Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo A
Missa da Meia-noite
25 de Dezembro de 2007
(Revista Celebração Litúrgica)
RITOS INICIAIS
Introdução ao espírito da Celebração
Que alegria podermos celebrar mais este Natal do Senhor! E podermos celebrá-lo ao vivo com Jesus aqui no meio de nós.
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: Oito séculos antes do nascimento do Salvador, o profeta Isaías traça o seu retrato e descreve a sua acção libertadora. O Menino que hoje nasce é da descendência de David mas é também o Filho de Deus que vem trazer a paz ao mundo.
Isaías 9, 1-6
2«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. 3Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 4Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. 5Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. 6Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». 7O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.
Salmo Responsorial Salmo 95 (96), 1-2a.2b-3.11-12.13 (R. Lc 2, 11)
Monição: Alegremo-nos e exultemos porque hoje nasceu o Salvador do mundo.
Segunda Leitura
Monição: Paulo lembra-nos que para podermos beneficiar da salvação, é necessário acolher o Salvador, esforçando-nos por viver de harmonia com as exigências da vida nova que Ele nos traz.
Tito 2, 11-14
Caríssimo: 11Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, 12ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, 13aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, 14Jesus Cristo, que Se entregou por nós, para nos resgatar de toda a iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.
Aclamação ao Evangelho Lc 2, 10-11
Monição: Com o nascimento do Menino-Salvador irrompem sobre a terra a glória e a paz de Deus. Fica proclamado para todo o sempre que os homens são por Deus amados.
Evangelho
São Lucas 2, 1-14
1Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. 2Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. 3Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. 4José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, 5a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. 6Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz 7e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. 8Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. 9O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. 10Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: 11nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13Imediatamente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: 14«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
Sugestões para a homilia
«Nasceu-vos, hoje, um Salvador!»
Um Deus presente no tempo e no espaço
«Nasceu-vos, hoje, um Salvador!»
Celebramos hoje o nascimento do nosso Redentor. Deus faz-se hoje homem: vem hoje a nós, em forma humana. É isto o Natal – a Encarnação de Deus: Deus entra hoje na nossa história, se hoje escutarmos a sua Palavra, como entrou há dois mil anos na história daqueles e daquelas que, nessa altura, escutaram a sua voz. Se é certo que, historicamente, Jesus Cristo entrou em Israel e no Mundo, há dois mil anos, na prática só entra na história da nossa vida, quando o acolhemos na fé. A fé só se entende encarnada: vivida no tempo e no espaço. É o que faz a liturgia, que celebra hoje o que aconteceu outrora; é o que faz com a morte e a ressurreição de Cristo, na Eucaristia: «Isto é – hoje – o meu corpo entregue por vós; este é – hoje – o cálice do meu sangue derramado por vós»; é o que faz com o Natal: «Nasceu-vos, hoje, na cidade de David (Belém) um Salvador, que é o Messias, Senhor». Se assim não for, a liturgia será mera ‘lembrança’ intelectual, em vez de ser ‘memorial’ – celebração vivida – do que aconteceu.
Se hoje, descessem Anjos à nossa assembleia, dir-nos-iam o mesmo que disseram, há 2000 anos, aos Pastores de Belém: «Anuncio-vos uma grande alegria: nasceu-vos, hoje, um Salvador»: o mesmo Salvador que os Pastores encontraram, no hoje deles, em Belém é o mesmo que todos os homens e mulheres, que a Ele se foram convertendo, encontraram, no hoje deles, nas terras deles, ao longo dos 2000 anos de Cristianismo.
«Nasceu-vos, hoje, um Salvador!» Hoje, para nós... E, se não nasce para nós, hoje, de que nos serve que nasça ou tenha nascido há 2000 anos, para outros? E, se não nasce para nós, aqui – na nossa comunidade – de que nos serve que nasça ou tenha nascido, noutro lugar, para outros?
Um Deus presente no tempo e no espaço
Habituámo-nos a olhar para Deus, fora do tempo e fora do espaço. Quando muito, procuramo-lo em determinados momentos ou dias de festa, numa Missa; ou em determinado lugar, quando vamos a uma igreja ou a um santuário. E Ele procura-nos e espera-nos em todo o tempo e em todo o lugar e sempre dentro de nós e nunca fora: de dia e de noite, como aconteceu aos Pastores, que «viviam nos campos, onde guardavam o rebanho, de noite».
