só a ele; mas, nos
círculos apocalípticos, dominava uma visão mais pessimista e sustentava-se que
muito poucos estavam destinados à felicidade eterna. Jesus, no entanto, falava
de Deus como um Pai cheio de misericórdia, cuja bondade acolhia a todos,
especialmente os pobres e os débeis. Fazia, portanto, sentido saber o que
pensava Jesus acerca da questão…
Jesus não responde directamente à pergunta. Para Ele, mais do
que falar em números concretos a propósito da “salvação”, é importante definir
as condições para pertencer ao “Reino” e estimular nos discípulos a decisão
pelo “Reino”. Ora, na óptica de Jesus, entrar no “Reino” é, em primeiro lugar,
esforçar-se por “entrar pela porta estreita” (vers. 24). A imagem da “porta
estreita” é sugestiva para significar a renúncia a uma série de fardos que
“engordam” o homem e que o impedem de viver na lógica do “Reino”. Que fardos
são esses? A título de exemplo, poderíamos citar o egoísmo, o orgulho, a
riqueza, a ambição, o desejo de poder e de domínio… Tudo aquilo que impede o
homem de embarcar numa lógica de serviço, de entrega, de amor, de partilha, de
dom da vida, impede a adesão ao “Reino”.
Para explicitar melhor o ensinamento acerca da entrada do
“Reino”, Lucas põe na boca de Jesus uma parábola. Nela, o “Reino” é descrito na
linha da tradição judaica, como um banquete em que os eleitos estarão lado a
lado com os patriarcas e os profetas (vers. 25-29). Quem se sentará à mesa do
“Reino”? Todos aqueles que acolheram o convite de Jesus à salvação, aderiram ao
seu projecto e aceitaram viver, no seguimento de Jesus, uma vida de doação, de
amor e de serviço… Não haverá qualquer critério baseado na raça, na geografia,
nos laços étnicos, que barre a alguém a entrada no banquete do “Reino”: a única
coisa verdadeiramente decisiva é a adesão a Jesus. Quanto àqueles que não
acolheram a proposta de Jesus: esses ficarão, logicamente, fora do banquete do
“Reino”, ainda que se considerem muito santos e tenham pertencido,
institucionalmente, ao Povo eleito. É evidente que Jesus está a falar para os
judeus e a sugerir que não é pelo facto de pertencerem a Israel que têm
assegurada a entrada no “Reino”; mas a parábola aplica-se igualmente aos
“discípulos” que, na vida real, não quiserem despir-se do orgulho, do egoísmo,
da ambição, para percorrer, com Jesus, o caminho do amor e do dom da vida.
ACTUALIZAÇÃO
Para reflectir e partilhar, considerar os seguintes dados:
• Em primeiro lugar, é preciso ter a consciência de que o
“Reino” não está condicionado a qualquer lógica de sangue, de etnia, de classe,
de ideologia política, de estatuto económico: é uma realidade que Deus oferece
gratuitamente a todos; basta que se acolha essa oferta de salvação, se adira a
Jesus e se aceite entrar pela “porta estreita”. Tenho consciência de que a
comunidade de Jesus é a comunidade onde todos cabem e onde ninguém é excluído e
marginalizado?
• “Entrar pela porta estreita” significa, na lógica de Jesus,
fazer-se pequeno, simples, humilde, servidor, capaz de amar os outros até ao
extremo e de fazer da vida um dom. Por outras palavras: significa seguir Jesus
no seu exemplo de amor e de entrega. Quando Tiago e João pretenderam
reivindicar lugares privilegiados no “Reino”, Jesus apressou-se a dizer-