Roteiros Homiléticos

Roteiro Homilético – Domingo da Sagrada Família

RITOS INICIAIS

Lc 2, 16

Antífona de entrada: Os pastores vieram a toda a pressa e encontraram Maria, José e o Menino deitado no presépio.

Diz-se o Glória.

Introdução ao espírito da Celebração

A Igreja situou dentro das festas do Natal a festa da Sagrada Família, para nos ajudar a conhecer melhor e a viver os planos de Deus sobre a família.

Nesta época do ano em que se fazem tantos sacrifícios para saborear a vida de família, convida-nos também a agradecer ao Senhor a família em que fomos acolhidos, na vida terrena.

Acto Penitencial

Preparemo-nos para esta celebração, reconhecendo humildemente os pecados e faltas de generosidade cometidos, em especial relacionados com a nossa vida de família: para com os pais, irmãos ou filhos.

Prometamos, com ajuda do Senhor, a emenda de vida, renovando o ambiente familiar.

Oração colecta: Senhor, Pai Santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

Liturgia da Palavra

Primeira Leitura

Monição: O texto do Livro de Ben-Sirá fala-nos das relações entre os pais e os filhos, segundo a vontade de Deus.

As famílias deveriam meditar este texto com frequência e, se possível, em comum, dialogando sobre ele.

Ben-Sira 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)

3Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. 4Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados 5e acumula um tesouro quem honra sua mãe. 6Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. 7Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe.14Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. 15Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, 16porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida 17ae converter-se-á em desconto dos teus pecados.

Esta leitura é extraída da Sabedoria de Jesus Ben Sira, título grego do livro do A.T. mais lido na Liturgia, depois do Saltério, o que lhe veio a merecer, na Igreja latina, o nome de Eclesiástico, como já lhe chama no séc. III S. Cipriano. O autor inspirado escreve pelo ano 180 a. C., quando a Palestina acabava de passar para o domínio dos Selêucidas (198). Então, a helenização, favorecida pelas classes dirigentes, começava a tornar-se uma sedução para o povo da Aliança, com a adopção de costumes totalmente alheios à pureza da religião. Perante tão perigosa ameaça, Ben Sira vê na família o mais poderoso baluarte contra o paganismo invasor. Assim, os seus ensinamentos vão insistentemente dirigidos aos filhos, e estes são continuamente exortados a prestar atenção às palavras do pai.

O nosso texto é um belíssimo comentário inspirado ao 4.º mandamento do Decálogo (Ex 20, 12; Dt 5, 16), concretizando alguns deveres: o cuidado com os pais na velhice (v. 14a); não lhes causar tristeza (v. 14b); ser indulgente para com eles, se vierem a perder a razão (15a); nunca os votar ao desprezo (15b).

Salmo Responsorial Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

Monição: O Salmo 127 canta a felicidade de todos aqueles que procuram pôr em prática as palavras escutadas na primeira leitura.

Manifestemos a nossa boa vontade em fazê-lo, cantando:

Refrão: Felizes os que esperam no Senhor,

e seguem os seus caminhos.

Ou: Ditosos os que temem o Senhor,

ditosos os que seguem os seus caminhos.

Feliz de ti, que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda

no íntimo do teu lar;

teus filhos serão como ramos de oliveira

ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião te abençoe o Senhor:

vejas a prosperidade de Jerusalém

todos os dias da tua vida.

Segunda Leitura

Monição: S. Paulo, na Carta aos Colossenses, dá-nos preciosos e muito práticos conselhos para, à luz da fé, construirmos uma vida de família feliz.

Colossenses 3, 12-21

Irmãos: 12Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. 13Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. 14Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. 16Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. 17E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. 18Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. 19Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. 20Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. 21Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.

A leitura é tirada da parte final da Carta, a parte parenética, ou de exortação moral, em que o autor fundamenta a vida moral do cristão na sua união com Cristo a partir do Baptismo: trata-se duma «vida nova em Cristo».