Desde que Deus se fez Homem, desde que Ele entrou no tempo e no Mundo, não O podemos procurar fora do tempo e do espaço. Por isso Se manifesta Ele em ‘sinais’, que podem ser vistos, em ‘palavras’, que podem ser ouvidas e em acontecimentos, que podem ser admirados ou guardados no coração: «e os Pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado»; «Isto vos servirá de sinal: achareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoira»...
Desde que Ele Se fez Homem, é nos homens que O devemos procurar, porque só neles e através deles O podemos encontrar: a esposa, no marido; o marido, na esposa; os pais, nos filhos; os filhos nos pais; e todos, nos mais pobres e mais fracos: nas crianças, nos doentes, nos idosos, nos deficientes.
O nascimento deste Menino não pode deixar o mundo como está: transforma as pessoas pela Sua Palavra – «se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações» – para que elas o transformem com a sua acção. Era o que o Profeta Isaías dizia e nós ouvimos na 1.ª leitura: «Pois o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha aos ombros e o bastão do seu opressor foram quebrados por Vós, como no dia de Madiã. E todo o calçado ruidoso da guerra, toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo, tornar-se-ão pasto das chamas...»
E porquê? «É que um Menino nasceu para nós!...» Um Menino a quem Ele dá os nomes de «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz». Uma paz que, como o Menino há-de dizer, o mundo não pode dar... Paz que é vida em abundância, porque plenitude da Graça e do Bem, que só Deus pode oferecer, porque só Ele é bom: «Manifestou-se a Graça de Deus, que traz a Salvação para todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos e a viver com ponderação, justiça e piedade, no mundo presente...» (Tito 2, 11-12). Quem é tocado por esta Graça, não pode ficar como dantes, nem pode deixar o mundo como está.
Se o Natal é isto, porque é que nós o celebramos, como se fora o contrário de tudo isto? Onde está o encanto e a alegria, que irradiam dos textos da Liturgia?
Por isso, hoje é noite para nos deixarmos inundar desta alegria de nos sentirmos filhos amados de um Deus que se fez igual a nós para, connosco, fazer história e nos tornar herdeiros de uma eterna, abundante, plena e feliz.
Fala o Santo Padre
«Não temais, hoje vos nasceu na cidade de David um Salvador, que é o Cristo Senhor.»
1. «Puer est natus nobis, Filius datus est nobis» (Is 9, 5). Nas palavras do profeta Isaías, proclamadas na primeira Leitura, encerra-se a verdade do Natal, que revivemos juntos nesta noite.
Nasce um Menino. Aparentemente, um dos tantos meninos do mundo. Nasce um Menino numa estalagem de Belém. Nasce, portanto, numa condição de extrema incomodidade: pobre entre os pobres. Mas Aquele que nasce é «o Filho» por excelência: Filius datus est nobis. Este Menino é o Filho de Deus, co-substancial ao Pai. Anunciado pelos profetas, fez-se homem por obra do Espírito Santo no seio de uma Virgem, Maria.
Quando, dentro de pouco, no Credo cantaremos «...et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine et homo factus est», todos nos ajoelharemos. Meditaremos em silêncio o mistério que se realiza: «Et homo factus est!». O Filho de Deus vem a estar entre nós e nós o acolhemos de joelhos.
2. «O Verbo se fez carne» (Jo 1,14). Nesta noite extraordinária o Verbo eterno, o «Príncipe da paz» (Is 9, 5), nasce na fria e miserável gruta de Belém. «Não temais, diz o anjo aos pastores, hoje vos nasceu na cidade de David um Salvador, que é o Cristo Senhor» (Lc 2, 11). Nós também, como os anónimos e ditosos pastores, nos apressamos por encontrar Aquele que mudou o curso da história.
Na mais ínfima pobreza do presépio contemplamos «um recém-nascido envolto em faixas e pôsto numa manjedoura» (Lc 2, 12). Na criatura frágil e inerme, que chora entre os braços de Maria, «manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens» (Tit 2, 11). Em silêncio nos detemos, e adoramos!
