Crítica
do filme de Mel Gibson "Paixão"
Keith
A Fournier
Na verdade eu não sabia o que esperar. Fiquei
emocionado de ter sido convidado para uma pré-estréia privada do filme de Mel
Gibson, "Paixão", mas também já tinha lido todos os artigos de alerta
e me arrepiado. Cresci numa cidade judia e devo muito de minha própria jornada
de fé à esta influência. Tenho profunda aversão a qualquer coisa que possa
mesmo indiretamente estimular quaisquer formas de anti-Semitismo, seja em
pensamento, linguagem ou atos.
Cheguei à pré-estréia que houve em Washington, D.C.
e vi muitas faces familiares. O ambiente era típico de Washington, onde as
pessoas cumprimentam você com um sorriso mas não olham para você, com um significado
por trás das palavras. O filme foi rapidamente apresentado sem alarde e a sala
escureceu. Da marcante cena no Jardim das Oliveiras para a para o retrato
humano e terno do ministério de Jesus, passando pela traição, prisão,
flagelação, calvário, encontro com os ladrões, a entrega na cruz, até a cena
final do sepulcro vazio, este não era simplesmente um filme; foi um encontro,
diferente de tudo o que eu já havia experimentado.
Além de ser uma obra prima em termos de cinema e um
triunfo artístico, "A Paixão" evocou reflexão, tristeza e reação
emocional profundas dentro de mim muito mais do que qualquer coisa de meu
casamento, minha ordenação ou nascimento de meus filhos. Francamente, nunca
mais serei o mesmo. Quando o filme acabou este "convite" que foi uma
reunião de "formadores de opinião" em Washington realmente havia
formado algo, mas lágrimas. Não acho que havia um olho seco lá. A multidão que
estava alegre antes do filme estava estranhamente silenciosa. Ninguém conseguia
falar porque as palavras eram realmente inadequadas. Tínhamos experimentado uma
espécie de arte que é uma raridade na vida, a espécie de arte que faz o céu
tocar a terra.
Uma cena do filme ficou para sempre costurada na
minha cabeça. Um Jesus brutalizado, ferido ia novamente cair sob o peso da
cruz. Sua mãe tinha caminhado ao lado. No que ela correu para ele passavam por
sua mente as cenas dele criança caindo na estrada perto de casa. Ao alcançá-lo
para protegê-lo da queda ela alcança e toca sua face adulta machucada. Jesus
olha para ela com intensidade apaixonada (e também para todos nós) e diz
"Eis que eu faço novas todas as coisas". São palavras retiradas do
Apocalipse. Subitamente, a razão da dor era tão clara, e os ferimentos que
antes no filme tinham sido tão difíceis de ver na Sua face, em Suas costas, e
por todo o Seu corpo tornaram-se belíssimos. Foram suportados voluntariamente,
por amor.
E no final do filme, depois que tivemos a chance de nos recuperar, houveram
perguntas e respostas . Os unânimes elogios ao filme, de uma multidão tão
diferente eram impressionantes, pois eram também efusivos. E as perguntas
incluíam uma questão que acompanha este filme, mesmo antes de ser lançado.
"Porque é que este filme está sendo considerado anti-semita?"
Francamente, tendo agora experimentado (você não assiste este filme, vive),
"Paixão" , é impossível responder. Um professor de direito a quem eu
admiro muito sentou-se na minha frente. Ele elevou sua mão e respondeu
"Depois de assistir este filme, eu não entendo porque alguém pode insinuar
que mesmo remotamente ele insinue que os judeus mataram Jesus. O filme não faz
isto". E ele continuou: " Eu entendi aqui que foram meus pecados que
mataram Jesus". E eu concordo. Não há um centésimo de anti-semitismo para
ser encontrado em qualquer local deste poderosíssimo filme. Porque se houvesse,
eu seria o primeiro a gritar. O filme conta a história do evangelho de modo
dramaticamente belo, sensível e profundamente interessante. Os que alegam
diferente, ou não viram o filme ou querem dizer algo mais com isto. Na verdade,
não é um filme "cristão" no sentido que seria somente interessante
para as pessoas que se identificam como seguidores de Jesus Cristo. É uma
história profundamente humana e bela que tocará profundamente todos os homens e
mulheres. É um grande trabalho de arte. Sim, seu produtor é católico e
felizmente foi fiel ao texto do evangelho; se isto não se pode aceitar então
não sei mais nada.
A história exige que sejamos fiéis e os cristãos tem direito de contá-la.
Afinal, acredita-se que é a maior história já contada e que a mensagem é para
todos. O maior direito que se tem é de ouvir a verdade. Seria bom que todos
lembrássemos que os evangelhos baseados nos quais foi a "Paixão"
foram escritos por judeus que seguiram o rabi judeu cuja vida e ensinamentos
mudaram para sempre a história do mundo. O problema não é a mensagem mas os que
a distorceram e a usaram para o ódio ao invés de para o amor. A solução não é
censurar a mensagem, mas promover a espécie de presente de amor que é a obra
prima de filme que Mel Gibson fez. Deve ser visto pela maior quantidade de
pessoas possível. Pretendo fazer tudo o que posso para ter certeza de que isto
vai acontecer. Estou apaixonado pela "Paixão".
Uma nota anexa me informa que Mel Gibson declarou que ele não apareceu em seu
próprio filme por opção, com uma exceção: é a mão de Gibson que aparece
pregando Jesus na cruz. Gibson disse que quis fazer isto porque sem dúvida foi
a mão dele que pregou Jesus na cruz (junto com as nossas).
Courtesy Sevak Gulbekian (referências no www.google.com)