12-15 Temos aqui a enumeração de uma série de virtudes e de atitudes indispensáveis à vida doméstica, diríamos nós agora, para que ela se torne uma imitação da Sagrada Família de Nazaré. Estas virtudes são apresentadas com a alegoria do vestuário, como se fossem diversas peças de roupa, que, para se ajustarem bem à pessoa, têm de ser cingidas com um cinto, que é «a caridade, o vínculo da perfeição». Na linguagem bíblica, «revestir-se» não indica algo de meramente exterior, de aparências, mas assinala uma atitude interior, que implica uma conversão profunda.

18-21 O autor sagrado não pretende indicar aqui os deveres exclusivos de cada um dos membros da família, mas sim pôr o acento naqueles que cada um tem mais dificuldade em cumprir; com efeito, o marido também tem de «ser submisso» à mulher, e a mulher também tem de «amar» o seu marido.

Aclamação ao Evangelho

Col 3, 15a.16a

Monição: A Palavra de Deus é sempre fonte de uma grande alegria para todos nós, ao manifestar-nos a Sua vontade a nosso respeito.

Aclamemo-la, cantando aleluia.

Aleluia

Reine em vossos corações a paz de Cristo, habite em vós a sua palavra.

Evangelho

São Mateus 2, 13-15.19-23

13Depois de os Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». 14José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto 15e ficou lá até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor anunciara pelo profeta: «Do Egipto chamei o meu filho». 19Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José no Egipto 20e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram». 21José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe, e voltou para a terra de Israel. 22Mas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia 23e foi morar numa cidade chamada Nazaré, para se cumprir o que fora anunciado pelos Profetas: «Há-de chamar-Se Nazareno».

13 «Foge para o Egipto e fica por lá até que eu te diga». Eis o comentário da homilia de S. João Crisóstomo, pondo em evidência a fé, obediência e fidelidade de S. José, o chefe da Sagrada Família: «Ao ouvir isto José não se escandalizou nem disse: isto parece um enigma! Tu próprio, ainda não há muito, dizias-me que Ele salvaria o seu povo, e agora não é capaz de se salvar nem sequer a si mesmo, mas até temos necessidade de fugir, de empreender uma viagem, uma longa deslocação; isto é contrário à tua promessa! Mas não diz nada disto, porque José é um varão fiel. Também não pergunta pela data do regresso, apesar de o Anjo a ter deixado indeterminada, pois lhe tinha dito: fica lá até que eu te avise. Não obstante, nem por isso levanta dificuldades, mas obedece e crê e suporta todas as provações com alegria. É bem verdade que Deus, amigo dos homens, mistura mágoas e alegrias, procedimento que adopta com todos os santos. Porém, nem as penas nem as consolações no-las envia ininterruptamente, mas com umas e outras Ele vai tecendo a vida dos justos. Isto mesmo fez com S. José».

15 «Para se cumprir o que o Senhor anunciara…» Se bem que o sentido literal imediato que o profeta Oseias pôs nestas palavras (Os 11, 1) dissesse respeito a Israel o povo, filho de Deus que o Senhor liberta e chama do Egipto, a verdade é que o Evangelista, inspirado por Deus, descobre naquela passagem um sentido mais profundo que Deus quis para aquelas palavras de Oseias: «do Egipto chamei o meu Filho». Esta actualização do texto do A. T. é vista por uns como um sentido típico,isto é, uma figura do chamamento de Jesus; por outros, como um sentido pleno, isto é, mais profundo, já contido nas palavras do profeta, sem que este se apercebesse dele, mas querido por Deus ao inspirar o texto.