3. Ó Menino, que quiseste ter por berço uma manjedoura; ó Criador do universo, que Te despojaste da glória divina; ó nosso Redentor, que ofereceste teu corpo inerme como sacrifício para a salvação da humanidade! O resplendor do teu nascimento ilumine a noite do mundo. O poder da tua mensagem de amor, destrua as orgulhosas insídias do maligno. O dom da tua vida nos faça compreender sempre mais quanto vale a vida de cada ser humano. Ainda escorre demasiado sangue sobre a terra! Ainda conturbam a serena convivência das nações as excessivas violências e conflitos!
Vens trazer-nos a paz. És a nossa paz! Só Tu podes fazer de nós «um povo puro» que Te pertença para sempre, um povo «zeloso na prática do bem» (Tit 2, 14).
4. Puer est natus nobis, Filius datus est nobis! Que mistério insondável esconde a humildade deste Menino! É quase como se quiséssemos tocá-lo e abraçá-lo. Maria, que cuidas o teu Filho omnipotente, dai-nos os teus olhos a fim de contemplá-lo com fé; dai-nos o teu coração para adorá-lo com amor. Na sua simplicidade, o Menino de Belém nos ensina a redescobrir o verdadeiro sentido da nossa existência; nos ensina a «viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade» (Tit 2, 12).
5. Ó Noite Santa, tão esperada, que uniste para sempre Deus e o homem! Tu nos renovas a esperança. Tu nos enches de assombro extasiante. Tu nos garantes o triunfo do amor sobre o ódio, da vida sobre a morte. Por isso, permanecemos recolhidos e rezamos.
No silêncio luminoso do teu Natal Tu, Emanuel, continuas a falar-nos. E nós estamos prontos a escutar-te. Amen!
João Paulo II, Missa de Natal da Meia Noite, 24 de Dezembro de 2003
Oração Universal
Irmãos e irmãs,
a nossa alegria de sermos amados por Deus
se transforme agora em oração.
Digamos alegremente.
R. Pela vossa infinita bondade., ouvi-nos Senhor.
1. Por todos os homens e mulheres,
para que, como os pastores, reconheçam naquela Criança,
em tudo semelhante às nossas crianças,
a face visível do Deus invisível, o Salvador esperado,
oremos ao Senhor.
2. Pela Igreja, para que, como Maria,
dê ao mundo Jesus Cristo e somente Ele,
e escolha para revelá-l’O os sinais que Ele escolheu:
a pobreza, a mansidão, a humildade,
oremos ao Senhor.
3. Pelos pobres, os marginalizados, os rejeitados,
para que descubramos neles a face de Cristo
e abramos o nosso coração e as nossas casas para acolhê-los,
oremos ao Senhor.
4. Pela paz no mundo, especialmente no Oriente Médio,
para que nos lembremos sempre de que a paz é, ao mesmo tempo,
fruto da boa vontade do homem e dom de Deus,
oremos ao Senhor.
5. Por todos nós, aqui presentes,
para que façamos do Natal uma autêntica festa cristã
e não uma mera ocasião de presentes ou despesas supérfluas,
oremos ao Senhor.
(outras intenções)
Senhor, a entrada de Cristo, vosso Filho no mundo, como homem,
é um acontecimento decisivo para nossa vida e para a história do mundo;
ajudai-nos a tomar consciência disso
e a respondermos com fé.
Por Cristo Jesus, Nosso Senhor.
Liturgia Eucarística
Monição da Comunhão
Jesus é o fruto bendito de Maria, fruto que Ela ofereceu, desde o princípio, para a causa de Deus. Sejamos generosos como Ela, e vivamos com Jesus a comunhão que contemplamos em Maria.
Ritos Finais
Monição final
«Natal é a festa com a qual se celebra não um acontecimento passado que ocorreu uma vez e acabou, mas algo presente que é ao mesmo tempo começo de um futuro eterno que vem se aproximando. É a festa do nascimento da eterna juventude. Nasceu-nos um menino, mas não é o menino que começa a morrer no momento em que começa a viver. É o menino que traz consigo definitiva e triunfalmente a eterna juventude» (Karl Rahner).
Celebração e Homília: Nuno Westwood
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
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