20 «Pois aqueles… já morreram». Com o plural de generalização é designado Herodes, o Grande, tão grande pelas suas construções, como pela sua crueldade. Não há dúvida de que estas referências a Arquelau e Herodes por parte do Evangelista são um valioso indício humano do valor histórico do relato. Aqui não aparece nada de fantástico, tudo tem naturalidade e verosimilhança: a morte dum tirano não aparece como um castigo divino, como é próprio de relatos lendários. É certo que a medida de matar os inocentes de Belém era descabida e inadequada, mas coaduna-se com a crueldade de Herodes e com a arbitrariedade dum tirano que num acesso de fúria faz o que lhe vem à cabeça só para satisfazer a sua ira.

23 «Há-de chamar-se Nazareno». S. Mateus, sabendo como o título de Nazareno usado pelos judeus incrédulos tinha uma decidida intenção de vexame (cf. Act 24, 5) para Jesus e para os cristãos e dado que Nazaré era uma aldeia insignificante e de mau nome (cf. Jo 1, 46), quis deixar ver como afinal o ser apodado do humilhante titulo de Nazareno era mais uma prova de que Ele era o Messias, cumprindo assim as profecias. Se é certo que não há nenhuma passagem do Antigo Testamento que fale do Messias como Nazareno, há algumas que se referem às humilhações a que o Messias será sujeito (Sal 22 (21); Is 53, 2 ss; etc.) e, sobretudo, há outras profecias que o anunciam como «o rebento (em hebraico nétser) de Jessé», pai de David (Is 11, 1; Zac 3, 8; 6, 12; etc.); para os destinatários do 1.º Evangelho, cristãos de origem judaica, esta referência era clara, dada a perfeita equivalência entre «nétser», «rebento», e «notsri», «nazareno» (na literatura judaica Jesus é chamado: Yexu-ha-notsri); S. Mateus recorreu a uma técnica (deraxe) de interpretação rabínica, chamada «al-tiqrey» («não leias»), entenda-se, com umas vogais (as vogais da palavra nétser, rebento), mas com outras vogais (as vogais da palavra «notsri», nazareno), tendo em conta que em hebraico não se escrevem as vogais, mas apenas as consoantes, variando o sentido das mesmas palavras conforme as vogais com que as palavras sejam lidas.

Sugestões para a homilia

Introdução

– A família, um dom de Deus a cada pessoa

Instituição divina

Deus enriqueceu a família com uma Lei

A família, fonte de alegria e escola de virtudes

Para a boa harmonia familiar

– A ajuda dos pais aos filhos

Exemplo de piedade

Co-responsabilidade do pai e da mãe

Pedir contas do que se passa com os filhos

Promover o crescimento


Introdução

Somente a pessoa humana nasce e cresce numa família, e conserva esta relação por toda a vida. Com os animais não acontece o mesmo. Ao fim de poucos dias ou semanas, a relação termina.

A razão está em que a nossa vocação é uma vida em comunhão eterna no Céu, com a Santíssima Trindade, com os Anjos e com todas as pessoas que alcançam a bem-aventurança.

Na família, o Pai do Céu ajuda-nos a preparar e a ensaiar essa comunhão que viveremos para sempre no Céu.

Comecemos por agradecer ao Senhor o carinho e ajuda que encontramos na nossa família.

A família, um dom de Deus a cada pessoa

João Paulo II, de saudosa memória, disse no Sameiro, em 15 de Maio de 1982, e repetiu-o, depois, muitas vezes, que o destino do mundo passa pela família.

Hoje, passados 25 anos, vemos com os nossos olhos a realidade desta afirmação profética.

Numa ordem de valores, primeiro está a pessoa humana, com a sua vocação à eternidade feliz, depois, a família, ao serviço das pessoas e, finalmente, o Estado e a Igreja.

O Estado só tem razão de ser na medida em que existe para ajudar a família e, por ela, cada pessoa humana, a alcançar a sua vocação eterna.

Instituição divina. «Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe

Foi Deus quem instituiu a família, como célula da sociedade civil, «Igreja doméstica» ao formar o primeiro par humano.

Deste modo, a aliança do homem e da mulher no matrimónio, tornou-se a base sobre a qual assenta a família, e o único modo querido por Deus para chamar filhos à vida e recebê-los das mãos de Deus.

Não há outras formas de constituir família que não seja a que se funda nesta aliança perpétua entre um homem e uma mulher, em ordem a receber de Deus o dom dos filhos.

Deus enriqueceu a família com uma Lei. «Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra a sua mãe

Todo o relacionamento entre os pais e os filhos e destes entre si concentra-se na virtude da piedade.

Esta virtude desdobra-se em três:

– Amor. Cada filho tem para com os seus pais uma dívida imensa de amor. Quem poderia contabilizar a generosidade, a paciência, o carinho e as dimensões da doação dos pais para com os filhos?

Os pais são a primeira manifestação da paternidade divina aos filhos. Dão-lhes tudo o que têm e podem, e nada mais esperam e desejam do que verem os filhos realizados e felizes.

Este amor deve ser retribuído com um amor generoso, não só no tempo em que os filhos permanecem em casa, mas por toda a vida.

– Respeito, ou reverência. É uma das facetas deste amor e carinho. São pessoas que nos merecem toda a veneração e amor, crescendo à medida que a idade vai avançando.

Há também uma diferença de idade que deve ser respeitada, mesmo quando os pais já perderam a capacidade de se fazerem respeitar. «Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida

É verdade também que este respeito mútuo se deve ir semeando na vida de família pela vida fora.

Ele tem valor de oração. «Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração

– Obediência. Os pais são investidos por Deus na autoridade da família, e nunca podem nem devem abdicar dela.

Quando Jesus desceu com Seus pais para Nazaré, era-lhes submisso, obediente.

Por outro lado, hão-de ter presente que, quando Jesus quis explicar aos Apóstolos em que consistia a autoridade, retirou a túnica, para não a manchar, tomou uma bacia de água e uma toalha, e lavou-lhes os pés. Depois, acrescentou: «Compreendestes o que Eu fiz? Assim como Eu vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.»

A virtude da piedade há-de viver-se também para com os Pastores da Igreja, que se ofereceram a Deus para servirem os seus irmãos na fé.

A família, fonte de alegria e escola de virtudes. Quando se vive com esta exigência a vida de família, as pessoas são felizes. Mas basta uma só pessoa não dar a sua ajuda, para perturbar todos os outros (como num coro, ou numa orquestra, basta uma só pessoa desafinar para estragar o trabalho dos outros).

Por isso, podemos dizer que a construção da família, por meio deste esforço mútuo, é um trabalho de todos os dias e de cada momento.

A família é, de facto, a primeira e indispensável escola das nossas virtudes humanas e da fé. Ali aprendemos o dialogo, o respeito pelos outros, o espírito de serviço, a gratidão, e a fé.

Para a boa harmonia familiar. S. Paulo, na carta aos fiéis de Colossos, dá-lhes algumas orientações para que reine a paz e a harmonia e cada uma das famílias.

– Recomenda-lhes: «revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência.» Precisamos estar muito atentos às tentações de intolerância, de farisaísmo que nos leva andar à procura dos defeitos dos outros para os censurar.

– Acolhimento mútuo e compreensão, quando algum sente mais dificuldades. «Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra o outro

– Sobretudo, esta vida só é possível se é alimentada pela formação doutrinal. «Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros, com toda a sabedoria

– Recomenda também a oração em família. «e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão

(Um pintor oriental imaginou deste modo o Céu e o inferno: ao pintar um quadro de cada, colocou em cada um deles um tacho de arroz a fumegar, pessoas em toda a volta, tendo cada uma delas uma colher comprida atada ao braço, de tal modo que lhe era impossível meter a comida na própria boca.

Os do Céu estavam alegres e bem nutridos; os do inferno, magros e com cara de ódio. Qual o segredo?

Enquanto cada um dos bem-aventurados do Céu enchia a colher de arroz e a metia no colega que tinha em frente, cada um dos condenados do inferno tentava desesperada e inutilmente meter a colher de arroz na própria boca.

De facto, onde reina o egoísmo, ninguém é feliz.)

A ajuda dos pais aos filhos

O Evangelho ensina-nos como devem actuar os pais em relação aos filhos, para os conduzirem ao Céu.

Exemplo de piedade. «Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém pela festa da Páscoa. Quando ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa

Não podem, de facto, limitar-se a serem para os filhos, placas de sinalização: indicam a direcção em que se há-de caminhar, mas ficam paradas no mesmo lugar onde estão.

Co-responsabilidade do pai e da mãe. Quando regressavam, deram pela falta do Menino e foram os dois à Sua procura.

Foi um trabalho extenuante, porque O procuraram durante três dias. Os pais que alguma vez tiveram problemas com os filhos compreendem melhor esta angústia.

Aqui, nenhum dos três teve qualquer culpa do que se passou, com o nos explica S. Lucas, no Evangelho.

Pedir contas do que se passa com os filhos. Nossa Senhora, embora com todo o carinho, pediu contas a Jesus do que se tinha passado. «Filho, porque procedeste assim connosco

Os pais não podem esconder a cara entre as mãos e ignorar o que se passa com cada filho. A liberdade, concedida gradualmente, deve ir acompanhada da responsabilidade; e esta consegue-se quando pedimos contas do dinheiro, dos passos andados, etc.

Não se pode entregar dinheiro e a chave da porta a um filho, sem, depois, lhe pedir contas de tudo isto. Seria uma falta de amor não o fazer.

Os filhos são tesouros que Deus confia aos pais para que os preparem e defendam para a Vida Eterna.

Fomentar a vida em família. Cada um deve tomar consciência de que a família, seja qual for a idade, não pode reduzir-se apenas a uma pensão onde comemos e dormimos. «Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso

Promover o crescimento. O Evangelho resume trinta anos de vida oculta de Jesus: «E Jesus crescia em idade, em sabedoria e em graça, diante de Deus e dos homens

O crescimento em idade é acompanhado da adaptação às diversas fases da vida, com acompanhamento cuidadoso dos pais.

O crescimento em sabedoria abrange desde o aprender a falar, a andar, a conviver com os outros, até aos mais altos graus do saber humano.

Crescer em graça: fomenta-se com o ensino da doutrina e frequência dos sacramentos.

A Celebração dominical da Eucaristia, alimento da vida de família. A Igreja é a família dos filhos de Deus que se reúne em cada semana para ouvir a Palavra de Deus, falar com Ele, e celebrar uma refeição comum em que o próprio Jesus é o alimento.

Devemos preparar este encontro com alegria, procurando comparecer na graça de Deus e agradecendo ao Senhor este convite que nos faz.

Maria, Mãe da Igreja e de cada um de nós, ajudar-nos-á a melhorar cada vez mais as nossas famílias.

Fala o Santo Padre

«Deus quis nascer e crescer numa família humana.»

Estimados irmãos e irmãs

Neste último domingo do ano celebramos a festa da Sagrada Família de Nazaré. […] No Evangelho não encontramos discursos sobre a família, mas uma admoestação que vale mais do que toda a palavra: Deus quis nascer e crescer numa família humana. Deste modo consagrou-a como caminho primário e efectivo do seu encontro com a humanidade. Na vida transcorrida em Nazaré, Jesus honrou a Virgem Maria e o justo José, permanecendo submetido à sua autoridade por todo o tempo da sua infância e adolescência (cf. Lc 2, 51-52). Deste modo, lançou luz sobre o valor primordial da família na educação da pessoa. De Maria e José, Jesus foi introduzido na comunidade religiosa, frequentando a sinagoga de Nazaré.

Com eles, aprendeu a fazer a peregrinação a Jerusalém […]. Quando tinha doze anos, permaneceu no Templo, e os seus pais empregaram três dias para o encontrar. Com aquele gesto, fez-lhes compreender que Ele se tinha de «ocupar das coisas do seu Pai», ou seja, da missão que o Pai lhe confiara (cf. Lc 2, 41-52).

Este episódio evangélico revela a mais autêntica e profunda vocação da família: isto é, a de acompanhar cada um dos seus componentes pelo caminho da descoberta de Deus e do desígnio que Ele lhe predispôs. Maria e José educaram Jesus, em primeiro lugar, com o seu exemplo: nos seus pais, Ele conheceu toda a beleza da fé, do amor a Deus e à sua Lei, assim como as exigências da justiça, que encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). Deles aprendeu que antes de tudo é necessário realizar a vontade de Deus, e que o laço espiritual vale mais que o vínculo do sangue. A Sagrada Família de Nazaré é verdadeiramente o «protótipo» de cada família cristã que, unida no Sacramento do matrimónio e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, é chamada a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva não apenas da sociedade, mas da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o género humano. […]

Bento XVI, Angelus, 31 de Dezembro de 2006

Liturgia Eucarística

Oração sobre as oblatas: Nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício de reconciliação e humildemente Vos suplicamos que, pela intercessão da Virgem, Mãe de Deus, e de São José, se confirmem as nossas famílias na vossa paz e na vossa graça. Por Nosso Senhor…

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

Saudação da paz

A verdadeira paz que O Senhor deseja para todos nós tem como fundamento a Fé e o Amor.

Procuremos, com esta luz sobrenatural, uma verdadeira paz e concórdia entre nós.

Com estes sentimentos,

Saudai-vos na paz de Cristo!

Monição da Comunhão: Todas as vezes que participamos na Santa Missa, somos servidos em duas Mesas: a da Palavra de Deus, que já foi servida; e a da Santíssima Eucaristia, Corpo, Sangue e Alma de Jesus Cristo, na qual somente devem participar os que estão na graça de deus alcançada, quando necessário, por uma confissão bem feita.

Agradeçamos ao Senhor dons tão preciosos e abundantes, e recebamo-los com as necessárias disposições.

Antífona da comunhão: Deus apareceu na terra e começou a viver no meio de nós.

Cântico de acção de graças: Quero louvar-vos, Senhor, J. Santos, NRMS 111

Oração depois da comunhão: Pai de misericórdia, que nos alimentais neste divino sacramento, dai-nos a graça de imitar continuamente os exemplos da Sagrada Família, para que, depois das provações desta vida, vivamos na sua companhia por toda a eternidade. Por Nosso Senhor…

Ritos Finais

Monição final: Depois deste encontro semanal com o Senhor, vamos testemunhar em nossas famílias a Palavra de Deus que acolhemos e a Eucaristia que recebemos.

Sejamos mensageiros, juntos de cada família, de que Deus nos ama e nos ajuda.

Homilia Ferial

2ª feira, 31-XII: Também nascemos de Deus.

Jo 2, 18-21 / Jo 1, 1-18

E estes não nasceram do sangue, nem da vontade do homem, mas nasceram de Deus.

Estes são os últimos momentos do ano, esta é a última hora (cf. Leit). Encontramo-nos na vigília do novo Ano e vamos tentar nascer de Deus (cf. Ev).

A partir do momento em que recebemos o baptismo temos uma vida nova, sobrenatural: começamos a viver a própria vida de Cristo, somos filhos de Deus. Procuremos começar o novo Ano com o propósito de vivermos e de nos comportarmos de acordo com esta dignidade em todas as nossas acções. Como actuamos, sabendo que levamos dentro de nós um tesouro tão valioso?

Celebração e Homilia: Fernando Silva

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilia Ferial: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha

Fonte: Celebração  Litúrgica


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